Longevidade e qualidade de vida
No Dia Internacional das Pessoas Idosas, uma reflexão sobre como a humanidade conquistou décadas adicionais de vida e o desafio de viver esses anos com saúde, autonomia e bem-estar.
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá | Citar
Em 1º de outubro é celebrado o Dia Internacional das Pessoas Idosas, uma mobilização mundial dedicada a chamar a atenção para o envelhecimento da população, a valorização das pessoas idosas e a importância de promover condições para uma vida mais longa, saudável e com qualidade.

A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 14 de dezembro de 1990, por meio da Resolução 45/106, e celebrada pela primeira vez em 1991. Sua criação integrou um movimento internacional de atenção ao crescimento da população idosa e aos desafios relacionados à saúde, à autonomia, à participação social e à qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
A iniciativa ganhou relevância à medida que o envelhecimento da população passou a transformar diferentes aspectos da vida em sociedade. Viver mais amplia as possibilidades de convivência entre gerações e de participação das pessoas idosas na família, no trabalho e na comunidade, mas também traz novos desafios relacionados à saúde, autonomia, renda, cuidados e qualidade de vida.
Em 2026, o tema escolhido para a data é “A era da longevidade: repensando sistemas para vidas mais longas”. A proposta reflete uma transformação que ultrapassa governos e instituições: a humanidade está vivendo mais, e compreender como conquistamos esses anos adicionais - e como podemos vivê-los melhor - tornou-se uma questão de interesse para toda a sociedade.
A escolha não poderia ser mais atual. A humanidade nunca viveu tanto.
Expectativa de vida ao longo dos séculos
Viver até idades avançadas não é uma possibilidade exclusiva do mundo moderno. Há registros, desde a Antiguidade, de pessoas que chegaram aos 60, 70 anos ou mais. Isso, entretanto, não significa que alcançar essas idades fosse tão comum quanto atualmente.
Durante grande parte da história, o risco de morrer era elevado em praticamente todas as fases da vida. A mortalidade de bebês e crianças exercia enorme influência sobre a baixa expectativa de vida, mas não era a única explicação. Jovens e adultos também estavam muito mais expostos a doenças infecciosas, epidemias, complicações do parto, ferimentos, guerras, períodos de escassez de alimentos e enfermidades para as quais não existiam prevenção ou tratamentos eficazes.
Nem mesmo riqueza e posição social garantiam proteção. Reis, nobres e integrantes das elites também morriam frequentemente ainda jovens, porque muitos dos recursos médicos hoje considerados básicos simplesmente não existiam.
Por isso, a grande transformação da longevidade moderna não pode ser resumida à redução da mortalidade infantil. As chances de sobrevivência aumentaram progressivamente em diferentes etapas da vida. Mais crianças passaram a chegar à idade adulta, mais adultos à velhice e mais idosos passaram a alcançar idades ainda mais avançadas.
A diferença fundamental não é que no passado ninguém envelhecia. É que chegar à velhice era muito menos frequente e muito mais incerto do que é hoje.
Os dados históricos mostram que a expectativa de vida permaneceu baixa durante grande parte da trajetória humana e só aumentou de forma mais acelerada nos últimos dois séculos. Nos períodos mais antigos, os números são estimativas baseadas em estudos arqueológicos e registros de populações específicas; nas épocas mais recentes, passam a refletir séries demográficas cada vez mais abrangentes.
Período | Expectativa de vida ao nascer | Observação |
cerca de 25 anos | Estimativas obtidas a partir de restos humanos e modelos demográficos | |
Antiguidade greco-romana | aproximadamente 20–30 anos | Estimativas reconstruídas por pesquisadores a partir de censos, registros históricos, inscrições e outras fontes antigas, com variações entre regiões e períodos |
Idade Média | frequentemente 20–35 anos | Estimativas reconstruídas a partir de registros paroquiais, fiscais e outras fontes históricas, com variações entre regiões e períodos. |
Séculos XVI–XVIII | aproximadamente 25–40 anos, conforme região e época | Estimativas baseadas em registros paroquiais, censos e séries históricas de mortalidade, com fortes diferenças entre países e períodos. |
1800 | menos de 30 anos, média mundial | Início das estimativas mundiais de longo prazo reconstruídas a partir de registros históricos e demográficos; nenhum país ultrapassava 40 anos de expectativa de vida. |
1900 | cerca de 32 anos, média mundial | Início da grande aceleração da longevidade no século XX, favorecida pela expansão do saneamento, vacinação, melhoria da alimentação e avanços da medicina. |
1950 | cerca de 46 anos, média mundial | A expectativa de vida crescia rapidamente, mas ainda havia grandes desigualdades entre países, refletindo diferenças em saneamento, vacinação, alimentação, renda e acesso à assistência médica. |
2000 | cerca de 67 anos, média mundial | Avanço da longevidade disseminado pela maior parte do mundo, com ampla expansão de recursos sanitários e médicos. |
2023 | cerca de 73 anos, média mundial | A expectativa de vida mundial alcançou cerca de 73 anos; dado consolidado em séries internacionais da ONU e do Our World in Data. |
2024 | cerca de 73 anos | estimativa da ONU produzida na revisão de 2024, ainda com aquele ano em curso |
2025 | cerca de 74 anos | Projeção demográfica da ONU; o UNFPA informa 71 anos para homens e 76 anos para mulheres. Na base WPP 2024, são projeções, porque estavam no futuro quando a revisão foi elaborada. |
2026 | cerca de 74 anos | Projeção da ONU baseada no cenário demográfico médio; não deve ser apresentada como dado já observado. |
Por que a expectativa de vida aumentou tanto?
