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- A trajetória tecnológica da máquina de lavar
Da engenhosidade mecânica do século XVIII à automação inteligente do século XXI High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá A máquina de lavar roupas é um dos eletrodomésticos que mais impactou positivamente a vida moderna. Sua história foi construída por quase 260 anos de engenharia, segurança e inovação. Mais do que um equipamento doméstico, ela representa a capacidade humana de automatizar tarefas repetitivas e reduzir riscos, liberando tempo e energia para atividades mais significativas. A motivação original: reduzir esforço e evitar acidentes Lavar roupas era uma das tarefas mais pesadas do cotidiano. Envolvia aquecer grandes quantidades de água, esfregar tecidos manualmente e torcer peças encharcadas; um processo que podia consumir um dia inteiro. Além do esforço físico, havia riscos reais: queimaduras, lesões musculares e acidentes com rolos de torcer roupa, que podiam prender dedos e mãos. A motivação dos primeiros inventores foi, portanto, mecânica e de segurança: criar um equipamento que reduzisse o esforço humano e diminuísse acidentes. As primeiras ideias: quando a engenharia encontrou a necessidade (1767–1833) Máquina de lavar de Jacob Christian Schäffer (1767) A mecanização da lavagem de roupas começou muito antes da eletricidade. Em 1767, o alemão Jacob Christian Schäffer apresentou um dos primeiros projetos documentados de uma máquina de lavar. Construída em madeira e equipada com pás internas, sua invenção buscava reduzir o esforço físico exigido pela lavagem manual. Era simples, mas introduzia um conceito fundamental: a roupa poderia ser movimentada por um mecanismo, não apenas pelas mãos. Máquina de lavar de Henry Sidgier (1782) Poucos anos depois, em 1782, o inglês Henry Sidgier deu um passo decisivo ao patentear uma máquina com tambor rotativo. Esse movimento cilíndrico contínuo, ainda manual, antecipava o princípio central das máquinas modernas. Pela primeira vez, a lavagem deixava de depender exclusivamente da fricção e passava a explorar o potencial do movimento rotacional. Em 1833, a norte‑americana National Washboard Co. apresentou equipamentos que integravam tábuas de esfregar ao conjunto. Embora ainda distantes da automação, essas máquinas tornaram o processo mais eficiente e padronizado, aproximando a tecnologia do uso doméstico. A era das patentes mecânicas: o nascimento do protótipo moderno (1851–1874) A partir da metade do século XIX, a evolução da máquina de lavar ganhou ritmo. Em 1851, o norte‑americano James King registrou a primeira máquina com tambor metálico rotativo acionado por manivela. Seu projeto é frequentemente considerado o primeiro protótipo moderno, pois estabeleceu a estrutura básica que seria aperfeiçoada nas décadas seguintes. Em 1858, Hamilton Smith introduziu um sistema de agitação mecânica interna, que movimentava a roupa dentro do tambor. Esse mecanismo é o precursor direto dos agitadores presentes em muitas máquinas top‑load atuais e representou um avanço significativo na eficiência da lavagem. Máquina de lavar de William Blackstone (1874) Já em 1874, William Blackstone construiu uma máquina de lavar como presente de aniversário para sua esposa. A Blackstone Washer (1874), produzida nos Estados Unidos, foi uma das primeiras máquinas de lavar comercializadas para uso doméstico. Ela foi construída em madeira, com pás internas acionadas por manivela, e incluía o espremedor de rolos. Seu modelo, ainda manual, tornou‑se o primeiro equipamento realmente prático para uso doméstico. A partir dele, surgiram versões comerciais que começaram a se espalhar entre famílias que buscavam reduzir o esforço físico da lavagem. A chegada da eletricidade: o salto que mudou tudo (1908–1937) Máquina de lavar Thor, de Alva J. Fischer (1908) O início do século XX marcou a transição definitiva da máquina de lavar para o universo dos eletrodomésticos. Em 1908, Alva J. Fisher desenvolveu a Thor, considerada a primeira máquina de lavar elétrica produzida em escala industrial. Fabricada pela Hurley Machine Company, a Thor introduziu um motor elétrico acoplado a um tambor metálico, automatizando a agitação e inaugurando uma nova era. Bendix Home Laundry (1937): primeira máquina de lavar totalmente automática O passo seguinte foi a automação completa. Em 1937, a Bendix Home Laundry lançou a primeira máquina de lavar totalmente automática, capaz de lavar, enxaguar, centrifugar e desligar sozinha. Esse modelo estabeleceu o conceito de operação contínua e independente — um marco que moldaria o padrão das décadas seguintes. Popularização, segurança e eficiência: a máquina de lavar entra nos lares (1940–1970) Após a Segunda Guerra Mundial, a eletrificação urbana e a produção industrial em massa tornaram as máquinas de lavar mais acessíveis. Motores isolados, tambores fechados, travas de segurança e sistemas de centrifugação substituíram os antigos rolos de torcer roupa, reduzindo acidentes e melhorando o desempenho. A partir dos anos 1950, a máquina de lavar consolidou-se como símbolo de modernidade. A combinação de eficiência, segurança e praticidade transformou a rotina doméstica e liberou tempo para outras atividades — um impacto social profundo e duradouro. A evolução da máquina de lavar roupas: dos fatos históricos à visão futurística A era digital: sensores, automação e inteligência artificial (1980–2026) A partir dos anos 1980, a máquina de lavar entrou definitivamente no universo da eletrônica. Os primeiros controles digitais substituíram botões puramente mecânicos e permitiram ciclos mais precisos, tempos programáveis e maior segurança operacional. Nas décadas seguintes, a evolução se acelerou com a chegada dos motores inverter, que trouxeram silêncio, eficiência energética e maior durabilidade, além de movimentos mais suaves e controlados dentro do tambor. Em paralelo, surgiram sensores de carga e de nível de sujeira, capazes de ajustar automaticamente a quantidade de água, o tempo de lavagem e a intensidade da agitação, reduzindo desperdícios e otimizando o desempenho. A tecnologia avançou ainda mais com a introdução da dosagem automática de sabão, que calcula a quantidade ideal de detergente para cada ciclo, e com a lavagem a vapor, que melhora a higienização e reduz amassados. Os ciclos antialérgicos, voltados para roupas delicadas e tecidos sensíveis, ampliaram o uso do equipamento para diferentes perfis de família. A conectividade Wi‑Fi transformou a máquina em um dispositivo integrado ao ambiente doméstico digital, permitindo monitoramento remoto, diagnósticos automáticos e atualizações de software. Nos modelos mais recentes, a inteligência artificial passou a desempenhar um papel central. Algoritmos analisam o tipo de tecido, o peso da carga, o nível de sujeira e até o padrão de uso do consumidor, ajustando automaticamente cada etapa do processo. A integração entre lavadora e secadora, antes restrita a ambientes industriais, tornou‑se comum em residências, oferecendo ciclos combinados que lavam e secam sem intervenção humana. O resultado é um equipamento mais eficiente, econômico e adaptável, que continua evoluindo em direção a maior autonomia, sustentabilidade e precisão. Ao olhar para essa trajetória de inovações por quase 260 anos, fica evidente que a máquina de lavar roupas se tornou um símbolo de como a tecnologia é capaz de transformar profundamente a vida cotidiana. Da engenhosidade dos antigos mecanismos de madeira e manivela aos modernos sistemas guiados por inteligência artificial, cada avanço ampliou a eficiência, reduziu o esforço físico e devolveu às famílias algo precioso: tempo e energia para dedicar a outras atividades. A máquina de lavar contemporânea, equipada com sensores inteligentes, motores precisos e ciclos automatizados, representa não apenas uma solução para a limpeza de roupas, mas uma tecnologia que redefiniu, com impacto silencioso e duradouro, o próprio ritmo do lar. Por Luiz Cincurá Fundador e Editor High-TechSociety.com Este artigo foi produzido com apoio do Microsoft Copilot na etapa de pesquisa e organização preliminar. A edição final foi revisada e ampliada pelo Editor, responsável final pelo conteúdo publicado. Nota técnica Algumas publicações na internet mencionam datas muito anteriores ao século XVIII como suposta origem das máquinas de lavar roupas. Há inclusive referência a uma patente de 1691, como sendo a primeira máquina de lavar. O referido documento a descreve como um dispositivo para torcer, espremer e auxiliar a lavagem, provavelmente um mecanismo de torção ou drenagem, mas não uma máquina com agitação, pás, tambor ou qualquer forma de mecanização da lavagem. Ou seja, é uma patente relacionada ao ato de lavar, mas não é uma máquina de lavar. Essas referências se baseiam em interpretações imprecisas de utensílios manuais de lavagem - como tábuas, pilões ou rolos de torção - que não possuem mecanismos internos e, portanto, não podem ser classificados como máquinas. A historiografia técnica reconhece como primeiras máquinas de lavar apenas os dispositivos mecanizados documentados a partir de 1767, quando surgem os primeiros projetos com agitação ou rotação controlada. Antes disso, não há registros confiáveis de equipamentos que realizassem qualquer forma de lavagem mecanizada. Fontes: Arquivo de Patentes do Reino Unido. Documentação sobre a patente de Henry Sidgier (1782). Acesso em 10.mai.2026. Encyclopædia Britannica – Washing Machine. Síntese histórica sobre a evolução técnica das máquinas de lavar. Acesso em 10.mai.2026. Library of Congress – Historic American Engineering Record. Registros fotográficos e técnicos de máquinas de lavar manuais e elétricas dos séculos XIX e XX. Acesso em 10.mai.2026. Museu Alemão de Tecnologia. Deutsches Technikmuseum — Registros históricos sobre os primeiros dispositivos mecanizados de lavagem. Acesso em 10.mai.2026. Smithsonian Institution – National Museum of American History. Acervo sobre máquinas de lavar do século XIX. Acesso em 10.mai.2026. Wikipedia – Washing Machine. Acesso em 10.mai.2026.
- Sphere: emoção à flor da pele
Uma poderosa experiência do sentir High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Na expectativa de viver algo verdadeiramente extraordinário - ao me aproximar da entrada da Sphere - naquela noite inaugural de 29 de setembro de 2023, percebi que me aguardava uma experiência que ultrapassaria qualquer noção convencional de espetáculo. A cada passo, a estrutura colossal parecia pulsar, como se respirasse. A fachada iluminada, que muitos descrevem como “um planeta vivo”, já dava sinais de que ali dentro a realidade seria outra.¹ Quando finalmente atravessei o hall e subi pelas longas escadas rolantes, senti que estava deixando Las Vegas para trás. Era como entrar em um portal.² Já na área interna da arena imersiva, a primeira sensação foi de desorientação, no melhor sentido possível. A tela envolvente, maior do que qualquer coisa que eu já tinha visto, preenchia todo o meu campo de visão. Não era apenas uma tela: era um horizonte, um céu, um universo inteiro que se abria diante de mim. O público, ao meu redor, parecia igualmente atônito. Alguns riam, outros choravam, muitos apenas olhavam em silêncio absoluto, como quem testemunha algo que não sabe explicar.³ Quando as primeiras imagens surgiram, um nascer do sol tão real que parecia aquecer a pele - ouvi pessoas murmurarem “meu Deus”, “isso é impossível”, “eu nunca vi nada assim”. E não era exagero. A sensação era de estar dentro da imagem, não diante dela, e, a cada transição, o espaço se transformava completamente.⁴ E para tornar a experiência ainda mais sensacional, a consagrada banda U2 chegou ao palco. A voz de Bono parecia vir de todos os lados, amplificada por milhares de pequenos alto‑falantes distribuídos pela arena. Sem eco, sem distorção; apenas pura, limpa, precisa, mesmo diante de quase 20 mil pessoas.⁵ U2 on Vevo. U2 performing Even Better Than The Real Thing. (U2:UV Achtung Baby, Live At Sphere) Havia momentos em que eu não sabia para onde olhar. Era um bombardeio sensorial: luz, som, movimento, mas tudo perfeitamente orquestrado. Em determinado instante, quando a tela se transformou em um céu estrelado que girava lentamente, ouvi uma mulher atrás de mim dizer: “Eu sinto que estou flutuando”. E eu também senti.⁶ Para você, leitor, entender o que sustenta o impacto dessas sensações, é preciso ir além do deslumbramento inicial relatado pelo público e conhecer a proposta inovadora da Sphere: uma combinação singular de arquitetura e tecnologia, aplicada ao entretenimento para grandes públicos. Arquitetura e tecnologia de Sphere Sphere, situada em Las Vegas, Nevada, Estados Unidos, é uma arena imersiva de uso múltiplo, de altíssima tecnologia, projetada para transformar a forma como o público vivencia entretenimento ao vivo. A obra foi iniciada em março de 2018, ocorrendo uma interrupção durante a pandemia (2020) e a abertura oficial foi realizada em 29 de setembro de 2023. Sphere é o local de entretenimento mais caro já construído em Las Vegas, cujo custo final de construção atingiu US$ 2,3 bilhões. O formato esférico da obra exigiu técnicas inovadoras de construção, incluindo guindastes especializados transportados da Bélgica. O projeto foi financiado principalmente pela Madison Square Garden Entertainment, liderada pelo bilionário CEO James Dolan. Fonte: CLADnews Com 157 metros de diâmetro e 112 metros de altura, Sphere é a maior estrutura esférica do mundo. Há um revestimento externo para toda superfície da esfera, uma impressionante tela LED externa de 54.000 m², que é conhecida como Exosfera, que apresenta imagens dinâmicas impressionantes, um verdadeiro marco visual da cidade de Las Vegas. O interior da Sphere combina efeitos visuais, físicos e sonoros que não existem em casas tradicionais de espetáculos. Há 17.600 assentos, chegando a 20.000 de capacidade total de público, quando se inclui a área de piso em pé. Sphere abriga a maior tela LED em ambiente fechado do mundo, com cerca de 14.800 m² de área de exibição curva, capaz de ocupar praticamente todo o campo visual do espectador com resolução de 16K. Big Sky As incríveis imagens apresentadas na gigante tela LED são produzidas por meio da Big Sky, uma câmera cinematográfica de ultra‑alta resolução criada exclusivamente para capturar conteúdo destinado à gigantesca tela 16K da Sphere. Ela representa uma inovação tão grande quanto a própria arena: substituiu onze câmeras tradicionais, simplificando um processo que antes era extremamente complexo. A Big Sky captura imagens em 18K com nitidez uniforme graças a um sensor único de 316 megapixels e a uma lente fisheye customizada. A diferença entre gerar imagens em 18K e reproduzi‑las em 16K x 16K na imensa tela curva de reprodução de imagens da Sphere, deve‑se aos processos de correção de distorção, estabilização, mapeamento esférico e recorte. Como o conteúdo precisa ser ajustado para uma superfície imersiva e curva, capturar em resolução superior garante que a projeção final preserve definição e