Por que o tênis liderou um estudo científico sobre expectativa de vida?
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Atualizado: há 21 horas
Um estudo científico identificou que o tênis apresentou a maior associação estatística com o ganho estimado de expectativa de vida entre as modalidades esportivas analisadas. No entanto, essa associação deve ser interpretada à luz dos limites metodológicos ressaltados pelos próprios pesquisadores.
Entre os diversos benefícios tradicionalmente atribuídos à prática regular de atividades físicas, poucos resultados despertaram tanta curiosidade quanto os apresentados no estudo Various Leisure-Time Physical Activities Associated With Widely Divergent Life Expectancies: The Copenhagen City Heart Study, (Diversas atividades físicas de lazer associadas a expectativas de vida amplamente distintas: o Estudo do Coração da Cidade de Copenhague), publicado em 2018 na revista Mayo Clinic Proceedings e conduzido por Peter Schnohr e sua equipe de pesquisadores.
Trata-se de um estudo populacional prospectivo baseado em questionários detalhados sobre a participação em diferentes modalidades esportivas e atividades físicas de lazer. A pesquisa utilizou dados de 8.577 participantes do Copenhagen City Heart Study, uma pesquisa epidemiológica de longa duração realizada na Dinamarca. Na análise publicada em 2018, esses participantes foram acompanhados por até 25 anos.
Os pesquisadores avaliaram a associação entre a prática esportiva e a mortalidade por todas as causas utilizando dados coletados durante os exames realizados no Copenhagen City Heart Study entre 10 de outubro de 1991 e 16 de setembro de 1994. A mortalidade desses participantes foi então acompanhada até 22 de março de 2017.
A análise revelou um resultado que surpreendeu os próprios pesquisadores: entre as modalidades esportivas avaliadas, o tênis apresentou a maior associação estatística com o maior aumento estimado de expectativa de vida.
O tênis apareceu na primeira posição
Ao comparar praticantes de diferentes modalidades esportivas com pessoas sedentárias, os pesquisadores encontraram a seguinte associação entre cada esporte e o aumento estimado da expectativa de vida:
Modalidade | Ganho estimado de expectativa de vida* |
Tênis | 9,7 anos |
Badminton | 6,2 anos |
Futebol | 4,7 anos |
Ciclismo | 3,7 anos |
Natação | 3,4 anos |
Corrida | 3,2 anos |
Ginástica | 3,1 anos |
Academia | 1,5 ano |
*Estimativas obtidas em comparação com pessoas sedentárias.
O resultado chamou a atenção, pelo fato do tênis ter superado modalidades tradicionalmente associadas ao condicionamento cardiovascular, como corrida, ciclismo e natação.
Apesar dos resultados chamativos, os próprios autores fizeram uma ressalva fundamental. A pesquisa foi um estudo observacional, no qual os pesquisadores acompanharam os participantes ao longo do tempo e analisaram a associação entre seus hábitos de vida e a mortalidade por todas as causas.
Embora a pesquisa tenha utilizado informações obtidas em exames clínicos e em questionários do Copenhagen City Heart Study, a modalidade esportiva foi identificada por autorrelato, acompanhando a associação entre a prática de atividades físicas no tempo livre (lazer) e a mortalidade por todas as causas. Por isso, seus resultados indicam associações estatísticas, mas não permitem concluir que a prática do tênis seja, por si só, a causa do maior tempo de vida observado.
Mas o que poderia explicar esse resultado? Embora o estudo não permita estabelecer uma relação de causalidade, os pesquisadores apresentaram possíveis explicações para a associação observada.
A comparação com o grupo de sedentários serviu como referência para estimar a expectativa de vida associada às diferentes modalidades esportivas. O principal achado do estudo foi que essa associação variou de forma significativa entre os esportes analisados. Entre eles, o tênis apresentou a maior associação estatística com o aumento estimado da expectativa de vida. Entretanto, esse resultado deve ser interpretado com cautela, pois outros fatores, como alimentação, condições socioeconômicas, acesso aos serviços de saúde, nível educacional, hábitos de vida e características individuais, também podem ter influenciado essa associação.
Essa distinção entre associação estatística e causalidade é um dos fundamentos da metodologia científica, especialmente na interpretação de estudos observacionais, e deve ser considerada sempre que seus resultados são divulgados ao público.
Por que justamente o tênis?
Os próprios pesquisadores procuraram compreender esse resultado, mas deixaram claro que o estudo não foi desenvolvido para identificar suas causas.
Uma das hipóteses apresentadas é que determinadas modalidades esportivas combinam os benefícios da atividade física com intensa interação social.
Entre aquelas que apresentaram os maiores ganhos estimados de expectativa de vida encontram-se justamente esportes praticados com parceiros ou equipes, como tênis, badminton e futebol.
Segundo os autores, a convivência frequente, a construção de relações sociais e o fortalecimento dos vínculos interpessoais podem representar benefícios adicionais à saúde, além daqueles proporcionados pelo exercício físico.
Uma nova pesquisa que utilizou dados da pesquisa de 2018
O estudo de 2018 não encerrou essa linha de investigação. Em 2021, parte da mesma equipe de pesquisadores publicou um novo trabalho utilizando novamente dados do Copenhagen City Heart Study.
Desta vez, o objetivo foi investigar como a duração semanal da prática de diferentes modalidades esportivas se associava à mortalidade por todas as causas, buscando compreender se existia uma quantidade de exercício relacionada aos menores riscos observados.
Os pesquisadores observaram que a relação entre tempo de prática e mortalidade não era linear. Em diversas modalidades, tanto a prática insuficiente quanto o excesso de treinamento estiveram associados a resultados menos favoráveis, sugerindo que existe uma faixa intermediária de prática potencialmente mais benéfica.