Não existe uma única descoberta responsável pelo aumento da longevidade.
A transformação começou pela combinação de mudanças que hoje podem parecer elementares, mas tiveram enorme impacto sobre a sobrevivência humana: água potável, saneamento, melhores condições de higiene, maior disponibilidade de alimentos e melhoria das condições de habitação e trabalho.
Posteriormente, a vacinação passou a prevenir doenças infecciosas que provocavam milhões de mortes. Os antibióticos tornaram tratáveis infecções bacterianas que antes podiam ser fatais. A assistência à gestação e ao parto reduziu a mortalidade de mães e bebês. A medicina avançou no diagnóstico e tratamento de doenças, enquanto melhores condições econômicas e sociais ampliaram o acesso de parcelas crescentes da população a alimentação, educação e cuidados de saúde.
Nenhum desses fatores, isoladamente, explica o ganho de décadas de vida. A longevidade atual é resultado de uma construção histórica que reuniu saúde pública, ciência, medicina, tecnologia e melhoria das condições de vida.
A medicina passou a enxergar o que antes não enxergava
Uma parte importante desse avanço ocorreu porque a medicina adquiriu capacidade de identificar alterações no organismo muito antes de suas consequências finais.
A hipertensão arterial é um bom exemplo. Uma pessoa pode apresentar pressão elevada durante anos sem perceber sintomas importantes. Hoje, uma simples medição permite identificar a alteração, e diferentes classes de medicamentos podem ajudar a controlá-la, reduzindo o risco de complicações como acidente vascular cerebral, infarto e insuficiência cardíaca.
Algo semelhante ocorreu com o colesterol e o diabetes.
Exames laboratoriais conseguem revelar alterações que não seriam perceptíveis apenas pela observação do paciente. Medicamentos passaram a controlar fatores de risco e doenças crônicas durante anos ou décadas.
Ao mesmo tempo, a medicina aprendeu literalmente a enxergar o interior do corpo humano.
A radiografia abriu esse caminho ainda no final do século XIX. Depois vieram ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e métodos cada vez mais sofisticados de diagnóstico por imagem. Alterações internas que antes somente poderiam ser descobertas em estágio avançado - ou após a morte - passaram a ser identificadas em pessoas vivas e, em muitos casos, antes de provocarem danos irreversíveis.
A cardiologia desenvolveu eletrocardiogramas, ecocardiogramas, cateterismos, angioplastias, stents, marca-passos e outros recursos capazes de diagnosticar e tratar doenças cardiovasculares.
O tratamento do câncer também passou por sucessivas transformações. Métodos de rastreamento e diagnóstico por imagem, exames laboratoriais, biópsias, cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, mais recentemente, terapias-alvo e imunoterapias ampliaram as possibilidades de detectar e tratar diferentes tumores.
A cirurgia também passou por uma transformação profunda. Anestesia mais segura, controle de infecções, transfusões de sangue, unidades de terapia intensiva, técnicas de imagem, procedimentos minimamente invasivos e, mais recentemente, cirurgias assistidas por sistemas robóticos ampliaram a precisão das intervenções, reduziram riscos e permitiram tratar condições que antes seriam consideradas inoperáveis ou envolveriam procedimentos muito mais agressivos.
A medicina moderna passou, assim, de uma atuação frequentemente limitada diante da doença já instalada para uma capacidade crescente de prevenir, detectar precocemente, controlar doenças crônicas e intervir antes que determinadas alterações levem à incapacidade ou à morte.
O paradoxo da vida moderna
Esse enorme aumento da longevidade pode parecer contraditório.