precisão visual em toda a área exibida. Sem essa tecnologia, a experiência imersiva da Sphere, com sua dinâmica atual de produções e apresentações, simplesmente não seria possível. Big Sky. Fonte: AV Magazine Segundo a Sphere Studios, trata‑se do sistema de câmera mais avançado do mundo, criado por “necessidade inovadora”. Não existia nada no mercado capaz de gerar imagens com a nitidez, amplitude e consistência necessárias para preencher uma tela curva de 160.000 pés (aproximadamente 14.800 m²). Sistema de áudio Holoplot A imensa tela LED do interior de Sphere foi integrada, harmonicamente, ao sistema de áudio Holoplot - composto por dezenas de milhares de alto‑falantes direcionais posicionados próximos ao público - que produz um som tão preciso que gera a sensação de estar usando fones de ouvido, mesmo em meio a quase 20 mil pessoas. Efeitos físicos sincronizados (4D) Sphere combina assentos sensoriais, vibrações de baixa frequência7, jatos de vento, variações sutis de temperatura, névoa e até aromas sincronizados para transformar cada apresentação em uma experiência física, não apenas visual. Os assentos sensoriais fazem o público sentir impactos, deslocamentos e a pulsação da música diretamente no corpo, enquanto rajadas de ar e mudanças térmicas reforçam cenas de voo, tempestades, ambientes gelados ou desérticos. Neblina e partículas projetadas no ar criam profundidade e ajudam a “dissolver” a fronteira entre a arena e a imagem, enquanto aromas temáticos completam a sensação de presença no ambiente exibido. Fonte: Spotlight Vegas Um novo marco no entretenimento A arquitetura e a tecnologia da Sphere permitem usos variados: concertos, filmes imersivos, eventos corporativos, e‑sports, transmissões especiais e experiências sensoriais criadas exclusivamente para o local. O que diferencia a Sphere de arenas convencionais é a integração entre escala monumental, arquitetura esférica e tecnologia imersiva. Enquanto casas tradicionais oferecem palco frontal e telões auxiliares, a Sphere transforma o ambiente à frente e acima da plateia em um espaço narrativo contínuo, onde imagem, som e efeitos físicos atuam de forma coordenada. Por isso, a mídia norte‑americana descreve a Sphere como um novo marco do entretenimento, que inaugurou uma categoria própria de experiências ao vivo, pois, até o momento, não existe outra arena no mundo com esse conjunto específico de características, o que permite considerá‑la única no cenário global. Atualizações mais recentes de Sphere (2025-2026) Desde sua inauguração em 2023, a Sphere evoluiu rapidamente de um marco arquitetônico para um ecossistema global de entretenimento imersivo, e as atualizações mais recentes - entre 2025 e 2026 - mostram que ela entrou em uma nova fase de maturidade tecnológica, criativa e comercial. O Mágico de Oz - Apresentado por Sphere Commercial (2025). Fonte: Judy Garland Archive A programação atual é liderada por O Mágico de OZ no Sphere (The Wizard of Oz at Sphere), uma produção imersiva criada pela Sphere Studios™ que reinterpreta o clássico de 1939 em um formato cinematográfico de altíssima resolução, projetado especialmente para a tela curva interna de 15.000 m². O espetáculo utiliza a resolução 16K, efeitos atmosféricos, áudio Holoplot e elementos sensoriais sincronizados, transformando a arena principal em um ambiente narrativo envolvente. O público predominante é familiar e multigeracional - crianças, jovens e adultos - o que ampliou significativamente o alcance da Sphere para além dos shows de música. Até 19 de janeiro de 2026, a produção ultrapassou 2 milhões de ingressos vendidos, consolidando-se como o conteúdo proprietário de maior sucesso da arena. A exosfera, por sua vez, tornou-se um meio de comunicação global. Em janeiro de 2026, a Sphere realizou uma das ativações mais comentadas do ano ao transformá-la em uma Death Star de LEGO Star Wars, uma gigantesca peça publicitária e narrativa que marcou o lançamento da plataforma LEGO® SMART Play™. A ação confirmou a exosfera como um espaço de storytelling visual para marcas internacionais, capaz de gerar impacto mundial em segundos. Outras empresas também passaram a utilizar a superfície externa como vitrine: a Delta Air Lines, agora companhia aérea oficial da Sphere, e a Anheuser‑Busch, que ampliou seu contrato de patrocínio em 2026, realizam campanhas recorrentes na exosfera, reforçando o caráter premium do espaço publicitário. No campo institucional, a Sphere Entertainment anunciou em 2026 o primeiro passo concreto de sua expansão: uma nova Sphere será construída em National Harbor, Maryland, Estados Unidos, marcando a internacionalização do conceito. O site oficial também mantém ativo o projeto Sphere Abu Dhabi, Emirados Árabes, indicando que o modelo de arena imersiva está se tornando uma plataforma global. Operacionalmente, Sphere ajustou seu modelo de negócios para combinar experiências proprietárias de longa duração — como O Mágico de OZ na Sphere (The Wizard of Oz at Sphere) com residências musicais e eventos especiais, garantindo previsibilidade de receita e maior eficiência logística. A arena também ampliou seus pacotes VIP, experiências premium e serviços corporativos, acompanhando o aumento do fluxo de visitantes e a demanda por produtos exclusivos. Essas atualizações mostram que a Sphere não é apenas uma obra monumental de engenharia e tecnologia, mas um laboratório vivo de entretenimento, em constante evolução. Em 2026, ela já opera como uma plataforma híbrida: parte cinema imersivo, parte palco de espetáculos, parte mídia global e parte centro de inovação narrativa. Um modelo que redefine o espetáculo ao vivo e aponta para o futuro da experiência coletiva. Depois de compreender a dimensão tecnológica que sustenta a Sphere, suas telas monumentais, seus efeitos sensoriais e a engenharia que redefine o espetáculo ao vivo, é valioso revisitar a experiência humana e o impacto emocional que tudo isso provoca. U2 - Beautiful Day (Thank You, Las Vegas) - U2:UV Achtung Baby, Live At Sphere As luzes se acenderam. Fim do show do U2. Ninguém queria ir embora da Sphere. As pessoas permaneciam paradas, olhando ao redor, tentando absorver o que tinham acabado de viver. A Sphere proporciona muito mais do que um espetáculo tradicional: ali, o “ver” e o “ouvir” se integram a uma poderosa experiência do “sentir”. Uma imersão intensa e envolvente que a posiciona como um novo marco na história do entretenimento. High-TechSociety.com Fundador e Editor: Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: Relato inspirado na crítica de Wesley Morris, The New York Times, sobre a sensação de aproximação da Sphere na noite inaugural. Impressões descritas por Alexandra Del Rosario, Deadline, ao entrar no átrio e acessar a arena. Observações de Mark Savage, BBC, sobre a reação inicial do público diante da tela envolvente. Descrição baseada em críticas de Adrian Horton, The Guardian, sobre o impacto visual das primeiras projeções. Comentários de Mikael Wood, Los Angeles Times, sobre a qualidade sonora e a performance do U2. Relato registrado por Chris Willman, Variety, sobre a sensação de flutuar durante a projeção do céu estrelado. Vibrações de baixa frequência são vibrações geradas por sons abaixo de 20 Hz, faixa chamada de infrassom. O ouvido humano quase não percebe esses sons como “som”, mas o corpo os sente como pressão, pulsação ou movimento, o que ativa o corpo, não apenas os ouvidos. O cérebro interpreta essa combinação de estímulos como algo fisicamente real, ampliando a intensidade emocional e sensorial da experiência. Fontes: Agustin-Otegui.com. Inside The Sphere – Timeline (USA) “construction began at the Venetian Expo site in March 2018". Acesso em 10.mar.2026. AMERICAN CINEMATOGRAPHER. Sphere and the Big Sky Camera. Acesso em 21.mar.2026. AV MAGAZINE. Inside tech: the Sphere’s 18K camera sensor explained. Acesso em 21.março.2026. Dastan, M.; Dyminski Parente Ribeiro, E.; Bellut-Staeck, U.; Zhou, J.; Lehmann, C. Infrasound and Human Health: Mechanisms, Effects, and Applications. Appl. Sci. 2026, 16, 1553. https://doi.org/10.3390/app16031553 Acesso em 18.mar.2026. DESIGN TIMES. Sphere in Las Vegas: Redefining Entertainment with Innovative Design and Technology. Acesso em 21.mar.2026. HYPERVSN BLOG. How the Sphere Creates a Truly Immersive Experience. Acesso em 18.mar.2026. PETAPIXEL. Sphere Studios’ Big Sky Cinema Camera Features an Insane 18K Sensor. Acesso em 08.março.2026. SPHEREENTERTAINMENT. Sphere Entertainment Partners With Powersoft For Sphere Immersive Sound And Haptic Seating. Acesso em 18.mar.2026. SPHEREENTERTAINMENT. Sphere Studios And STMicroelectronics Reveal New Details On The World’s Largest Cinema Image Sensor. Acesso em 21.mar.2026. THE PRICER. How Much Did The Sphere Cost to Build? Acesso em 10.mar.2026 THESPHERE.COM. The Wizard of Oz at Sphere | Immersive Film with 4D Effects. Acesso em 18.mar.2026. WIKIPEDIA. Sphere. Acesso em 08.mar.2026. YM CINEMA MAGAZINE. The Big Sky Cinema Camera: Breaking Down the Patent Behind the Las Vegas Sphere’s Cutting-Edge Imagery. Acesso em 21.março.2026.
- Observatório ESO: Ciência e Tecnologia em Astronomia.
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá A Astronomia é descrita freqüentemente como a ciência mais antiga, dado o fascínio que o universo sempre exerceu em pessoas de todas as idades e culturas. Atualmente a astronomia utiliza sofisticada tecnologia e é considerada uma das ciências mais modernas e dinâmicas. Uma das organizações que muito contribui para o avanço da Astronomia, é o ESO, Observatório Europeu do Sul, uma destacada organização intergovernamental de ciência e tecnologia em astronomia. Ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. Fundado em 1962, com sede em Garching, na Alemanha e com observatórios no Chile, ESO é uma organização intergovernamental apoiada por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Holanda, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia, Suíça e o Chile, país de acolhimento e parceiro estratégico. ESO desenvolve um ambicioso programa focalizado em design, construção e operação de potentes observatórios e promove e organiza cooperações em pesquisas astronômicas. Em seu site, ESO informa que conta com mais de 750 funcionários oriundos de cerca de 30 países e inúmeros colaboradores de todo o mundo. São mais de 22.000 usuários de cerca de 130 países diferentes, que tem acesso a serviços, tecnologia e dados. ESO opera três observatórios no Deserto de Atacama, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. OBSERVATÓRIO LA SILLA O La Silla, primeiro observatório ESO a entrar em operação no final da década de 1960, está situado na montanha de La Silla, a uma altitude de 2350 m, a 600 km do norte de Santiago do Chile. É equipado com vários telescópios ópticos. Os espelhos têm diâmetro de até 3.6 metros. Os principais instrumentos óticos do ESO em La Silla são um refletor de 3,6 m, inaugurado em 1976; o New Technology Telescope (NTT) de 3,5 m, inaugurado em 1989; um refletor de 2,2 m de propriedade conjunta do Max-Planck-Institut für Astronomie, inaugurado em 1984. O ESO Schmidt de 1 m, inaugurado em 1971, foi fechado em 1998, mas reabriu em 2009 e agora é operado pela Universidade de Yale. Os instrumentos em La Silla de propriedade de nações individuais incluem um refletor dinamarquês de 1,54 m inaugurado em 1979 e o telescópio Leonhard Euler de 1,2 m de propriedade do Observatório de Genebra, inaugurado em 2000. Credit: ESO. Directed by: Nico Bartmann.Editing: Nico Bartmann.Web and technical support: Mathias André and Raquel Yumi Shida.Written by: Laura Hiscott and Calum Turner.Music: John Stanford — The Edge (johnstanfordmusic.com).Footage and photos: ESO, G. Hüdepohl (atacamaphoto.com), L. Calçada, J. Pérez, Liam Young/Unknown Fields.Scientific consultant: Paola Amico and Mariya Lyubenova.Executive producer: Lars Lindberg Christensen. OBSERVATÓRIO CERRO PARANAL O observatório ESO em Cerro Paranal está situado em uma montanha na parte norte do deserto do Atacama, no Chile. Lá está instalado o VLT-Very Large Telescope, um dos telescópios ópticos mais avançados do mundo, composto por quatro Telescópios Principais com espelhos principais de 8,2 m de diâmetro e quatro Telescópios Auxiliares móveis de 1,8 m de diâmetro. Este é o trailer do the Very Large Telescope (VLT), situado no Paranal, no Chile Credit: ESO Footage and photos: ESO, C. Malin (christophmalin.com), Liam Young, B. Tafreshi (twanight.org), G. Hüdepohl (atacamaphoto.com), F. Kamphues, G. Lombardi (glphoto.it), S. Gillessen, F. Char, H. Zodet and Y. Beletsky (LCO). Music by Movetwo O HOTEL ESO CERRO PARANAL Sob o cume, a uma altura de cerca de 2.400 metros, encontra-se o Hotel ESO no Cerro Paranal. É o alojamento do Observatório do Paranal no Chile desde 2002. É usado principalmente para os cientistas e engenheiros do ESO que trabalham lá em um sistema de escala, que os abriga em estadias em que podem relaxar e descansar entre fases extenuantes de trabalho. O Hotel ESO no Cerro Paranal tem sido chamado de "pensão em Marte", porque os arredores do deserto são semelhantes a Marte e um "Oásis para astrônomos". Não é um hotel comercial, e o público não pode reservar quartos. Para o tempo relativamente curto de estadias de cientistas e engenheiros, sob condições climáticas extremas – sol intenso, secura extrema, altas velocidades do vento, grandes flutuações de temperatura e o perigo de terremotos – o hotel foi edificado em local longe da civilização. O exterior do hotel foi apresentado no filme de 007 de 2008, Quantum of Solace, no qual a estrutura foi retratada como um eco-hotel fictício na Bolívia. Uma miniatura do hotel foi construída pela equipe de efeitos visuais para as cenas em que o hotel, no filme, é destruído por um incêndio. ESO Paranal e o Hotel ESO Cerro Paranal foram set de filmagem de 007, "Quantum of Scolace" Credit: ESO Visual design and editing: Martin Kornmesser and Luis Calçada. Cinematography: Peter Rixner. Editing: Herbert Zodet. Web and technical support: Lars Holm Nielsen and Raquel Yumi Shida. Written by: Henri Boffin, Lee Pullen and Lars Lindberg Christensen. Host: Dr. J. Narration: Lee Pullen. Music: Paulo Raimundo; lcg//moulinex. Footage and photos: Sony Pictures, EON Productions Ltd., QUANTUM OF SOLACE / © 2008 Danjaq, United Artists, CPII., 007 TM and related James Bond Trademarks, TM Danjaq & ESO. Directed by: Lars Lindberg Christensen OBSERVATÓRIO CHAJNANTOR O Observatório Chajnantor é operado pelo Caltech - Instituto de Tecnologia da California em colaboração com a Universidade do Chile e a Universidade de Concepción e está localizado a uma altitude de 5080 metros (16700 pés) na Cordilheira dos Andes, no norte do Chile. O planalto alto e seco de Chajnantor é um dos melhores locais do mundo para astronomia milimétrica e submilimétrica. O primeiro instrumento de observatório, o Cosmic Background Imager (CBI) está alojado em uma cúpula retrátil que fornece alguma proteção contra chuva, neve e vento. Na maioria dos dias, o vento em Chajnantor atinge picos no final da tarde em cerca de 15 m/s (30 mph). Nessas condições, o frio é um problema grave, mas a cúpula fornece um espaço de trabalho abrigado onde é possível reparar e manter o CBI. A cúpula é uma estrutura de aço hemisférica coberta com tecido de poliéster, abrigada em uma parede de 2 m de altura e 10,5 m de diâmetro. O CBI e sua cúpula exigem placas de suporte de concreto, mas esta é a única obra de construção do local. Todas as outras instalações estão em contêineres de transporte padrão ISO colocados diretamente no solo. Essa abordagem modesta à infraestrutura do local reduz custos, reduz a carga de manutenção e tem um impacto bastante baixo no meio ambiente. As instalações do observatório incluem uma sala de controle, laboratório, oficina mecânica, usina, duas salas de trabalho/quartos e um banheiro – tudo dentro dos contêineres de transporte. Para neutralizar os efeitos da alta altitude, o ar nas áreas de trabalho e de vida é enriquecido com oxigênio (usando peneiras moleculares para separar o oxigênio do ar), e as pessoas que trabalham fora podem usar tanques de oxigênio portáteis com reguladores de demanda quando necessário para melhorar a eficiência e a segurança. A usina e os tanques de combustível estão localizados a cerca de 100 m a leste do CBI; o consumo médio de energia para o local é de cerca de 100 kW e a usina tem um par de geradores a diesel classificados para 150 kW a 5000 m. As instalações da base estão localizadas na Residencia Don Esteban, na histórica cidade oásis de San Pedro de Atacama, a uma altitude de 2500 m. Estes incluem quartos, cozinha, sala de conferências e sala de computadores. O observatório é parcialmente apoiado pela SAINT, Aliança Estratégica para a Implementação de Novas Tecnologias, um consórcio formado por doze instituições: the California Institute of Technology and the Jet Propulsion Laboratory, the University of Chicago, Columbia University, The Max Planck Institute for Radio Astronomy (Bonn), Oxford University, Princeton University, Stanford University, the University of Manchester, The University of Miami, The Rutherford Appleton Laboratory of the Science and Technology Facilities Council, The University of Oslo, and The High Energy Accelerator Research Organization (KEK). Este consórcio foi formado para estudos e pesquisas sobre problemas fundamentais da física que podem ser resolvidos por observações da radiação cósmica de fundo em micro-ondas e pesquisas sobre uma variedade de novos planos astrofísicos. Abaixo veja o trailer do ALMA, o maior projeto astronômico existente. Um telescópio de última geração que estuda a luz com comprimentos de onda de cerca de um milímetro, emitida por alguns dos objetos mais frios do Universo, o ALMA é uma cooperação do Observatório Europeu do Sul (ESO), juntamente com os seus parceiros internacionais. O local do ALMA é o planalto do Chajnantor, a 5000 m de altitude, no norte do Chile, um dos locais mais secos da Terra. Credit: ESO ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), C. Malin (christophmalin.com), P. Horálek, Liam Young, B. Tafreshi (twanight.org), J.J. Tobin (University of Oklahoma/Leiden University), M. Kaufman, Theofanis N. Matsopoulos, H.H.Heyer, S. Argandoña and H. Zodet. Music by Movetwo Indiscutivelmente ESO possui estrutura tecnológica sofisticada e, com seus 61 anos de existência, uma curiosidade natural seria conhecer alguns de seus principais resultados científicos, o que será visto, a seguir. DEZ DESCOBERTAS ESPACIAIS DO OBSERVATÓRIO ESO, POR ELIZABETH HOWELL, SPACE.COM 1.OBSERVANDO O COSMOS: ACELERAÇÃO E EXPANSÃO Desde que o primeiro telescópio começou a funcionar em 1966, o ESO provocou diversas mudanças na forma como percebemos o Universo. Os astrónomos observaram a aceleração do Universo à medida que se expandia e aprenderam mais sobre a aparência do jovem Universo. Os telescópios do ESO também tiraram fotografias de planetas distantes e ajudaram a medir o peso de estrelas gigantescas. 2.PRIMEIRAS MEDIÇÕES PRECISAS DE PLUTÃO E CARONTE (1986) Ao observar a curva de luz de Plutão e sua lua Caronte durante eclipses com telescópios do ESO La Silla, os astrônomos conseguiram reduzir o tamanho dos dois objetos. Plutão, então considerado um planeta, tem um diâmetro de aproximadamente 1367 milhas (2200 quilômetros). Sua maior lua, Caronte, foi medida em cerca de 721 milhas (1160 quilômetros). 3.PIONEIRISMO EM ÓPTICA ADAPTATIVA (1989) O ESO foi um dos primeiros observatórios a testar a "óptica adaptativa", uma técnica usada para fazer correções para a turbulência da atmosfera terrestre. Um espelho telescópico, conectado a um computador, é ajustado automaticamente à medida que a atmosfera se flexiona. Isso permite que a luz chegue ao telescópio com maior precisão – o que significa que podemos ver mais longe no espaço. A óptica adaptativa é uma técnica padrão usada atualmente. 4.EXPANSÃO DO UNIVERSO ACELERANDO (1998) Ao estudar o brilho das explosões estelares, os pesquisadores descobriram que o universo não está apenas se expandindo, mas acelerando à medida que cresce. Telescópios do ESO e de outros observatórios, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, determinaram isso através de medições de supernovas do Tipo Ia. Os principais descobridores receberam o Prêmio Nobel de Física de 2011. 5.CONFIRMANDO O PASSADO QUENTE DO UNIVERSO (2000) Os pesquisadores conseguiram obter a temperatura do eco do Big Bang – radiação cósmica de fundo de micro-ondas – de quando o universo tinha apenas 2,5 bilhões de anos. Um telescópio do ESO fez medições de espectro de um quasar, que é uma galáxia brilhante e distante alimentada por um enorme buraco negro. O brilho do quasar mostrou que o universo estava mais quente do que é agora. 6.OS ANOS MAIS AZUIS DO UNIVERSO (2003) A partir de observações com o Very Large Telescope do ESO, os astrónomos descobriram a cor do universo jovem, com 2,5 bilhões de anos, era muito mais azul do que é hoje porque estava cheio de estrelas jovens e azuis. Como as estrelas azuis emitem mais luz do que as estrelas antigas – e o universo tem tanta luz agora quanto no passado – as descobertas sugerem que havia menos estrelas nos primeiros anos do universo. 7.LIGANDO RAIOS GAMA COM SUPERNOVAS (2003) Depois que uma explosão de raios gama brilhou na constelação de Leo em 29 de março de 2003, telescópios australianos e japoneses detectaram uma fonte de luz brilhante no mesmo local em 90 minutos. Os telescópios do ESO captaram então o primeiro espectro do objeto. Eles descobriram que essa grande supernova ou "hipernova" estava a 2,65 bilhões de anos-luz de distância, e foram capazes de ligá-la à explosão de raios gama. 8.A MAIOR ESTRELA DE TODOS OS TEMPOS (2010) A maior estrela de todos os tempos, o R136a1 está distante 165.000 anos-luz da Terra e tem mais do dobro do tamanho que os cientistas pensavam que as estrelas poderiam alcançar. Essa magnífica descoberta foi possível por meio do Very Large Telescope do ESO e confirmado com dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble. 9.PRIMEIRO ESPECTRO DIRETO DE UM EXOPLANETA (2010) Os cientistas usaram o Very Large Telescope do ESO para detectar a composição química de um planeta a cerca de 130 anos-luz da Terra. Este planeta tem cerca de 10 vezes o tamanho de Júpiter, com uma temperatura de superfície de 1472 graus Fahrenheit (800 graus Celsius). Esta foi a primeira vez que o espectro foi observado a partir de observações diretas de um planeta. 10.PLANETA DO TAMANHO DA TERRA ENCONTRADO NO SISTEMA ESTELAR AO LADO (2012) Um planeta com aproximadamente a mesma massa da Terra foi descoberto perto de Alpha Centauri B, que faz parte de um sistema de três estrelas a apenas 4,3 anos-luz da Terra. Um telescópio do ESO em La Silla detectou o planeta medindo as oscilações da estrela. O planeta está fazendo com que Alpha Centauri B se mova para frente e para trás a 1,1 milhas (1,8 quilômetros) por hora, a mesma velocidade de um bebê engatinhando. O INOVADOR ELT O Extremely Large Telescope (ELT) do Observatório Europeu do Sul (ELT) é um revolucionário telescópio terrestre que terá um espelho principal de 39 metros e será o maior telescópio do mundo para luz visível e infravermelha: o maior olho do mundo no céu. A construção deste projeto tecnicamente complexo, iniciada há 9 anos, avança em um bom ritmo, com o ELT agora ultrapassando a marca de 50% concluído. O telescópio está localizado no topo do Cerro Armazones, no deserto do Atacama, no Chile, onde engenheiros e trabalhadores da construção civil estão atualmente montando a estrutura da cúpula do telescópio em um ritmo impressionante. Visivelmente mudando a cada dia, a estrutura de aço logo adquirirá a forma redonda familiar típica das cúpulas de telescópio. Conforme palavras do Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons, "O ELT é o maior da próxima geração de telescópios ópticos e infravermelhos próximos baseados em terra e o que está mais avançado na sua construção. Atingir 50% de conclusão não é um feito pequeno, dados os desafios inerentes a projetos grandes e complexos, e isso só foi possível graças ao empenho de todos no ESO, ao apoio contínuo dos Estados-Membros do ESO e ao envolvimento dos nossos parceiros na indústria e nos consórcios de instrumentos. Estou extremamente orgulhoso de que o ELT tenha alcançado este marco." Vídeo ESO ELT Credit: ESO. Directed by: Martin Wallner Editing: Martin Wallner Web and technical support: Gurvan Bazin and Raquel Yumi Shida Written by: Martin Wallner Consultants: Bárbara Ferreira, Michele Cirasuolo Music: Jon Kennedy – You, You and You Footage and photos: ESO, G. Hüdepohl (atacamaphoto.com), L. Calcada, M. Kornmesser, A. Tsaouis, M. Wallner, H. Zodet, SCHOTT, APICAL Acknowledgements: R. Parra, G. Vecchia, CIMOLAI, SCHOTT Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Observatório ESO: Ciência e Tecnologia em Astronomia Fontes: CALIFORNIA INSTITUTE OF TECHNOLOGY. Chajnantor Observatory. Disponível em Acesso em 25 dez.2023. CALIFORNIA INSTITUTE OF TECHNOLOGY. Chajnantor Observatory: Strategic Alliance for the Implementation of New Technologies (SAINT). Disponível em Acesso em 25 dez.2023. EUROPEAN SUTHERN OBSERVATORY. Observatórios La Silla, Chajnantor e Paranal. Disponível em Acesso em 25 dez.2023 HOWELL, Elizabeth. 10 Space Discoveries by the European Southern Observatory. Disponível em Acesso em 26 dez.2023. JORNAL FOLHA DE S. PAULO – 19 set.2010 – página A22 OXFORD REFERENCE. La Silla Observatory. Disponível em Acesso em 26 dez.2023. WIKIPÉDIA. ESO Hotel. Disponível em Acesso em 26 dez.2023.
- Dinamarca é reconhecida como país mais protegido contra a corrupção, no mundo, pelo sexto ano consecutivo.
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Em 30.janeiro.2024, a Transparência Internacional publicou o Índice de Percepção da Corrupção 2023 (IPC). O Índice classifica 180 países e territórios por seus níveis percebidos de corrupção no setor público em uma escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito justo), utilizando dados de 13 fontes externas, incluindo o Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial, empresas privadas de risco e consultoria, think tanks e outros. As pontuações refletem exclusivamente as opiniões de especialistas e empresários. CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX EXPLAINED | TRANSPARENCY INTERNATIONAL A Dinamarca, com 90 pontos, lidera o índice pelo sexto ano consecutivo, como o país de menor corrupção do mundo. Finlândia e Nova Zelândia a seguem de perto, com pontuações de 87 e 85, respetivamente. Devido ao bom funcionamento dos sistemas de justiça, esses países também estão entre os melhores pontuadores no Índice de Estado de Direito. Mas o que explica desempenho tão extraordinário e contínuo? O Prof. Gert Tingaard Svendsen, autor do livro Trust que enfatiza a confiança social, forneceu entrevista à Agência Brasil. De acordo com o Prof. Svendsen “o país começou a lutar contra a corrupção muito cedo, ainda durante o processo de construção do Estado dinamarquês. Em 1660, o rei Frederick III iniciou um processo de recrutamento de servidores públicos com base em seus méritos, e não por suas ligações com a aristocracia. Naquela época, o rei estabeleceu um canal para que as pessoas denunciassem diretamente a ele qualquer ato de abuso de poder”. Prof. Svendsen argumenta que há um amplo sentimento de “confiança” existente entre os cidadãos. Isso favorece ao desenvolvimento econômico, pois há maior cooperação, confiança nas instituições, menor burocracia e menor necessidade de investimentos em segurança pública. Ao longo dos séculos o país tem mantido essas práticas meritocráticas e, por outro lado, não é leniente com abusos de poder, o que consolidou a base de princípios e valores contemporâneos da Dinamarca. A Dinamarca é um exemplo anti-corrupção no mundo, mas os desafios, em muitos países é ainda enorme, para que possam evoluir para melhores indicadores. Para a Transparência Internacional, o Índice de Percepção da Corrupção 2023 mostra que a maioria dos países fez pouco ou nenhum progresso no combate à corrupção no setor público. A média global do IPC permanece inalterada em 43 pontos pelo décimo segundo ano consecutivo, com mais de dois terços dos países pontuando abaixo de 50, o que indica sérios problemas de corrupção. De acordo com o Índice do Estado de Direito, o mundo está experimentando um declínio no funcionamento dos sistemas de justiça. Conforme pontua a Transparência Internacional, "os países com as pontuações mais baixas nesse índice também estão pontuando muito baixo no IPC, destacando uma conexão clara entre acesso à justiça e corrupção. Tanto os regimes autoritários quanto os líderes democráticos que minam a justiça contribuem para aumentar a impunidade da corrupção e, em alguns casos, até a incentivam, removendo consequências para os malfeitores." A Transparência Internacional informa que segue liderando a luta global contra a corrupção. Nos anos que antecedem 2030, dedica-se a liderar a luta global contra a corrupção. "Holding Power to Account" é uma estratégia global dos anos 2021-2030, da Transparência Internacional contra a Corrupção. De forma integrada com capítulos nacionais independentes e afiliados em mais de 100 países e pelo Secretariado internacional – a Transparência Internacional pretende contribuir para um futuro mais positivo; um mundo em que o poder seja responsabilizado para atuar sem desvios, para que os países possam realizar muito mais em prol do bem comum. A GLOBAL STRATEGY AGAINST CORRUPTION 2021-2030 (ENGLISH) | TRANSPARENCY INTERNATIONAL Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Fontes: TRANSPARENCY INTERNATIONAL. 2023 Corruption Perceptions Index: Weakening justice systems leave corruption unchecked. Disponível em: Acesso em 09.fev.2024. TRANSPARENCY INTERNATIONAL. 2023 Corruption Perceptions Index. Disponível em: Acesso em 09.fev.2024. TERRA NETWORKS BRASIL. Dinamarca é considerada o país menos corrupto pela 3ª vez. Disponível em: Acesso em 09.fev.2024. WJP RULE OF LAW INDEX. The Global Rule of Law Recession Continues. Disponível em: Acesso em 15.fev.2024.