Esse segundo estudo pode ser visto como uma evolução natural da linha de pesquisa iniciada anteriormente. O primeiro perguntou, em essência, "qual esporte está associado à maior expectativa de vida?", o segundo avançou para "como a duração semanal da prática dessas modalidades se associa à mortalidade?
O que esses estudos realmente nos ensinam?
Talvez a principal contribuição dessas pesquisas não seja estabelecer um "ranking definitivo" entre os esportes.
Os resultados reforçam que a prática regular de atividade física está associada a melhores indicadores de saúde e expectativa de vida, ao mesmo tempo em que sugerem que fatores sociais podem desempenhar um papel importante nesse processo.
O tênis apresentou a maior associação estatística com o aumento estimado da expectativa de vida entre as modalidades avaliadas. No entanto, o desenho observacional da pesquisa não permite determinar quanto dessa associação pode ser atribuída à prática do tênis e quanto pode resultar de outros fatores.
Na ciência, descobertas relevantes costumam abrir novas perguntas. E foi exatamente isso que ocorreu: em vez de encerrar o debate, os resultados estimularam novas investigações sobre como exercício físico, interação social e estilo de vida podem atuar conjuntamente na promoção da saúde.
Em 2024, seis anos após o estudo dinamarquês, uma nova pesquisa internacional intitulada Sport and Longevity: An Observational Study of International Athletes (Esporte e longevidade: um estudo observacional com atletas internacionais) ampliou significativamente o universo analisado, reunindo dados de 95.210 ex-atletas de 183 países e 44 modalidades esportivas.

Os resultados voltaram a indicar uma associação positiva entre os esportes de raquete — como tênis e badminton — e maior tempo de vida. Diferentemente da pesquisa publicada em 2018, porém, o tênis não ocupou a primeira posição entre as modalidades avaliadas, embora tenha permanecido entre aquelas associadas aos resultados mais favoráveis.
O tênis e o badminton apresentaram uma associação consistente e positiva tanto em atletas masculinos quanto femininos, como evidenciado por uma longevidade de até 5,7 anos em homens e 2,8 anos em mulheres. Esse achado reforça que essa linha de investigação continua em evolução e ainda demanda novos estudos para esclarecer os fatores responsáveis pelas diferenças observadas entre as modalidades esportivas.
Embora o estudo de 2024 não tenha produzido evidências conclusivas sobre as causas dessa associação, os autores formularam uma hipótese para explicar os resultados. Segundo eles, modalidades que combinam características aeróbicas e anaeróbicas — os chamados "esportes mistos" — poderiam proporcionar maiores benefícios ao longo da vida.
De acordo com essa hipótese, os esportes mistos exigem, de forma equilibrada, resistência cardiovascular, explosão muscular, potência, velocidade, mudanças frequentes de intensidade e elevado grau de coordenação motora.
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O tênis é um exemplo clássico desse tipo de atividade. Durante uma partida, o atleta alterna deslocamentos rápidos, acelerações e desacelerações, períodos curtos de esforço intenso, breves intervalos de recuperação e manutenção da atividade física por longos períodos.
Essa combinação recruta diferentes sistemas fisiológicos de forma integrada, diferentemente de modalidades predominantemente aeróbicas, como a corrida de longa distância, ou predominantemente anaeróbicas, como o levantamento de peso.
Embora as evidências atualmente disponíveis apontem para uma associação entre determinadas modalidades esportivas e maior expectativa de vida, a ciência ainda busca compreender quais fatores realmente explicam esse fenômeno.
O resultado observado para o tênis despertou interesse internacional e contribuiu para ampliar o debate científico e a divulgação jornalística sobre a relação entre prática esportiva, saúde e expectativa de vida.
Novos estudos serão fundamentais para confirmar, refinar ou mesmo revisar as hipóteses atualmente propostas, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre como diferentes práticas esportivas podem favorecer uma vida mais longa e saudável.
Por Luiz Cincurá
Fundador e Editor
Transparência editorial: Este artigo foi produzido com o apoio do ChatGPT nas etapas de pesquisa e organização preliminar do conteúdo. A definição da abordagem editorial, a análise crítica, a revisão técnica e a redação final foram realizadas pelo Editor, responsável final pelo conteúdo publicado.
Fontes:
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SCHNOHR, Peter; O'KEEFE, James H.; HOLTERMANN, Andreas, LAVIE, Carl; LANGE, Peter; JENSEN, Gorm Boje e MAROTT, Jacob Louis. Various Leisure-Time Physical Activities Associated With Widely Divergent Life Expectancies: The Copenhagen City Heart Study. Mayo Clinic Proceedings, v. 93, n. 12, p. 1775–1785, 2018. DOI: 10.1016/j.mayocp.2018.06.025.
SCHNOHR P, O'KEEFE JH, LAVIE CJ, HOLTERMANN A, LANGE P, JENSEN GB, MAROTT JL. U-Shaped Association Between Duration of Sports Activities and Mortality: Copenhagen City Heart Study. Mayo Clin Proc. 2021 Dec;96(12):3012-3020. doi: 10.1016/j.mayocp.2021.05.028. Epub 2021 Aug 17. PMID: 34412854.
SCHNOHR P; O'KEEFE JH; MAROTT JL; LANGE P; Jensen GB. Dose of jogging and long-term mortality: the Copenhagen City Heart Study. J Am Coll Cardiol. 2015 Feb 10;65(5):411-9. doi: 10.1016/j.jacc.2014.11.023. PMID: 25660917.



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