Milhões de pessoas vivem atualmente em grandes centros urbanos, expostas à poluição e ao estresse. O sedentarismo tornou-se frequente. Alimentos ultraprocessados3 ocupam espaço importante na alimentação de muitas populações. Obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outras enfermidades crônicas representam grandes desafios para a saúde pública.
Como, então, continuamos vivendo muito mais?
Porque os riscos da vida contemporânea coexistem com avanços sanitários, médicos, tecnológicos e socioeconômicos capazes de evitar inúmeras mortes que antes ocorriam precocemente.
Uma infecção bacteriana que poderia matar uma pessoa jovem no século XIX pode atualmente ser tratada com antibióticos. A água que anteriormente transmitia doenças pode ser tratada. Diversas infecções podem ser prevenidas por vacinação. Uma pessoa com hipertensão pode descobrir a alteração antes de sofrer um acidente vascular cerebral. Um tumor pode ser identificado quando ainda existem melhores possibilidades de tratamento.
Os problemas da vida moderna, portanto, não deixam de ser importantes. Ao contrário: à medida que muitas causas de morte precoce foram controladas, doenças crônicas e fatores relacionados ao estilo de vida passaram a exercer influência crescente sobre a saúde e sobre a qualidade dos anos adicionais conquistados.
Viver mais não significa necessariamente viver bem
O aumento da longevidade representa uma importante conquista, mas o número de anos vividos, por si só, não informa em que condições esses anos transcorrem. Uma pessoa pode viver mais e, ao mesmo tempo, passar parte desse período convivendo com doenças crônicas, limitações funcionais ou perda de autonomia.
Por isso, é importante distinguir expectativa de vida de expectativa de vida saudável.
A primeira indica, de maneira geral, quantos anos uma população pode esperar viver sob determinadas condições de mortalidade. A segunda procura estimar durante quantos desses anos as pessoas vivem em boas condições de saúde e sem limitações importantes.
A diferença entre esses dois conceitos ajuda a mostrar como o desafio da longevidade também se transformou ao longo do tempo.
Depois de uma extraordinária conquista histórica na redução das mortes precoces, o objetivo passou a ser também preservar por mais tempo a capacidade física e mental, a independência, a autonomia e a participação social.
O que a ciência recomenda para envelhecer melhor?
Não existe uma fórmula capaz de garantir que alguém chegará aos 90, 100 ou mais anos. A longevidade resulta de uma interação complexa entre genética, ambiente, condições socioeconômicas, acesso à saúde, hábitos de vida, doenças e acontecimentos individuais.
Há, entretanto, comportamentos consistentemente associados a melhores condições de saúde ao longo da vida.
Há amplo consenso na literatura médica e em diretrizes de saúde pública sobre a importância de uma alimentação saudável, atividade física regular e não fumar, o que pode reduzir riscos de doenças e favorecer um envelhecimento mais saudável.
Uma alimentação equilibrada deve privilegiar variedade e equilíbrio nutricional, com presença de frutas, vegetais, leguminosas, cereais integrais e outras fontes adequadas de nutrientes, além da limitação do consumo excessivo de sal, açúcares livres e gorduras prejudiciais.
Estudos e diretrizes de saúde pública convergem para a importância de manter atividade física regular também em idades mais avançadas. Para pessoas com 65 anos ou mais, recomenda-se, de maneira geral, 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou 75 a 150 minutos de atividade física vigorosa4, além de exercícios de fortalecimento muscular.
Atividades voltadas ao equilíbrio e à força também podem ajudar a preservar a capacidade funcional e reduzir o risco de quedas. As condições individuais de saúde, naturalmente, podem exigir adaptações e orientação profissional.
Outro componente importante para o envelhecimento saudável é a manutenção das relações sociais.
Em 2021, Kavita Chawla, Tafadzwa Patience Kunonga, Daniel Stow e colaboradores publicaram na PLOS ONE o estudo “Prevalence of loneliness amongst older people in high-income countries: A systematic review and meta-analysis” (“Prevalência da solidão entre pessoas idosas em países de alta renda: uma revisão sistemática e meta-análise”).
A pesquisa reuniu 39 estudos com cerca de 120 mil pessoas idosas de 29 países de alta renda. A maior parte das pesquisas foi realizada na Europa, com participação também de populações de outras regiões. Os pesquisadores estimaram que 28,5% das pessoas idosas analisadas vivenciavam solidão. Os autores observaram ainda que essa proporção era menor nos países do norte da Europa do que nos países do sul e do leste europeu.