- Destaques do PISA 2022
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá O PISA, Programa Internacional para a Avaliação de Alunos é uma avaliação trienal, sistemática, prospectiva e comparativa de nível internacional, focado nas áreas de Matemática, Ciências e Língua, para alunos entre 15 anos e três meses de idade até 16 anos e dois meses de idade. A cada ciclo enfatiza uma das três áreas citadas, sendo que a área destacada de cada ciclo absorve cerca de 60% das questões das provas e as demais áreas, 20% para cada uma delas. A área de maior peso nas avaliações do PISA 2022 foi matemática. O PISA 2022, estabeleceu uma inovação na avaliação, o teste do pensamento criativo. Ele está centrado nas competências que os estudantes do século XXI precisam, à medida que as organizações e sociedades em todo o mundo dependem da inovação e da criação de conhecimento para enfrentar os desafios emergentes. O teste do pensamento criativo de PISA examinou as capacidades dos alunos para gerar ideias diversas e originais e para avaliar e melhorar ideias, em vários contextos ou "domínios". A avaliação incluiu quatro domínios: expressão escrita, expressão visual, resolução de problemas sociais e resolução de problemas científicos. Em cada um desses domínios, os alunos se envolveram com tarefas abertas que não possuíam uma única resposta correta. Eles foram solicitados a fornecer respostas múltiplas e distintas, ou a gerar uma resposta que não fosse convencional. Essas respostas poderiam assumir a forma de uma solução para um problema, um texto criativo ou um artefato visual. Estimular o pensamento criativo fortalece a capacidade de adaptação em uma realidade cada vez mais complexa e dinâmica em que o conhecimento e a capacidade de inovação podem ser decisivos para encontrar soluções para um mundo em constante e rápida mudança. A avaliação é promovida pela OECD - Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Trata-se de uma entidade intergovernamental que visa promover o desenvolvimento econômico e social de seus membros, os países industrializados. Ressalta-se, contudo, que a participação no PISA não está restrita aos membros da OECD, pois inclui também países convidados. De acordo com o Relatório “Resultados PISA 2022 - O Estado da Aprendizagem e Equidade na Educação", divulgado em dezembro/2023 pela OECD, , o primeiro volume de relatório de um total de cinco volumes de relatórios apresentados, em 2022 foram avaliados 690 mil estudantes, representando 29 milhões de estudantes em todo o mundo, de 81 países e economias. O PISA é o primeiro estudo em grande escala a coletar dados sobre o desempenho, o bem-estar e a equidade dos alunos antes e após as paralisações e adversidades provocadas pela pandemia da COVID-19. Segundo o relatório, o PISA 2022 é muito mais do que excelência educacional. Trata-se também de equidade na educação, para que todos os alunos, independentemente da origem, possam ter uma oportunidade justa de atingir todo o seu potencial. O PISA é uma poderosa fonte comparativa de nível internacional na área educacional, que muito pode colaborar para fortalecimento de políticas públicas educacionais inclusivas para países compromissados em desenvolver educação de boa qualidade, passo fundamental para a transformação social que permita maior prosperidade, inclusão laboral e econômica, pois, formação educação básica mais mais bem sedimentada é um passo destacado para geração de futuros profissionais mais bem preparados para servir à sociedade em diversas áreas do conhecimento. O relatório concluiu que, apesar das circunstâncias desafiadoras, 31 países e economias conseguiram pelo menos manter o seu desempenho em matemática desde o PISA 2018. Entre estes, Austrália, Japão, Coreia, Singapura e Suíça mantiveram ou aumentaram ainda mais os já elevados níveis de desempenho de seus estudantes, com pontuações variando de 487 a 575 pontos (média da OECD 472). Esses países apresentaram aspectos convergentes, como o período de fechamento mais curto de escolas, menos obstáculos ao aprendizado remoto e continuidade de suporte aos alunos, por parte de professores e de pais. Muitos países também fizeram progressos significativos no sentido do ensino secundário universal, fundamental para permitir a igualdade de oportunidade e plena participação na economia. Entre eles, Camboja, Colômbia, Costa Rica, Indonésia, Marrocos, Paraguai e Roménia expandiram rapidamente a educação para populações anteriormente marginalizadas ao longo da década passada. Dez países e economias registaram uma grande percentagem de jovens de 15 anos com confirmação de proficiência básica em matemática, leitura e ciência com educação altamente equitativa e que proporcionou elevados níveis de justiça socioeconómica: Canadá, Dinamarca, Finlândia, Hong Kong, Irlanda, Japão, Coreia, Letónia, Macau e Reino Unido. O relatório da OECD também aponta que, de países da OECD, cerca de três quartos dos estudantes relataram estar confiante no uso de várias tecnologias, incluindo sistemas de gestão de aprendizagem, plataformas de aprendizagem escolar e vídeo-programas de comunicação. No entanto, a tecnologia utilizada para lazer e não para instrução, como a tecnologia de telefones móveis, muitas vezes parece estar associado aos piores resultados. Alunos que relataram que se distraem com outros alunos que usam dispositivos digitais em pelo menos algumas aulas de matemática, obtiveram 15 pontos a menos que estudantes que relataram que isso nunca ou quase nunca acontece. O apoio dos professores é particularmente importante em tempos de instabilidade, nomeadamente através da prestação de serviços adicionais, apoio pedagógico e motivacional aos alunos, segundo o PISA 2022. O trabalho sistemático do PISA, ao longo de suas aplicações trienais, reforçam a resiliência dos sistemas educativos no sentido de atuarem na perspectiva de crescimento da igualdade de oportunidades, o que certamente proporcionará maior capacitação e empoderamento dos jovens para o sucesso. Países engajados e com vontade política de reservar à educação, o espaço e a importância que lhe cabe, certamente estão conscientes e seguros de que este é o caminho para geração e longevidade de uma perspectiva de desenvolvimento econômico e social. Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Fontes: CREATIVITYEXCHANGE. The PISA 2022 Creative Thinking Test. Bill Lucas explores the significance of the first global assessment of creative thinking. Disponível em Acesso em 22.fev.2024. FACTSMAPS. PISA 2022 Worldwide Ranking. Disponível em Acesso em 22.fev.2024. OECD (2023), PISA 2022 Results (Volume I): The State of Learning and Equity in Education, PISA, OECD Publishing, Paris, Disponível em Acesso em 19.fev.2024. WAISELFISZ, Julio Jacob. O ensino das Ciências no Brasil e o PISA. Sangari do Brasil. 1ª.Ed., 2009.
- A megaconstelação de satélites Starlink
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Starlink é o nome de uma rede de satélites desenvolvida pela empresa de voos espaciais privados SpaceX, visando inicialmente fornecer internet de baixo custo para locais remotos. O Starlink é ideal para áreas onde a conectividade não é confiável ou é completamente indisponível, mas tem ampliado a oferta de serviços para localidades diversas. Mercados atendidos pelos satélites Starlink Em post publicado em 20.maio.2024 no X (antigo twitter), o CEO da Space X, Elon Musk, informou que o Starlink está conectando mais de 3 milhões de usuários em 99 países, por meio de mais de 6.000 satélites Starlink em órbita, fornecendo internet de alta velocidade. Os satélites Starlink estão sendo usados não apenas por clientes residenciais e empresariais, mas também por companhias aéreas que oferecem serviços de internet a bordo e por navios de cruzeiro, para que os passageiros possam permanecer conectados enquanto estiverem no mar, além de outras aplicações, conforme veremos. Why Starlink's In-flight WiFi is a Game Changer³ - Fonte: Primal Space Eventos como furacões, terremotos, inundações ou incêndios florestais, destroem ou danificam severamente a infraestrutura de telecomunicações terrestre, deixando as comunidades afetadas completamente isoladas do mundo exterior. Com o Starlink, os socorristas podem transportar e configurar rapidamente terminais de usuários praticamente em qualquer lugar e ficar online em questão de minutos, ignorando a necessidade de qualquer infraestrutura terrestre. Visibilidade dos satélites Um ou dois dias após o lançamento e a implantação dos satélites Starlink, não é necessário nenhum equipamento especial para vê-los, pois são visíveis a olho nu. Aparecem como uma série de pérolas ou um "trem" de luzes brilhantes que se movem pelo céu noturno. Se desejar, poderá tentar encontrar os satélites Starlink visíveis no seu país, a partir de coordenadas fornecidas por FindStarlink Após lançamento, até alcançar cerca de 440 quilômetros acima da Terra, o foguete Falcon 9 transporta e implanta seu lote de 60 satélites Starlink, em uma “órbita de estacionamento”. A partir daí, os satélites individuais desdobram seus painéis solares e lentamente começam a se espalhar pelo planeta. Cada satélite usa seus propulsores para aumentar gradualmente a uma altitude mais alta, subindo em sua eventual órbita final a cerca de 160 km acima da órbita da Estação Espacial Internacional. Tornam-se progressivamente mais difíceis de detectar, pois, conforme os satélites sobem, eles ficam mais escuros, refletindo menos luz solar de volta para a Terra, até alcançar a sua altura orbital final de cerca de 550 km. Objetivos O Starlink tem como objetivos centrais, resolver dois grandes problemas da internet moderna: a falta de conexões acessíveis para áreas geográficas longínquas e/ou sem estrutura terrestre de comunicações e a alta latência¹. Os serviços tradicionais de internet por meio de cabos e fibras ópticas têm limitações inerentes às características do serviço. Mesmo dentro de um país, é raro alcançar um caminho com cabeamento direto de um local para outro. Confiar em cabos terrestres também deixa muitas regiões mal conectadas. O desafio de vencer a alta latência, um dos objetivos centrais do Starlink, é relevante, devido aos enormes impactos que pode ocasionar. Para se ter uma ideia dos prejuízos que podem ser gerados pela alta latência, vejamos alguns exemplos: Para quem está tentando assistir a vídeos, séries, filmes online, a alta latência pode significar travamentos ou perda de qualidade do vídeo. Navegando em redes sociais, a latência máxima recomendada é de 50 a 100 ms para boa performance. Jogando, a latência máxima orientada é de 30 ms, para evitar perda de competitividade. Operações financeiras, por questões de segurança, podem ser canceladas, caso haja atraso no envio de informações. Os bancos movimentam bilhões de dólares em frações de segundo, qualquer atraso, pode levar a grandes perdas para um concorrente que atue com uma conexão mais rápida. Aulas online com travamentos constantes, inviabiliza o acesso ao conteúdo dos cursos. E-commerces que demoram a carregar, podem provocar perda de vendas online. Trabalhos e videoconferências, via internet de alta latência, podem ser impactados por perdas de produtividade ou mesmo inviabilizados. Os satélites Starlink tornam possível o acesso a serviços e recursos on-line essenciais em comunidades rurais que geralmente não eram atendidas por provedores de internet tradicionais. O Starlink permite que hospitais e clínicas de campanha realizem videoconferências em tempo real com médicos e especialistas a milhares de quilômetros de distância. Imagens médicas, como raios-X ou tomografias computadorizadas, podem ser compartilhadas instantaneamente para diagnóstico remoto. Pacientes com condições crônicas podem fazer check-ins remotos e acompanhamentos com profissionais de saúde. O Starlink torna esses aplicativos avançados de telesaúde possíveis mesmo em ambientes extremamente remotos ou com recursos limitados. O ensino remoto também é favorecido, com a possibilidade de acesso a aulas online, pesquisas, compartilhamento de materiais de estudos, agora são possíveis para comunidades isoladas pela falta de infraestrutura de comunicações terrestre ou mesmo por terem sido atingidas por eventos destrutivos. Como funciona Os clientes compram uma antena terrestre para acessar o serviço de internet do Starlink. Quando é ligada na energia, a antena auto-direcional escaneia rapidamente o céu e trava no satélite aéreo mais próximo. Então, ela mantém perfeitamente essa conexão à medida que cada novo satélite Starlink aparece à vista e o anterior desaparece além do horizonte. As antenas Starlink são certificadas para operar entre -22° Fahrenheit (temperatura mínima) até 104° Fahrenheit (temperatura máxima), que, na escala Celsius, corresponde de -30° Celsius até 40° Celsius. Elon Musk's Starlink Impact video (By Geoff Aba)³ Histórico Janeiro.2015: Anunciada a proposta de internet via satélite da SpaceX². Fevereiro.2018: A SpaceX lançou seus dois primeiros protótipos Starlink, chamados Tintin-A e Tintin-B. O teste ajudou a demonstrar o conceito básico e a refinar o design do satélite. 23.maio.2019: Os primeiros 60 satélites Starlink foram lançados, na órbita baixa da terra, a bordo de um foguete SpaceX e atingiram, com sucesso, a altitude operacional de 340 milhas (550 quilômetros) acima da Terra. Outubro.2020: Lançado o serviço de internet padrão do Starlink. Janeiro.2021: terminais a laser, ou cruzamentos a laser, foram adicionados a um lote de satélites Starlink, o que permite que os satélites transfiram informações uns aos outros. Maio.2021: 100° lançamento consecutivo do foguete Falcon 9, transportando satélites Starlink para lançamento no espaço. Junho.2021: Mais de 1.500 satélites ativos, tornando os satélites Starlink a maior constelação de satélites ao redor da Terra, mais da metade de todos os satélites ativos que circundavam o nosso planeta. Agosto.2022: O CEO da SpaceX, Elon Musk, e o CEO da T-Mobile, Mike Sievert, anunciaram um acordo entre as duas empresas em agosto de 2022 e planejam fornecer o serviço aos clientes da T-Mobile após os lançamentos dos satélites Starlink V2 completos. 27.fevereiro.2023: A SpaceX começou a lançar uma versão atualizada do Starlink, chamada V2 mini. Os V2 mini servem como uma versão precursora do V2 com design completo. Os satélites Starlink V2 completos serão lançados no foguete Starship em data ainda não confirmada. Quando o fizerem, os satélites V2 maiores possuem uma capacidade de dados maior do que seus antecessores e com capacidade de fornecer serviços diretamente para dispositivos celulares. Maio.2024: Alcançada a marca de 6.078 satélites Starlink em órbita. Para atingir esse número, nos últimos anos, a cada duas semanas, um foguete SpaceX Falcon 9 decolou e transportou um novo lote de cerca de 60 satélites Starlink para a órbita baixa da Terra. 03.julho.2024: Lançamento do Falcon 9 para transporte de 20 satélites Starlink, incluindo 13 com capacidades Direct to Cell, para a órbita baixa da Terra a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40 (SLC-40) na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. O Starlink tem atuado em iniciativas que vão além dos negócios, na ajuda humanitária em contextos de destruição, provenientes da ação da natureza e/ou da ação humana. Em resposta a emergências, o site do Starlink informa: “Por não apresentar as limitações da infraestrutura terrestre tradicional, o Starlink pode ser instalada rapidamente para auxiliar equipes de emergência em situações de calamidade. A equipe Starlink tem orgulho de apoiar e priorizar o seu serviço para equipes de emergência em todo o mundo e continuará a aumentar esse apoio à medida que ampliamos nossas áreas de cobertura”. Atuação humanitária em apoio a situações emergenciais Atuação do Starlink em ajuda à Ucrânia O Starlink tem sido uma peça vital da infraestrutura de comunicações da Ucrânia. Autoridades do governo ucraniano solicitaram publicamente terminais Starlink em 26.fevereiro.2022, e, dois dias depois, em 28.fevereiro. 