Outro estudo, publicado em 2022 na revista International Psychogeriatrics por Yingying Su, Wenwang Rao, Muzi Li, Gabriel Caron, Carl D’Arcy e Xiangfei Meng, analisou especificamente o período da pandemia de COVID-19. Intitulado “Prevalence of loneliness and social isolation among older adults during the COVID-19 pandemic: A systematic review and meta-analysis” (“Prevalência de solidão e isolamento social entre pessoas idosas durante a pandemia de COVID-19: uma revisão sistemática e meta-análise”), o trabalho reuniu 30 estudos com 28.050 participantes de 15 países distribuídos por quatro continentes.
As pesquisas incluíram países da Europa - Reino Unido, Alemanha, Espanha, Áustria, Irlanda, Dinamarca, Noruega e Finlândia; da América do Norte - Estados Unidos e Canadá; da América do Sul - Brasil; e da Ásia - Japão, China, Coreia do Sul e Turquia. Durante a pandemia, os pesquisadores estimaram que 28,6% das pessoas idosas analisadas relataram solidão e 31,2% apresentavam isolamento social.
Os próprios autores ressaltaram que as restrições de contato e distanciamento social impostas naquele período contribuíram para elevar esses índices.
Solidão e isolamento social, contudo, não são a mesma coisa. Solidão refere-se à percepção subjetiva de falta de companhia ou conexão satisfatória, enquanto isolamento social está mais relacionado à escassez de contatos, vínculos ou interações sociais.
Uma pessoa pode, portanto, ter poucos contatos sociais sem necessariamente sentir solidão, assim como pode sentir-se solitária mesmo convivendo com outras pessoas.
Envelhecer de maneira saudável, portanto, envolve muito mais do que medicamentos e consultas médicas. Alimentação, movimento, sono, prevenção, acompanhamento da saúde e manutenção dos vínculos familiares, afetivos e sociais compõem um conjunto de fatores que pode influenciar a maneira como envelhecemos.
Vídeo complementar5 — Dia Internacional das Pessoas Idosas: October 1st: International Day of Older Persons | Daily Dose of Days, publicado por Daily Dose of Days. O vídeo homenageia as pessoas idosas e aborda sua contribuição para a sociedade, além de questões como cuidados e inclusão social.
Japão ultrapassa os 100 mil centenários
Talvez nenhum exemplo atual represente tão claramente a era da longevidade quanto o Japão.
Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar japonês anunciou um marco histórico: pela primeira vez, o Japão ultrapassou 100 mil pessoas com 100 anos ou mais.
São 107.677 centenários.
A comparação histórica torna o número ainda mais expressivo. Em 1963, quando o governo japonês começou a registrar e homenagear sistematicamente seus cidadãos centenários, eram apenas 153.
O total ultrapassou mil em 1981, 10 mil em 1998 e 50 mil em 2012. Agora superou 100 mil.
Entre os 107.677 centenários registrados em 2026, 94.298 são mulheres e 13.379 são homens. As mulheres representam aproximadamente 87,6% desse grupo.
O fenômeno não significa apenas que algumas pessoas excepcionalmente longevas chegaram a idades extremas. Ele ocorre em um país que há décadas figura entre aqueles com maior expectativa de vida do planeta.
O que explica o Japão centenário?
A primeira resposta importante talvez seja justamente esta: não existe um único segredo japonês da longevidade.
E há um dado histórico particularmente revelador. O Japão nem sempre ocupou posição de destaque mundial nesse indicador. Na década de 1960, apresentava a menor expectativa de vida entre os países que atualmente compõem o G7.
O país enfrentava, entre outros problemas, elevada mortalidade por doenças cerebrovasculares, especialmente acidentes vasculares cerebrais, além de altas taxas de câncer de estômago.
Nas décadas seguintes, essa realidade mudou profundamente.
O desenvolvimento econômico elevou as condições gerais de vida. A cobertura universal de saúde, implantada em 1961, ampliou o acesso da população aos serviços médicos. Campanhas de saúde pública, acompanhamento médico e crescente utilização de tecnologias diagnósticas e terapêuticas contribuíram para reduzir diferentes causas de mortalidade.
A alimentação também parece fazer parte dessa história.
O padrão alimentar japonês tradicionalmente inclui peixes, vegetais, soja e outros alimentos de origem vegetal. Ao longo das décadas, houve também mudanças importantes, incluindo maior diversidade alimentar e redução do consumo excessivo de sal, fator relacionado à hipertensão e ao risco de acidente vascular cerebral.
A baixa prevalência de obesidade, historicamente observada no Japão em comparação com diversos outros países desenvolvidos, também é apontada como um dos fatores associados à elevada longevidade da população japonesa.