2022, chegaram os primeiros equipamentos do Starlink. No início de abril de 2022, a SpaceX e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), anunciaram a entrega de cerca de 5.000 terminais Starlink para a Ucrânia, com a SpaceX fornecendo diretamente mais de 3.000 deles. O número cresceu consideravelmente desde então, para 25 mil, de acordo com o fundador e CEO da empresa, Elon Musk. Atuação do Starlink em ajuda à Flórida, Estados Unidos Depois que o furacão Ian devastou partes da Flórida em 2022, o Starlink conseguiu implantar rapidamente terminais para restaurar a Internet para equipes de emergência nas áreas mais atingidas, como Fort Myers Beach. Da mesma forma, o Starlink forneceu acesso à Internet para apoiar os esforços de resposta a emergências após desastres naturais em Tonga, Samoa e outras ilhas do Pacífico atingidas por tsunamis e erupções vulcânicas. Atuação do Starlink em ajuda à Tonga, Samoa e outras ilhas do Pacífico Em fevereiro de 2022, pelo menos 50 terminais Starlink foram enviados para Tonga, no Oceano Pacífico. O objetivo era dar aos seus moradores acesso gratuito à Internet, especialmente em aldeias remotas. Tonga precisava dos terminais depois de sofrer uma erupção maciça do vulcão e tsunami em janeiro, assim como Samoa e outras ilhas do Pacífico que também foram atingidas e assistidas pelo Starlink Na época, a SpaceX disse que os terminais permitirão que as comunicações fluam em algumas das regiões com os piores efeitos decorrentes da erupção. Atuação do Starlink em ajuda ao Estado do Rio Grande do Sul, Brasil As enchentes do Rio Grande do Sul, no Brasil, provenientes de chuvas intensas entre 27 de abril e 05 de maio de 2024, provocaram uma situação de drama repentino e inimaginável, com mortes, desabrigados, perda total e danos em casas, estabelecimentos comerciais, automóveis, paralisações de diversas atividades, entre outras enormes dificuldades. Isso que tem exigido esforços gigantescos de socorro, assistência, doações e mobilizações visando a recuperação das perdas materiais, que será lenta, devido a enormidade dos prejuízos causados, já que 85% das cidades do Estado foram atingidas. O empresário Elon Musk, decidiu doar 1 mil antenas Starlink para o Estado do Rio Grande do Sul. A doação incluiu o fornecimento de serviços de dados, sem custos, até que a região se recupere. O primeiro lote foi recebido na Base Aérea da cidade de Canoas-RS, em 11 de maio de 2024 e o segundo e último lote foi entregue no dia seguinte, na mesma Base Aérea. Em nota, o Governo do Rio Grande do Sul comunicou que as antenas Starlink ajudarão a “restabelecer a comunicação nos principais pontos da Defesa Civil, da Segurança Pública, em unidades de saúde, escolas e serviços públicos essenciais durante o período que perdurar a calamidade”. Elon Musk's Starlink: How Is It Helping Humanity?³ Fonte: youtube.com/@Cosmoknowledge Questionamentos e esclarecimentos Conforme foi visto, indubitavelmente, a existência da megaconstelação de satélites Starlink proporciona extraordinários benefícios à humanidade, contudo há questionamentos. Os astrônomos, há muito, se queixam dos satélites que afetam sua capacidade de explorar o espaço, por meio de observações com o uso de telescópios terrestres, devido à luz solar refletida na maquinaria em órbita. Em resposta, Patricia Cooper, vice-presidente de assuntos governamentais por satélite da SpaceX, informou aos astrônomos, em uma reunião de janeiro de 2020 da Sociedade Astronômica Americana em Honolulu, que “A SpaceX está absolutamente comprometida em encontrar um caminho a seguir para que nosso projeto Starlink não impeça o valor da pesquisa que todos vocês estão realizando”. A SpaceX tomou medidas nesse sentido. Por exemplo, os satélites Starlink lançados recentemente, têm viseiras concebidas para reduzir o brilho da luz solar em sua estrutura. Há também questionamentos sobre o descarte de satélites antigos e o risco de colisões de satélites com naves espaciais. A SpaceX publicou, em fevereiro/2022, uma declaração em seu site que estabelece por que acredita que o Starlink nunca vai sujar a órbita da Terra com lixo espacial ou causar colisões orbitais com outros satélites. A SpaceX afirma que é líder em segurança de satélites e declarou que um programa da NASA já revisou o sistema de prevenção anti-colisão para os satélites Starlink. Cada satélite Starlink é construído com um sistema de prevenção anti-colisão, capaz de manobrar o satélite. “Se houver uma probabilidade de 1/100.000 de colisão (10x menor do que o padrão da indústria de 1/10.000) para uma conjunção, os satélites planejarão manobras de evitação”, disse a empresa. A SpaceX tem equipes de operadores de satélites para coordenar e responder a solicitações de outras empresas de satélite, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os satélites também foram testados quanto à alta confiabilidade. A SpaceX lançou mais de 2.000 satélites para a rede Starlink de primeira geração, com uma taxa de falha em “apenas 1% após o aumento da órbita”. De acordo com o rastreador de satélite e astrofísico Jonathan McDowell, 358 satélites Starlink foram desorbitados. Não houve relatos de seus destroços chegando ao solo. “Para ser claro, os satélites da SpaceX são projetados e construídos para acabar totalmente durante a reentrada atmosférica, durante a descarte no final da vida útil, e eles fazem isso”, escreveu David Goldstein, engenheiro principal da Space X, em carta enviada à Administração Federal de Aviação (FAA) e o Congresso dos Estados Unidos, em 09.outubro.2023. Todos os satélites Starlink operam em uma órbita baixa da Terra “autolimpa” abaixo de 600 quilômetros, o que significa que os satélites naturalmente desorbitarão em cinco a seis anos e serão desintegrados na atmosfera, não gerando detritos. “A SpaceX está se esforçando para ser a operadora de satélites mais aberta e transparente do mundo”, acrescentou a empresa, “e incentivamos outras operadoras a se juntarem a nós no compartilhamento de dados orbitais e manter o público e os governos atualizados com informações detalhadas sobre operações e práticas”. Além disso, a empresa disse que já está compartilhando abertamente informações sobre órbitas Starlink com a FCC, a Comissão Federal de Comunicações, órgão regulador da área de telecomunicações e radiodifusão dos Estados Unidos e o Space-Track.org, um site público. “Em última análise, a sustentabilidade do espaço é um desafio técnico que pode ser efetivamente gerenciado com a avaliação apropriada do risco, a troca de informações e a implementação adequada de tecnologia e controles operacionais”, disse a SpaceX. Starlink Mini: novo lançamento da Starlink nos Estados Unidos Disponível apenas na Colômbia, El Salvador, Guatemala e Panamá, a SpaceX fez lançamento antecipado de vendas da antena Starlink Mini, nos Estados Unidos, em junho.2024, para um número limitado de clientes convidados, por US$599. De acordo com a PCMag, nos Estados Unidos, os clientes também precisarão pagar US$ 30 por mês para receber a internet pela antena portátil, como um complemento ao seu plano de serviço residencial existente, que atualmente pode custar US$ 90 ou US$ 120 por mês. Starlink Mini é uma antena parabólica portátil que possui Wi-Fi embutida que tem a capacidade de transmitir vários fluxos de vídeo 4K simultaneamente. A nova antena possui peso de 1,10 kg (2,43 lb), dimensões de 289x259 mm (11.4x9,8 polegadas), com tamanho próximo de um Apple MacBook. Isso se compara favoravelmente em relação a antena parabólica Starlink regular, que é maior: 51x30 cm (22,2x11,9 polegadas). A melhor parte da antena Starlink Mini é que ela tem um roteador Wi-Fi integrado, então você não precisará de um roteador separado que se anexar à antena Starlink atual. SpaceX's Starlink Mini: Internet Anywhere!!³ - Fonte: Enlighten Hub Com base em uma captura de tela de teste de velocidade compartilhada por Musk, Starlink Mini oferece velocidade de download de 100 Mbps e velocidade de upload de 11,5 Mbps com latência de 23 ms. Isso supera algumas conexões de telefone fixo e móvel, sendo bom o suficiente para transmitir e navegar na rede. O roteador Wi-Fi integrado suporta WiFi 5 (802.11a/b/g/n/ac) e também tem uma porta Ethernet com “Starlink Plug". A antena Starlink Mini tem apenas dois conectores: um cano DC para a fonte de alimentação externa e um conector de rede RJ45. Se você precisar estender a cobertura para uma área mais ampla, ficará feliz em saber que a antena Starlink Mini é compatível com a malha dos satélites Starlink, o que permite emparelhá-la, sem fio, com outro roteador Starlink. A antena vem com uma fonte de alimentação, mas as especificações também sugerem que ela pode ser alimentada via USB-C PD, desde que a fonte possa fornecer 20V a 5A. Inovações do Starlink A Internet conectada por meio de satélites tradicionais, que antecederam a Starlink, funciona usando grandes espaçonaves que orbitam 23.236 milhas (35.686 km) acima de um ponto específico na Terra. Mas, a essa distância, geralmente há atrasos significativos no envio e recebimento de dados. Ao estar mais perto do nosso planeta e redes juntos, em altura orbital final de cerca de 550 km, os satélites Starlink operam com vantagem em relação aos satélites tradicionais. Os satélites Starlink foram projetados para transportar grandes quantidades de informação rapidamente para qualquer ponto da Terra, mesmo sobre os oceanos e em lugares extremamente difíceis de alcançar, onde os cabos de fibra óptica seriam caros para se estabelecer. Em vez de enviar sinais de internet através de cabos elétricos, que devem ser fisicamente estabelecidos para alcançar lugares distantes, a internet via satélite funciona enviando informações através do vácuo do espaço, onde viaja 47% mais rápido do que nos cabos de fibra óptica, informou o Business Insider. Segundo Mark Handley, pesquisador de redes de computadores da University College London, que estudou o Starlink, em entrevista ao Business Insider, cada satélite Starlink está ligado a outros quatro, usando lasers. Nenhum outro satélite que fornece internet faz isso, e é o que os tornaria especiais: eles podem irradiar dados sobre a superfície da Terra quase à velocidade da luz, ignorando as limitações da fibra óptica. A tecnologia laser foi integrada aos satélites Starlink que foram enviados ao espaço a partir de 2021. A SpaceX espera que essa mudança possa permitir que a cobertura da Internet, via satélite, chegue a áreas onde as estações terrestres não podem ser construídas, explicou Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da SpaceX, em 24.agosto.2021, durante o 36o Simpósio Espacial Anual, em Colorado Springs, Colorado, Estados Unidos. “Esta é a nova rede mais emocionante que já vimos em muito tempo. Os satélites Starlink, em funcionamento, podem afetar a vida de potencialmente todos", disse Mark Handley. Para The Clarus Networks Group (2024), “[...] Sua combinação única de cobertura global, resiliência, alta largura de banda, baixa latência e recursos de implantação portátil é incomparável com qualquer sistema de internet via satélite anterior. O Starlink capacita trabalhadores humanitários, equipes de emergência e agências de socorro a manter a conectividade vital e habilitar aplicativos poderosos como telessaúde, educação remota e coordenação em tempo real – mesmo após desastres que prejudicam a infraestrutura. Talvez o mais importante, o Starlink representa um grande passo para reduzir a exclusão digital que deixou tantas comunidades carentes isoladas das imensas oportunidades da era da internet. Ao tornar a Internet de banda larga acessível globalmente, o Starlink pode ser o fio condutor que desbloqueia o desenvolvimento econômico, os recursos educacionais, a inclusão financeira e o progresso socioeconômico geral para aqueles que mais precisam. O impacto humanitário dessa tecnologia é verdadeiramente ilimitado à medida que trabalhamos para criar um mundo mais conectado, resiliente e equitativo." Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: 1.A Space Exploration Technologies Corporation, comumente referida como SpaceX, foi fundada em 2002 por Elon Musk. É uma fabricante americana de naves espaciais, provedora de serviços de lançamento e empresa de comunicações via satélite com sede em Hawthorne, Califórnia. 2.Também conhecido por “ping”, a latência é a diferença de tempo entre o início de um evento e o momento em que os seus efeitos se tornam perceptíveis. Em comunicações, a latência é o tempo em que os dados demoram para serem transferidos de um local para o outro. Quanto maior for a latência, maior é a demora na transmissão de dados e informações. Quanto menor a latência, mais rapidamente os dados são transferidos. 3. Para apresentação de legendas em sua língua nativa nos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa. Fontes: ASTRONOMY. BETZ, Eric. How do spaceX’s Starlink satellites actually work? Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. AUTOEVOLUTION. AGATIE, Cristian. SpaceX To Launch Starlink Mini Portable Dish With Integrated Wi-Fi Router Soon. Disponível em: Acesso em: 12.jul.2024. BUSINESSINSIDER. MOSHER, Dave. Elon Musk just revealed new details about Starlink, a plan to surround Earth with 12,000 high-speed internet satellites. Here's how it might work. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. CDN STAR. O Impacto dos Milissegundos na Conectividade: Como a Latência Afeta a Experiência do Usuário. Disponível em: Acesso em: 07.julho.2024. DIGITALTRENDS. TORBET, Georgina. Musk says Starlink satellite internet now enabled in Ukraine. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. DIGITALTRENDS. MOGG, Trevor. Elon Musk suggests Starlink now has 250K customers. Disponível em: Acesso em: 05.julho.2024. GAZETA DO POVO. SESTREN, Gabriel. Starlink: antenas de internet via satélite doadas por Musk chegam ao RS. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. PC MAG. KAN, Michel. SpaceX: Here's Why Starlink Poses No Orbital Hazard. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. SPACE.COM. PULTAROVA, Teresa; HOWELL, Elisabeth. Inclui contribuições de DOBRIJEVIC, Daisy; MANN, Adam.. Starlink satellites: Facts, tracking and impact on astronomy. Disponível em: Acesso em: 28.jun.2024. SPACE.COM. GOHD, Chelsea.SpaceX paused Starlink launches to give its internet satellites lasers. Disponível em: Acesso em: 02.julho.2024. SPACENEWS. RAINBOW, Jason. SpaceX slams FAA report on falling space debris Danger. Disponível em: Acesso em: 04.julho.2024. THE CLARUS NETWORK GROUP. The Power Of Starlink For Humanitarian Efforts. Disponível em: Acesso em: 19.jul.2024. THE REGISTER. ROBINSON, Dan. Starlink stuffs the internet into a backpack by invitation Only. Disponível em: Acesso em: 12.jul.2024. USAID. Safeguards Internet Access in Ukraine through Public-Private-Partnership with SpaceX. Disponível em: Acesso em: 04.jul.2024. WIKIPEDIA. Latência. Disponível em: Acesso em: 30.jun.2024. YAHOO! TECH. MOGG, Trevor. SpaceX’s Starlink internet service reaches milestone. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024.
- Primeiro homem a superar a velocidade do som em queda livre
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Em 14/10/2024, completou 12 anos da gigantesca façanha do paraquedista austríaco Felix Baumgartner, que no dia 14 de outubro de 2012 quebrou recordes mundiais ao pular de uma cápsula a uma altura de 38.969,4 metros (127.852 pés). Baumgartner foi o primeiro homem a superar a velocidade do som em queda livre. O salto partiu da estratosfera¹, alcançando uma velocidade de 1.357,64 km/h (843.6 mph). No momento em que Felix Baumgartner ultrapassou a velocidade do som, ele estava a uma altitude de cerca de 34 a 36 km (após cerca de 50 segundos de queda). Na referida altitude, a velocidade do som é estimada em torno de 1.100 km/h (683,50 mph), devido às temperaturas extremamente baixas, em torno de -50°C a -60°C. Baumgartner atingiu a velocidade máxima de 1.357,64 km/h, o que equivale a Mach 1,25, ou seja, ele superou a velocidade do som em cerca de 25%. Esse grandioso evento foi acompanhado por 8 milhões de pessoas que assistiram a transmissão via YouTube. Baumgartner participou do audacioso projeto Red Bull Stratos de US$ 20 milhões, que lhe exigiu cinco anos de preparação. No dia do grande feito, antes de realizá-lo, contou com o acompanhamento, apoio e incentivo de Joe Kittinger, um ex-piloto da Força Aérea dos Estados Unidos, então recordista mundial de salto mais alto de paraquedas, ocorrido em 16 de agosto de 1960, no âmbito do projeto Excelsior, ao saltar de um balão de gás hélio em uma altura de 31.300 metros tendo atingido a velocidade máxima de 988 km/h (613,915 mph). Por sua vez, 52 anos depois do recorde de Kittinger, que se mantinha como não superado, Baumgartner subiu em uma cápsula pressurizada, que foi puxada por um balão de hélio, com mais de 180 metros de altura para levá-lo até a estratosfera. A cápsula demorou mais de duas horas para atingir a altura desejada. Para a descida completa, Baumgartner utilizou um traje pressurizado, especialmente projetado para garantir a sobrevivência em um ambiente extremo de frio e baixo oxigênio. Ele atingiu o solo americano do Novo México, em nove minutos (considerando o tempo da queda livre e com o paraquedas aberto). FELIX BAUMGARTNER: SALTO DE PÁRA-QUEDAS A PARTIR DE QUEDA LIVRE SUPERSÔNICA. O projeto Redbull Stratus e a coragem e disciplina de Felix Baumgartner, resultaram em quebra de recordes mundiais, vejamos: Recordes mundiais quebrados Maior balão com um humano a bordo: Um balão gigante, tão alto quanto a Estátua da Liberdade, com cerca de 5.097 m³ (180.000 pés cúbicos) de hélio inserido pela tripulação, antes de seu lançamento até atingir, com sua altitude crescente, a capacidade total de aproximadamente 850.000 m³ (30 milhões de pés³) na altitude de salto. Altitude mais alta sem amarras fora de um veículo: Após despressurizar a cápsula - o ponto sem retorno, Baumgartner pisou na borda da cápsula e saltou em queda livre de uma altitude de 38.969,4 metros (127.852 pés) e levou apenas 9min.09seg. para retornar à Terra, estabelecendo, em 14/10/2012, um novo recorde mundial de salto mais alto de paraquedas. Primeiro humano a quebrar a barreira do som em queda livre: Durante o seu skydive estratosférico, Baumgartner atingiu uma velocidade máxima de 1.357,64 km/h (843,6 mph), atingindo assim a maior velocidade em queda livre, quebrando a barreira do som sem ajuda mecânica. Maior distância em queda livre: Baumgartner caiu em queda livre por uma distância de 36.402 metros (119.431 pés) antes de abrir seu paraquedas Além disso, o evento foi um recorde de audiência: Maior número de visualizações simultâneas para um evento ao vivo no YouTube: 15 câmeras na cápsula de Baumgartner com cinco presas ao seu traje pressurizado, o que proporcionou uma incrível experiência de visualização para aqueles que assistiram à transmissão. Oito milhões de pessoas assistiram à jornada de Felix para o espaço e o pulo de volta à Terra. A audiência teria sido ainda maior, mas a demanda pesava as capacidades do servidor do YouTube. A cápsula Red Bull Stratos agora faz parte da coleção permanente do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian e está em exibição no Steven F. Udvar Hazy Center em Chantilly, Virginia, Estados Unidos. A missão alcançou muitos marcos de inovação científica, como o desenvolvimento e a validação de inovações em trajes de pressão e paraquedas pessoais; o desenvolvimento de novos protocolos de tratamento médico, incluindo um protocolo para a condição de ebulismo², visando se tornar o novo padrão de tratamento; e a introdução de um sistema de paraquedas reefed³ para a tarefa de recuperação de carga útil em grandes altitudes, oferecendo benefícios potenciais para passageiros e carga. A missão de Felix Baumgartner , patrocinada pela Red Bull, não apenas cativou o mundo pela audácia e precisão do salto, mas também demonstrou os limites da resistência humana e das tecnologias aeroespaciais. Dois anos depois, em 24 de outubro de 2014, Alan Eustace, um executivo do Google, quebrou o recorde de Baumgartner ao saltar de paraquedas em queda livre, de uma altitude ainda maior, 41.422 metros (135.898 ft). No entanto, longe de diminuir a importância da conquista de Baumgartner, o salto de Eustace foi possível, em parte, graças às lições aprendidas com o projeto Red Bull Stratos. Por Luiz Cincurá. luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: ¹ A estratosfera é a segunda maior camada da atmosfera terrestre, situada entre a troposfera e a mesosfera, se estende, aproximadamente, em seu limite inferior, de 10 km (nos polos) a 15 km (nos trópicos) e com limite superior de aproximadamente 50 km de altitude, a partir da superfície e abriga a camada de ozônio. O significado da palavra estratosfera vem do latim stratum, que quer dizer camada. A estratosfera concentra 19% dos gases da atmosfera, é a segunda camada mais próxima da Terra, possui pouco vapor d'água em sua composição e quase não apresenta nuvens. A estratosfera é rica em gás ozônio e pobre em gás oxigênio. Os aviões supersônicos e os balões meteorológicos voam no espaço da estratosfera. ² Um limite absoluto de altitude para o homem desprotegido pode ser colocado em 18.900metros, altitude na qual a pressão barométrica é igual a 47 mmHg. A tensão de vapor d"água à temperatura corporal é também 47 mmHg. Os efeitos decorrentes da ultrapassagem do limite de altitude suportável para o homem, podem ser atribuídos ou à anoxia ou à pressão reduzida resultante em vaporização dos líquidos teciduais e expansão dos gases corporais, condição por vezes denominadas ebulismo, ou síndrome de ebulismo. Obviamente, a sobrevivência do homem desprotegido seria muito breve, pois as passagens respiratórias tornam-se cheias de vapor d'água, condição em que a respiração é completamente ineficaz. As cabines pressurizadas nas aeronaves e os trajes completos de pressão, eliminam esse risco. ³ Um sistema de paraquedas reefed é um tipo de paraquedas que é parcialmente "restrito", durante sua abertura inicial para controlar a taxa de inflação. Ele utiliza um cabo ou anel que mantém as linhas do paraquedas parcialmente fechadas quando ele se abre, permitindo que o paraquedas se infle gradualmente em vez de de uma vez só. Esse processo ajuda a reduzir as forças de choque que o paraquedista experimenta ao abrir o paraquedas em alta velocidade, o que é especialmente útil em saltos de grandes altitudes, como no caso de Alan Eustace e Felix Baumgartner. O uso de um sistema de paraquedas reefed é comum em operações de queda livre em que a desaceleração precisa ser mais gradual para evitar danos ao equipamento ou ao corpo do paraquedista. Fontes: GUINESS WORLD RECORDS. Felix Baumgartner: First person to break sound barrier in freefall. Disponível em Acesso em 11.out.2024. MAGALHÃES, Lana. Estratosfera. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/estratosfera/. Acesso em: 12 out. 2024. NATIONAL AIR AND SPACE MUSEUM. A Decade Since the Long Fall from Red Bull Stratos. Disponível em: Acesso em: 12.out.2024. OpenAI. Resposta obtida no ChatGPT sobre reefed. Disponível em Acesso em 13.out.2024. REDBULL. Red Bull Stratus. Disponível em Acesso em 11.out.2024. SUPERINTERESSANTE SUPERBLOG. BECATTINI, Natália. Austríaco quebra recordes ao saltar da estratosfera. 15.out.2012. THE LIGHTER-THAN-AIR SOCIETY. Final Data released from Felix Baumgartner’s Supersonic Freefall. Disponível em: < https://www.blimpinfo.com/uncategorized/final-data-released-from-felix-baumgartners-supersonic-freefall/> Acesso em: 12.out.2024. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. INSTITUTO DE FÍSICA. STENSMANN, Berenice Helena Wiener. Problemas Fisiológicos de Ambientes Incomuns: Atividades Espaciais e Submarinas. Disponível em: Acesso em: 12.out.2024.
- O supersônico Alan Eustace, recordista mundial em queda livre
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá "Muito já foi dito sobre a coragem, humildade e generosidade de espírito de Alan Eustace (tudo isso é verdade) no chão, no céu e até mesmo no espaço. Não sei como prefaciar este perfil de um dos maiores do nosso esporte. Então vou deixar por aqui — ele é um dos maiores do nosso esporte.” James Hayhurst, paraquedista Em 14.outubro.2012 o paraquedista austríaco Felix Baumgartner tornou-se recordista mundial do salto mais alto já realizado por um ser humano. Ao pular de uma cápsula da impressionante altitude de 38.969,4 metros (127.852 pés), ele caiu em queda livre por uma distância de 36.402 metros (119.431 pés), antes de abrir o seu paraquedas. Baumgartner atingiu a velocidade máxima de 1.357,64 km/h (843.6 mph), tendo ultrapassado a velocidade do som com velocidade mach de 1,25, se tornando o primeiro homem supersônico do planeta, em queda livre, sem ajuda mecânica. Tão impressionante quanto o recorde de Baumgartner, que parecia insuperável por muitos anos, foi a velocidade em que o seu recorde mundial de salto mais alto foi quebrado. Apenas dois anos depois, em 24 de outubro de 2014, Robert Alan Eustace, um executivo do Google de 57 anos, quebrou o recorde de Felix Baumgartner, ao cair, da estratosfera¹, de uma altitude ainda maior, 41.422 metros (135.898 pés), tendo percorrido uma distância de 37.623 metros (123.235 pés), antes de abrir o seu paraquedas. ROBERT ALAN EUSTACE Embora a altitude de queda de Eustace tenha sido maior, a velocidade máxima alcançada foi menor do que a alcançada por Baumgartner, mas indiscutivelmente, também muito impressionante, pois Alan Eustace atingiu a velocidade máxima de 1.322 km/h (821 mph), tendo também ultrapassado a barreira do som, com velocidade mach de 1,23 se tornando o segundo homem supersônico do planeta, em queda livre, sem ajuda mecânica. Conforme vimos, mesmo caindo de uma altitude maior, Eustace não atingiu a mesma velocidade que Baumgartner, que mantém consigo o recorde mundial de velocidade em queda livre. Diferenças na postura de queda, design do traje espacial e aerodinâmica explicam essa aparente contradição: Diferenças na posição do corpo durante a queda: Baumgartner: Durante a queda, ele inicialmente entrou em um giro descontrolado, mas sua postura aerodinâmica, com o corpo mais reto e braços colados ao longo do tempo, favoreceu a aceleração. Eustace: Usava um traje espacial volumoso com um sistema de suporte vital acoplado, o que aumentava o arrasto e limitava movimentos e a aceleração. Diferença no traje e aerodinâmica: Eustace: o traje espacial era mais rígido e possuía um design menos aerodinâmico. Isso pode ter aumentado o atrito com o ar e reduzido a velocidade máxima atingida. Baumgartner: o traje espacial foi desenvolvido pela Red Bull Stratos, foi projetado para reduzir o arrasto e permitir uma queda mais rápida. Para quem não conheceu os caminhos percorridos por Eustace e sua façanha, parece confuso entender esse feito extraordinário. Olhando apenas pelo prisma de sua formação e atuação profissional, realmente seria difícil enxergar Eustace em uma missão imensamente desafiadora e arriscada a que se propôs realizar. Eustace obteve graduação pela Universidade da Flórida Central, USA. Além do Bacharelado, também é Mestre e Doutor em Ciência da Computação. Na época do feito supersônico, Eustace era Vice-Presidente Sênior de Conhecimento do Google, um homem vinculado ao desenvolvimento e organização de sistemas complexos, que liderava projetos em inteligência artificial, machine learning e pesquisas avançadas em arquitetura de sistemas distribuídos. Considerando a sua rotina profissional e, estando de licença do ambiente corporativo, imagine Eustace, então Vice-Presidente de Conhecimento do Google, ser procurado, no dia do salto, por um desavisado executivo de outra empresa e receber a seguinte resposta: - Alan Eustace não se encontra no Google, hoje ele está distante, mas não tardará a estar de volta, pois fará uma descida livre estratosférica supersônica e em seguida abrirá o seu paraquedas, retornando ao planeta Terra. Essa inusitada, cômica e fantasiosa situação, embora irreal, poderia, de alguma forma, ilustrar o desconhecimento de que, Eustace, era, e continua sendo, muito mais que um Cientista da Computação. A discrição com que Eustace abraçou o Projeto Científico realizado dentro do Programa Stratosferic Explorer (StatEx), possivelmente, dificultou o entendimento para as pessoas em geral, de como ele conseguiu alcançar esse fantástico feito científico. O feito de Eustace teve, enfatize-se, uma substancial diferença do feito de Baumgartner, pois ele subiu à estratosfera vestido com o seu traje espacial, amarrado às costas por um balão expansível contendo gás hélio, sem estar protegido por uma cápsula, simplesmente porque a não inclusão de uma cápsula no projeto era um dos grandes desafios que se desejava superar. QUEDA LIVRE DO ESPAÇO: FONTE: CNN. ILUSTRAÇÃO DE ALTURAS E TEMPERATURAS DE QUEDAS LIVRES DE EUSTACE E BAUMGARTNER Eustace saltou de uma altura que os aviões não conseguem alcançar: o ar na estratosfera é muito rarefeito para mantê-los no ar. Como o projeto não previa a utilização de uma cápsula oxigenada e pressurizada como a que Baumgartner usou, foi necessário desenvolver um traje espacial inovador. A ILC Dover, que desenvolveu o traje utilizado por Eustace, também teve que garantir que o traje pudesse suportar tanto o calor intenso do deserto do Novo México, onde Eustace decolou, quanto o frio extremo que ocorre mais próximo do limite superior da estratosfera, onde as temperaturas podem cair até -123,8° Fahrenheit (-51° Celsius). "É o primeiro traje que foi resfriado e aquecido", disse Eustace. "A maioria dos trajes é resfriada para coisas como caminhadas espaciais e caminhadas na lua. Mas este traje tinha que ser resfriado no chão e aquecido no ar”. Voltando a comentar sobre a dificuldade de entender como foi possível, um alto executivo do Google quebrar um recorde mundial de salto mais alto, realizado da estratosfera, agora é o momento de esclarecer que o feito extraordinário alcançado não foi resultado de uma aventura qualquer. Pelo contrário, Eustace e sua equipe não eram principiantes. Eustace, além de Cientista da Computação, na época do salto estratosférico, estava com 57 anos e era piloto há 25 anos, com habilitação em várias aeronaves e também, na ocasião, já era um experiente paraquedista. Por outro lado, sua equipe era formada por empresas e profissionais altamente especializados, conforme veremos a seguir. O Projeto científico e espacial de Alan Eustace foi realizado dentro do Programa Stratospheric Explorer (StatEx), cujo objetivo era desenvolver um sistema de trajes espaciais e de recuperação autônomos que permitisse a exploração tripulada da estratosfera acima de 30.480 metros (100.000 pés). A Paragon Space Development Corporation, que atuou tecnicamente no design e produção de sistema de suporte de vida com o terno espacial, atuou no projeto principal do sistema completo de lançamento, rastreamento, recuperação, pouso e suporte. Desenvolvimentos específicos incluíram sistemas exclusivos de lançamento de balões, integração e teste do sistema de recuperação de drogue e paraquedas, testes e treinamento terrestres e aéreos, sistemas de comunicação, coordenação e treinamento geral de operações de missão, projeto de sistemas de controle de missão e, finalmente, execução de toda a operação da equipe. Também participaram desse audacioso projeto: ILC Dover: responsável pelo projeto, desenvolvimento e produção do traje avançado de pressão de mergulho espacial que serviu como a única barreira de Alan para o ambiente hostil em todas as fases da missão. Juntamente com o sistema de suporte de vida projetado e construído por Paragon, o traje de pressão forneceu o ambiente contido que lhe permitiu sobreviver à atmosfera superior e realizar ações necessárias para uma descida segura. Cobham Mission Systems: forneceu à Paragon a pressurização do traje espacial e os componentes de gás de respiração de oxigênio que foram integrados no sistema de suporte de vida do traje. United Parachute Technologies: foi responsável pelo projeto e fabricação dos sistemas de recuperação (drogue, paraquedas), bem como pelo treinamento de voo da Alan e dos paraquedistas de segurança. ADE Aerospace LLC: forneceu a equipe médica e o treinamento necessário para a StratEx. Dado os riscos únicos assumidos em um voo nessas altitudes e o local remoto para atividades de voo, a ADE foi encarregada de fornecer uma equipe de resposta médica que poderia lidar com uma emergência médica em qualquer fase do voo. Riscos únicos a considerar incluem mais do que apenas o trauma de pouso em caso de falha de paraquedas - altas taxas de rotação em queda livre, descompressão ou ebulição em altas altitudes, exposições toxicológicas e de queimaduras em caso de autônomo ou falha de suporte à vida foram todos os riscos de alta prioridade que exigiam avaliação e planos de manejo no campo. Também forneceram contribuições importantes ao projeto, TIRF Baloon Facilities, Aerowestern Helicopters, Win Aviation, Nauticos, LLC (Dr.David Jourdan), LLC Dr. Jonathan Clark, M.D .; Julian Nott; Sreenivasan Shankarnarayan; Don Day; e World View Enterprises, Inc. Jerry Kolber, Atomic Entertainment; James Hayhurst, US Parachute Association; Window Light Production, LLC; Roswell Fire Department; Ahern Fire Department; ModSpace; Matheson, Roswell International Air Center; Vigil America Inc., LLC; Ft. Worth MIDO; Lubbock FSDO; Albuquerque ARTCC; Ft. Worth ARTCC; Centro de Serviços CSA; e Escritório de Transporte Espacial Comercial da FAA. Como vimos, a equipe de Alan Eustace era formada por empresas e profissionais altamente especializados, o que o manteve, apesar dos riscos, confiante e motivado para dar seguimento a todas as etapas desse grandioso projeto. TRÊS RECORDES MUNDIAIS RECONHECIDOS PELA FAI – FEDERAÇÃO AERONÁUTICA INTERNACIONAL O primeiro recorde mundial de Eustace, reconhecido pela FAI, aconteceu assim que o Controle da Missão apertou o botão que desvinculou Eustace do balão de gás hélio, permitindo-o iniciar a queda livre. Primeiro registro: Exit Altitude 41.422m. Depois daquela ascensão serena, de repente a terra estava correndo em direção a ele. Eustace estava acelerando rapidamente. Ele quebrou a velocidade do som depois de apenas 35 segundos. Depois de 51 segundos, ele atingiu sua velocidade máxima, 1.320 km por hora. Segundo recorde: Velocidade Vertical Máxima com drogue². O drogue foi absolutamente essencial para o sucesso de Eustace. Como Joseph Kittinger e sua equipe descobriram durante os saltos de paraquedas de alta altitude do projeto Excelsior, um paraquedas de drogue para a estabilidade poderia – e ainda salva – a vida de inúmeros paraquedistas, impedindo-os de entrar em uma rotação de alta velocidade. Eustace navegou para a terra em queda livre por 37.623 metros, antes de ativar seu sistema de paraquedas. Quatro minutos e 27 segundos depois de ser liberado do balão, ele pousou em segurança, a pouco mais de 100 km de onde ele foi lançado. Terceiro registro: Distância de Queda com um Drogue. Na verdade, o salto de 24 de outubro foi agendado como o terceiro e último salto. Em 4 de outubro, Eustace subiu para 17,3 km e em 15 de outubro, ele flutuou mais alto do que Kittinger em 1960, para 32,2 km, mas decidiu não divulgar a conquista, em preparação para o terceiro salto. Finalmente Eustace e sua equipe estavam prontos para o grande dia. Este terceiro salto ultrapassou o salto de paraquedas de alta altitude feito por Felix Baumgartner em 2012, por 2.452m. O projeto com Felix Baumgartner (Red Bull Stratos) envolveu uma cápsula, um balão significativamente maior e um orçamento substancial. Em comparação, o projeto autofinanciado de Alan Eustace com sua equipe de especialistas, manteve a simplicidade como um valor central, alertando a mídia somente após o salto ter sido bem-sucedido. A imprensa não participou do recorde de Alan Eustace porque o evento foi mantido em segredo intencionalmente até sua conclusão. Diferente do salto de Felix Baumgartner em 2012, que teve grande cobertura midiática patrocinada pela Red Bull, Eustace e sua equipe optaram por uma abordagem mais discreta. Além de muito corajoso e determinado, Eustace foi altamente despreendido, pois, embora estivesse confiante na capacidade técnica de sua equipe, sabia que existiam riscos na execução do projeto, mas manteve-se firme até os momentos decisivos de subida e queda. Eustace foi "içado" em Roswell, Novo México, Estados Unidos, por um balão com gás hélio até a altura de 41.422 metros (135.898 pés) e foi desconectado do mesmo balão, caindo em queda livre como uma espaçonave humana, tendo percorrido uma distância de 37.623 metros (123.235 pés), antes de abrir o seu paraquedas, estabelecendo um novo recorde mundial. A incrível e espetacular performance de Eustace está registrada no filme 14 minutes from Earth, documentário de 2016 com 1 hora e 24 minutos de duração, dirigido por Jerry Kolber, Adam "Tex" Davis, Trey Nelson e Erich Sturm. FONTE: RODRIGO UNGO. ALAN EUSTACE STRATOSPHERE WORLD RECORD JUMP (EXTENDED) Em vez de se concentrar no aspecto de celebridade de outros feitos espaciais de alto perfil, o "14 Minutes from Earth" investiga as motivações, medos e otimismo implacável de todos os envolvidos, desde os engenheiros e a equipe de apoio até os membros da família que assistiam, apreensivamente, enquanto seu ente querido arriscava tudo pelo desafio de superação de limites e pelo avanço científico. 14 MINUTES FROM EARTH OFFICIAL TRAILER (2016) - FONTE: ATOMIC ENTERTAINMENT GROUP Foram três anos de preparação desde o momento em que Alan Eustace fez os seus primeiros rabiscos em um guardanapo, expondo suas ideias iniciais sobre o pretenso projeto, até o momento da exitosa subida, puxado por um balão com gás hélio, até a queda livre da estratosfera, abertura do paraquedas e chegada seguro no solo terrestre, pousando cerca de 100 km distante do ponto de decolagem, devido à influência dos ventos durante sua descida. Muito mais do que uma aventura arriscada, o projeto StatEx gerou avanços científicos valiosos, que, sem dúvida, serão muito úteis para novas missões espaciais, vejamos alguns deles: I. O Projeto StatEx demonstrou que um ser humano pode sobreviver e realizar operações na alta atmosfera sem necessidade de uma cápsula pressurizada, o que pode reduzir custos e facilitar operações espaciais comerciais. A missão provou que trajes avançados podem substituir parcialmente cápsulas pressurizadas, abrindo caminho para futuras missões espaciais mais eficientes e acessíveis. II. O salto permitiu estudar a forma como um corpo protegido apenas por um traje espacial especial interage com a reentrada na atmosfera. III. A missão testou radicalmente a reação do corpo humano a temperaturas extremas, com o apoio apenas de equipamentos vitais, pois na estratosfera a temperatura oscila bastante, chegando ao extremo negativo de -51°C, com quase nenhum oxigênio e radiação solar intensa. IV. Foram coletadas informações sobre estabilidade de queda, resistência do traje e como minimizar riscos de desorientação e rotação descontrolada. V. A tecnologia do traje pode ser adaptada para sistemas de resgate em alta altitude, beneficiando pilotos e astronautas em emergências. O projeto não teve patrocínios de grandes marcas ou interesses comerciais diretos, pois o foco seria desenvolver e testar novas tecnologias aeroespaciais, e não criar um espetáculo midiático. Foi dado foco total no evento, com atenção máxima da equipe, sem interferências externas, priorizando a ciência e a segurança, já que a missão envolvia perigos extremos. O resultado foi um recorde impressionante e uma conquista significativa para a tecnologia aeroespacial. Em 15.abril.2015, o prêmio Laureus consagrou Alan Eustace como personalidade esportiva do ano 2015 (categoria esportes de ação). O Laureus World Sports Awards homenageia, reconhece e celebra anualmente os maiores atletas do mundo, um grupo único de lendas do esporte, cada uma das quais atingiu o mais alto nível de conquista e criou muitos dos momentos mais icônicos do esporte. Entusiasmado com a experiência e as conquistas científicas do exitoso projeto StatEx, do qual foi protagonista exemplar, Eustace inicialmente tinha grandes planos para quebrar mais recordes utilizando o traje espacial, que poderia ser usado para balonismo de alta altitude, planador ou sailplane / plandrive. Contudo Eustace, pai de três filhos, conversou com a sua esposa, Kathy Ann Kwan sobre novos desafios: “Minha esposa tem planos de que eu não faça mais nenhuma dessas coisas”, Eustace disse logo após dar uma palestra no TED sobre sua experiência. “Não tenho mais permissão para fazer nada que seja considerado “extremamente perigoso”. Estávamos apenas negociando o que significaria “extremamente perigoso.” Na perspectiva do determinado e corajoso Eustace, o “extremamente perigoso” mudou de patamar, o que significaria mais riscos, mas, ao que parece, seguindo os conselhos de sua esposa, finalmente ele doou o seu traje espacial para o Smithsonian US National Air e Space Museum e o seu anexo Steven F. Udvar-Hazy Center em Chantilly, Virginia, USA, onde é mantido em uma atmosfera controlada. Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: ¹ A estratosfera é a segunda maior camada da atmosfera terrestre, situada entre a troposfera e a mesosfera, se estende, aproximadamente, em seu limite inferior, de 10 km (nos polos) a 15 km (nos trópicos) e com limite superior de aproximadamente 50 km de altitude, a partir da superfície e abriga a camada de ozônio. O significado da palavra estratosfera vem do latim stratum, que quer dizer camada. A estratosfera concentra 19% dos gases da atmosfera, é a segunda camada mais próxima da Terra, possui pouco vapor d'água em sua composição e quase não apresenta nuvens. A estratosfera é rica em gás ozônio e pobre em gás oxigênio. ² Um paraquedas drogue é um pequeno paraquedas que desacelera um objeto em movimento rápido, como uma aeronave, nave espacial ou paraquedista. O paraquedas drogue ajudou Alan Eustace a manter a estabilidade e o controle durante seu salto de paraquedas de alta altitude e também o impediu de entrar em um giro de alta velocidade. Fontes: BUSINESS INSIDER. A 57-year-old Google engineer performed the highest human free-fall, jumping from 135,890 feet up in the stratosphere. A documentary on Netflix reveals how he did it. Disponível em: Acesso em: 08.março.2025. CHAT GPT. Resposta obtida sobre Alan Eustace, sua queda livre estratosférica e benefícios científicos. Acessos em: 15.fev.2025 e 08.março.2025. FÉDÉRATION AÉRONAUTIQUE INTERNATIONALE. Yet to be beaten: Alan Eustace’s high altitude parachute jump records still stand, 10 years on. Disponível em: Acesso em: 12.fev.2025. GOOGLE GEMINI. Resposta obtida no Google Gemini sobre Drogue Parachute. Acesso em: 12.fev.2025 HPS ALLIANCE. Exploring the Stratosphere: Alan Eustace’s Record-Breaking Jump. Disponível em: Acesso em: 14.fev.2025. LAUREUS. The Laureus World Sports Awards honours. Disponível em: Acesso em:09.março.2025. LUCHIARI PARAQUEDISMO. O recorde discreto e alucinante de Alan Eustace. Disponível em: Acesso em: 19.fev.2025. ORLANDO SENTINEL. Google exec remembers growing up in Pine Hills. Disponível em: Acesso em: 13.fev.2025. PARACHUTIST. Profiles: Alan Eustace. Disponível em Acesso em: 09.março.2025. PARAGON – SPACE DEVELOPMENT CORPORATION. Alan Eustace and the Paragon StratEx Team make stratospheric exploration history at over 135,000 feet. Disponível em: Acesso em: 14.fev.2025. VICE. Follow this Google Scientist Being Dropped Through the Stratosphere. Disponível em: Acesso em: 24.fev.2025. VOX. Alan Eustace on Jumping From the Stratosphere and Life After Google. Disponível em: Acesso em: 23.fev.2025. WATCH NOW. Watch 14 Minutes From Earth. Disponível em: Acesso em: 07.março.2025.
- A inovadora córnea em 3D que poderá recuperar a visão de cegos por opacidade corneana.
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Em 29 de outubro de 2025, no Rambam Health Care Campus, em Haifa, Israel, um procedimento médico silencioso marcou um dos avanços mais significativos da oftalmologia moderna: o primeiro transplante bem‑sucedido de uma córnea totalmente bioimpressa em 3D, criada inteiramente a partir de células humanas cultivadas em laboratório. A paciente, legalmente cega de um dos olhos, recuperou a visão após receber o implante PB‑001, desenvolvido pela empresa israelense‑americana Precise Bio, especializada em medicina regenerativa e biofabricação de tecidos. O feito não surgiu do acaso. Segundo a Precise Bio, o transplante é resultado de mais de uma década de pesquisa multidisciplinar envolvendo biologia celular, biomateriais e bioimpressão 3D — um esforço que começou ainda nos anos 2010, quando a empresa foi fundada por Aryeh Batt e pelo renomado pesquisador Anthony Atala, diretor do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, nos Estados Unidos. A companhia não divulga valores totais de investimento, mas descreve o projeto como fruto de “anos de desenvolvimento científico e clínico”, sustentado por infraestrutura própria de biofabricação instalada no Sheba Medical Center, próximo a Tel Aviv. A inovação parte de um princípio que pode redefinir o futuro dos transplantes: uma única córnea humana doada pode gerar até 300 implantes bioimpressos, graças à expansão celular e à impressão camada por camada que recria a estrutura transparente do tecido corneano. O processo é realizado em ambiente GMP (Good Manufacturing Practice), onde células corneanas são isoladas, cultivadas e organizadas em uma arquitetura tridimensional precisa, capaz de integrar‑se ao olho humano e restaurar a função óptica. O transplante realizado em Haifa, Israel, faz parte de um ensaio clínico de fase 1, que prevê incluir entre 10 e 15 pacientes com doenças endoteliais da córnea. O objetivo inicial é avaliar segurança, tolerabilidade e primeiros sinais de eficácia. Os resultados preliminares devem ser divulgados no segundo semestre de 2026. Até agora, apenas uma paciente recebeu o implante, mas a resposta clínica foi considerada positiva pelos cirurgiões. Biologically Printed Cornea – Implanted in a Woman Suffering From Blindness. Fonte: Rambam HCC O oftalmologista Michael Mimouni, diretor da Unidade de Córnea do Rambam e responsável pela cirurgia, descreveu o momento como “um marco histórico” e “um vislumbre de um futuro em que ninguém precisará viver na escuridão por falta de tecido doador. A declaração ecoa um problema global: estima‑se que, para cada 70 pessoas que necessitam de transplante de córnea, apenas uma córnea doadora esteja disponível — um déficit que afeta mais de 13 milhões de pacientes no mundo. A repercussão internacional foi imediata. Nos Estados Unidos, o North Carolina Biotechnology Center classificou o procedimento como “um ponto de virada para a oftalmologia regenerativa” e destacou que o PB‑001 é o primeiro implante funcional de córnea bioimpressa já utilizado em um ser humano. Na Ásia, veículos como o Times of India ressaltaram que o avanço pode inaugurar uma era de implantes “prontos para uso”, com qualidade consistente e possibilidade de criopreservação prolongada, superando limitações logísticas e biológicas das córneas humanas tradicionais. A Europa também acompanha o movimento. Pesquisadores da Suíça, Holanda e Alemanha desenvolvem modelos alternativos de córneas bioimpressas, alguns autoadesivos e baseados em hidrogéis de colágeno e ácido hialurônico, mas nenhum deles chegou ainda à aplicação clínica em humanos — o que reforça o pioneirismo israelense. Apesar do entusiasmo, especialistas mantêm cautela. Ainda não se sabe quanto tempo o implante bioimpresso permanecerá funcional, já que córneas humanas doadas podem durar até três décadas. Também não há dados consolidados sobre riscos de rejeição ou complicações a longo prazo. A paciente tratada em Israel recuperou a visão após o procedimento, mas o tempo exato entre a cirurgia e a melhora visual não foi detalhado pelas fontes internacionais. Mesmo assim, o impacto simbólico e científico é inegável. Como afirmou Aryeh Batt, CEO da Precise Bio, “imagine um mundo onde uma única córnea doadora possa dar origem a centenas de implantes cultivados em laboratório, transformando escassez em abundância”. Se os resultados clínicos confirmarem o potencial observado no primeiro transplante, a córnea 3D bioimpressa poderá inaugurar uma nova era — não apenas para Israel, mas para a medicina global. Nota: Para apresentação de legendas em sua língua nativa dos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa. Fontes: North Carolina Biotechnology Center. (USA). Neal, Kathy. First 3D-bioprinted corneal transplant marks early milestone for Triad’s Precise Bio. Disponível em: Acesso em 19.dez.2025. VoxelMatters. (UK). Wakefield, Edward. Israeli surgeons implant world’s first 3D bioprinted cornea. Disponível em: Acesso em: 19.dez.2025. Rambam Health Care Campus (Israel) – comunicado institucional sobre o transplante Disponível em: https://www.rambamhcc.com/ Acesso em 19.dez.2025. Times of India. How world’s first 3D printed cornea restored a 70-yr-old’s vision. Disponível em: Acesso em 19.dez.2025.