Mas nenhum desses fatores explica sozinho os mais de 100 mil centenários.
O Japão parece representar, sobretudo, o resultado acumulado de melhores condições materiais, saneamento, educação, alimentação, prevenção, assistência médica acessível, avanços tecnológicos e mudanças de comportamento ocorridas ao longo de várias décadas.
Também é necessária cautela diante de explicações populares que atribuem a longevidade japonesa a um alimento específico, a uma prática isolada ou a algum suposto “segredo” cultural. A longevidade extrema é um fenômeno complexo, e associações observadas em populações longevas não significam que determinado hábito seja capaz de garantir que uma pessoa chegará aos 100 anos.
Vídeo complementar5 — Okinawa e a longevidade: The Secrets To a Long Life – Okinawa, Japan, publicado pelo canal Science for everyone no YouTube.
De 29 para mais de 73 anos
Em pouco mais de dois séculos, a humanidade passou de uma realidade em que a expectativa média de vida mundial ficava abaixo dos 30 anos para outra em que supera os 73.
Não foi o organismo humano que se transformou subitamente.
Transformaram-se profundamente as condições em que nascemos, crescemos, nos alimentamos, trabalhamos, prevenimos doenças, recebemos diagnósticos, somos tratados e envelhecemos.
Água tratada, saneamento, alimentação, vacinação, antibióticos, medicamentos, exames laboratoriais, diagnóstico por imagem, cirurgia, prevenção e sucessivos avanços científicos e tecnológicos ajudaram a evitar milhões de mortes precoces.
Os 107.677 japoneses que chegaram ou ultrapassaram os 100 anos representam uma imagem especialmente expressiva dessa transformação. Em 1963, eram apenas 153.
A conquista da longevidade, porém, traz consigo um novo desafio. Depois de acrescentar décadas à duração média da existência humana, é preciso buscar maneiras de fazer com que uma parcela cada vez maior desses anos seja vivida com saúde, autonomia, relações sociais e qualidade de vida.
Mais do que perguntar qual é o segredo para chegar aos 100 anos, talvez a questão mais importante seja outra:
Como transformar uma vida mais longa em uma vida também mais saudável?
É justamente essa reflexão que ganha significado no Dia Internacional das Pessoas Idosas de 2026, quando o mundo se volta para uma realidade que há poucos séculos pareceria extraordinária: estamos entrando, de fato, na era da longevidade.
Por Luiz Cincurá
Fundador e Editor
Transparência editorial: O Editor definiu o tema deste artigo, orientou seu desenvolvimento e revisou o texto ao longo do processo, até a aprovação final. Contou com o auxílio do ChatGPT na pesquisa, na elaboração de propostas de texto e na criação da ilustração do artigo. Como autor, assume a responsabilidade pelo conteúdo publicado.
Notas:
¹ Levante: região histórica do Mediterrâneo Oriental que compreende, de forma aproximada, áreas hoje correspondentes a Israel, Palestina, Líbano, Jordânia e partes da Síria.
² c.: abreviação do latim circa, que significa “cerca de” ou “aproximadamente”, utilizada para indicar que uma data histórica não é conhecida com exatidão.
3 Alimentos ultraprocessados: produtos formulados industrialmente, em geral com muitos ingredientes e aditivos, como conservantes, corantes, aromatizantes, emulsificantes e realçadores de sabor. Parte desses componentes e dos processos industriais também tem a função de aumentar a durabilidade, preservar características do produto e retardar sua deterioração, permitindo prazos de validade de vários meses ou, em alguns casos, superiores a um ano. Entre os exemplos estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, cereais matinais açucarados, macarrão instantâneo, nuggets, salsichas, hambúrgueres industrializados, sobremesas prontas, bebidas lácteas adoçadas, barras de cereal, sopas instantâneas, pizzas congeladas e diversos produtos prontos ou semiprontos para consumo.
4 Atividade física vigorosa: exercício que exige esforço intenso, acelera bastante a respiração e os batimentos cardíacos e torna difícil manter uma conversa contínua durante a prática. Exemplos incluem corrida, subir ladeiras em ritmo acelerado, pedalar em alta intensidade, nadar em ritmo forte e praticar esportes competitivos, dependendo da condição física da pessoa.
5 Para apresentação de legendas em sua língua nativa nos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa.
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Como citar esta publicação:
ANDRADE, Luiz Inácio Caribé Cincurá de. Longevidade e qualidade de vida. High-Tech Society, 1 out. 2026. Disponível em: https://www.high-techsociety.com/post/longevidade-e-qualidade-de-vida.




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