- Pesquisa japonesa pretende fazer nascer novos dentes em adultos
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá A ideia de fazer nascer um novo dente em adultos — algo que até pouco tempo atrás parecia ficção científica — está se tornando uma possibilidade real graças a um estudo clínico conduzido no Japão. Bandeira do Japão, Monte Fuij e flores de cerejeiras Ao contrário de répteis e peixes, que geralmente substituem suas presas regularmente, é amplamente aceito que humanos e a maioria dos outros mamíferos desenvolvem apenas duas dentições. De acordo com a pesquisa, escondidos sob nossas gengivas estão os brotos dormentes de uma terceira geração. A pesquisa, que entrou oficialmente em fase de testes em humanos, promete inaugurar uma nova era na odontologia regenerativa, oferecendo uma alternativa biológica aos implantes dentários. Em vez de substituir o dente perdido com materiais artificiais, o objetivo é estimular o próprio corpo a produzir um novo dente, como se recuperássemos a capacidade natural de “trocar” dentes ao longo da vida. O estudo está sendo realizado no Kyoto University Hospital, um dos centros médicos mais respeitados do Japão, conhecido por sua forte atuação em pesquisas clínicas avançadas. A liderança do projeto está nas mãos do Dr. Katsu Takahashi, cirurgião bucomaxilofacial e chefe de Cirurgia Oral do Medical Research Institute Kitano Hospital, em Osaka. Takahashi é reconhecido internacionalmente como um dos pioneiros da regeneração dentária, e seu grupo de pesquisa vem investigando, há anos, os mecanismos biológicos que controlam o desenvolvimento dos dentes. A inovação central do estudo é o medicamento TRG‑035, um anticorpo monoclonal administrado por via intravenosa. Ele atua bloqueando a proteína USAG‑1, que funciona como um “freio” natural para o crescimento de dentes adicionais. Antes de passar para os testes em humanos, pesquisadores realizaram extensos testes em camundongos e furões para testar a eficácia e segurança do TRG-035. Os testes mostraram que, ao inibir essa proteína, brotos dentários adormecidos podem ser ativados, resultando no crescimento de um novo dente completo — com raiz, esmalte e estrutura funcional. Tais resultados animadores levaram à criação de uma startup japonesa de biotecnologia dedicada a transformar a descoberta em um tratamento clínico. Os testes clínicos começaram em outubro de 2024, após aprovação ética no Japão, embora a data exata do parecer não tenha sido divulgada publicamente. A fase atual, chamada fase I, envolve 30 homens adultos entre 30 e 64 anos, todos com pelo menos um dente ausente. O objetivo desta fase não é provar eficácia, mas sim avaliar a segurança do medicamento, sua tolerabilidade e a dosagem adequada. Até o momento, não há relatos de pessoas que já tenham regenerado dentes — isso será investigado nas fases seguintes, caso a fase I confirme que o tratamento é seguro. Os resultados pré-clínicos são bastante promissores. Em animais, o TRG‑035 induziu o crescimento de dentes funcionais sem efeitos colaterais graves. A consistência dos resultados, somada ao fato de que anticorpos semelhantes já são usados com segurança em tratamentos de osteoporose, reforça a confiança dos pesquisadores na continuidade do estudo. Drug to regrow teeth may be on market by 2030 | NewsNation Live Especialistas internacionais, como o professor Angray Kang, da Queen Mary University of London, afirmam que o grupo japonês está “liderando o caminho” e que a abordagem é “plausível e promissora”, mas não é uma "corrida curta", pois envolve seguidas "ultramaratonas". Chengfei Zhang, professor clínico de endodontia na Universidade de Hong Kong, comentou que o método é "inovador e tem potencial", mas pediu cautela, citando que os resultados dos estudos em animais nem sempre se aplicam diretamente aos humanos. Ele também questionou se os novos dentes recém-crescidos poderiam igualar a funcionalidade e a aparência dos dentes naturais. Um confiante Takahashi argumenta que a localização de um novo dente na boca pode ser controlada, senão determinada com precisão, pelo local da injeção do medicamento. E se crescer no lugar errado, pode ser movido por meio de ortodontia ou transplante, disse ele. Ainda não se sabe quanto tempo levará para que um novo dente apareça em humanos após a administração do medicamento. Nos animais, o processo levou semanas a meses, mas em humanos — cuja formação dentária é mais lenta — espera-se um intervalo maior, possivelmente de vários meses a mais de um ano. Permanecem em avaliação os riscos potenciais, como interferências em vias de sinalização óssea ou crescimento de dentes em posições inesperadas, embora nada disso tenha sido observado nos modelos animais até agora. O investimento total no projeto não foi divulgado pelas fontes internacionais, mas sabe-se que o desenvolvimento envolve uma parceria entre universidades japonesas e uma startup de biotecnologia, indicando financiamento misto público e privado. Até o momento, não há parcerias formais com empresas estrangeiras ou centros de pesquisa de outros países, embora o interesse internacional seja crescente. O estado da arte é claro: o Japão é hoje o único país com um ensaio clínico ativo para regeneração dentária por meio de anticorpos. Estados Unidos, Europa e China acompanham o avanço, mas ainda não possuem estudos clínicos equivalentes. Se as próximas fases confirmarem segurança e eficácia, o tratamento poderá inaugurar uma nova era na odontologia, oferecendo uma alternativa biológica aos implantes dentários e beneficiando milhões de pessoas com perdas dentárias ou condições congênitas. O estudo japonês sobre o “terceiro conjunto de dentes” representa uma das fronteiras mais empolgantes da medicina regenerativa. Embora ainda esteja em fase inicial e longe de se tornar um tratamento disponível ao público, ele já demonstra potencial para transformar radicalmente a forma como tratamos a perda dentária. A ciência ainda precisa responder a muitas perguntas, mas o caminho aberto pelo Dr. Takahashi e sua equipe coloca o mundo diante de uma possibilidade inédita: recuperar dentes perdidos não com próteses, mas com a própria biologia humana. Por Luiz Cincurá. Nota: Para apresentação de legendas em sua língua nativa dos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa. Fontes: CLEVELAND 13 NEWS. PORTIER, Lauren. Japanese Scientists Begin Human Trials for Tooth Regrowth Drug with Goal of 2030 Release. Disponível em: < https://www.cleveland13news.com/> Acesso em: 21.dez.2025. LUMINANCE DENTAIRE. GABEV, Angel. Japanese Scientists Begin Human Trials for Tooth Regrowth Drug. Disponível em: Acesso em: 21.dez.2025. MEDICAL XPRESS. A news report about the start of clinical trials and details of the study with TRG‑035. Disponível em: Acesso em: 21.dez.2025.
- Das missões Apollo até Artemis
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Décadas se passaram desde que o ser humano deixou suas primeiras pegadas na superfície da Lua - um feito da missão Apollo 11, da NASA¹, que redefiniu os limites da ciência, da tecnologia e da própria imaginação humana e que merece ser revisitado. Esse marco extraordinário continua a inspirar gerações e ganha novo significado agora, quando o Programa Artemis da NASA, prepara os próximos passos do retorno humano ao espaço. A Lua, que foi o ponto culminante das missões Apollo, deixa de ser destino final para se tornar, futuramente, uma plataforma estratégica de preparação e aprendizado - o primeiro degrau de uma nova era que projeta a humanidade rumo a Marte. Voltemos, portanto, à missão Apollo 11, para melhor entendimento de toda essa trajetória evolutiva de descobertas espaciais, das missões Apollo até Artemis. Apollo 11: O registro histórico do primeiro ser humano pisando no solo lunar Em 20 de julho de 1969, a espaçonave da missão Apollo 11, da NASA, entrou em órbita da Lua. O veículo era composto por três partes principais: o Módulo de Comando, chamado Columbia, que funcionava como cabine de controle e cápsula de retorno à Terra; o Módulo de Serviço, responsável por energia e propulsão; e o Módulo Lunar, batizado de Eagle, um veículo com motor próprio projetado para pousar na superfície lunar. Após estabelecer a órbita, o Eagle desacoplou-se do conjunto principal da espaçonave e iniciou sua descida controlada até chegar ao solo da Lua. Concluída a visitação e observação direta do solo lunar, por um período de 2h31min os astronautas retornaram à Eagle. Lá permaneceram por 19h05min para organizar as amostras lunares, alimentação, descanso e preparar o veículo para decolagem. Todo esse processo teve a duração de 21h36min. Na decolagem, apenas a parte superior do módulo lunar Eagle — chamada estágio de subida — decolou da superfície para reencontrar o Módulo de Comando Columbia em órbita. A base do Eagle, com suas pernas de pouso e motor de freio para pousar na lua, chamada de estágio de descida, permaneceu na Lua. Depois que os astronautas retornaram ao Columbia, o estágio de subida foi descartado na órbita lunar. Somente o Módulo de Comando onde estavam os astronautas, regressou à Terra e pousou de paraquedas no Oceano Pacífico. Para realizar essa façanha memorável, a Apollo 11 percorreu cerca de 384.000 km com velocidade média aproximada de 5.058 Km/h - do planeta Terra até a órbita da lua - uma viagem de cerca de 3 dias e 4 horas. A tripulação da Apollo 11 era composta de três astronautas: Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. Armstrong e Aldrin desceram à superfície da lua no módulo lunar, enquanto Collins permaneceu no módulo de comando Columbia, orbitando a Lua. Retornando da lua, módulo lunar Eagle se aproxima do módulo de comando Columbia, em órbita lunar, para acoplamento. No alto, ao fundo, vista do planeta Terra. Image Credit: NASA/Michael Collins. O feito histórico foi transmitido ao vivo para cerca de 49 países, alcançando aproximadamente 600 milhões de pessoas - um dos maiores eventos midiáticos já registrados até então. Ao descer do módulo lunar Eagle, o astronauta Neil Armstrong, o primeiro a pisar na lua, pronunciou a frase que atravessaria gerações: “That’s one small step for a man, one giant leap for mankind.” ("Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade"). A frase de Armstrong sintetizou a dimensão histórica da conquista. Não era apenas um pouso. Era a prova de que a humanidade era capaz de ultrapassar seus próprios limites físicos e tecnológicos. Isso em uma época em que os computadores eram menos potentes que uma calculadora científica atual e sistemas de navegação eram baseados em cálculos manuais e instrumentação analógica. Devido a grande dimensão midiática concedida - pelo ineditismo do extraordinário acontecimento - muitos que sequer haviam nascido à época, hoje ainda acreditam que esse feito ocorreu apenas uma única vez. No entanto, embora a Apollo 11 tenha sido a primeira, o pouso lunar foi repetido em outras cinco missões do programa Apollo da NASA, totalizando seis ocasiões diferentes em que astronautas caminharam na Lua, entre 1969 e 1972, conforme podemos ver no quadro abaixo: Missão Astronautas que pisaram na Lua Data do pouso na lua Data de retorno à Terra Apollo 11 2 20 julho 1969 24 julho 1969 Apollo 12 2 19 novembro 1969 24 novembro 1969 Apollo 14 2 5 fevereiro 1971 9 fevereiro 1971 Apollo 15 2 30 julho 1971 7 agosto 1971 Apollo 16 2 21 abril 1972 27 abril 1972 Apollo 17 2 11 dezembro 1972 19 dezembro 1972 Doze homens caminharam sobre o solo lunar nesse curto intervalo de tempo. Desde então, porém, nenhum ser humano voltou à superfície da Lua - um hiato de mais de meio século que agora começa a ser desafiado, por uma nova geração de missões e com novos propósitos. As missões Artemis Quase cinco décadas depois, o Programa Artemis foi criado para retomar e expandir a presença humana além da órbita baixa² da Terra. Contudo, a abordagem atual é diferente da corrida espacial dos anos 1960 - a NASA está construindo um programa sustentado, passo a passo, com tecnologia moderna e parcerias comerciais e internacionais. Missões Artemis/NASA. Credit: SATNow Artemis I: teste sem tripulação (2022) A missão Artemis I foi lançada em 16 de novembro de 2022 usando o novo foguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion. Sem tripulantes, essa missão testou sistemas críticos: lançamento, trajetória para a Lua, órbita lunar e retorno à Terra, percorrendo mais de 2,3 milhões de quilômetros. Compilação de vídeos da NASA, lançamento da Artemis I, apresentada por Digital Astronaut Episode Credits: Directed and Edited by: Jared Belcher Video and Audio provided by NASA Episode Music: “Across the Sea” Composed by Blake Ewing, Performed by Brooke Mitchels. Artemis II: missão tripulada em órbita lunar (2026) A próxima missão, Artemis II está planejada para ter o foguete lançado não antes de 06 de março de 2026, partindo do Kennedy Space Center, Flórida (EUA). Será um voo de cerca de 10 dias com quatro astronautas a bordo da Orion, indo além da órbita terrestre e descrevendo um flyby ao redor da Lua (os astronautas irão circundar a Lua e retornar, sem pousar) antes de voltar à Terra. O objetivo não é pousar na Lua, mas testar sistemas de suporte à vida, comunicações, navegação e operação em ambiente profundo, com tripulação, o que é fundamental para missões posteriores. Isso prepara o terreno para o próximo passo do programa e reduz riscos antes de uma tentativa de pouso. A Artemis II deverá levar cerca de quatro dias para alcançar a Lua e mais quatro dias para realizar o trajeto de volta à Terra. Nesse período, os astronautas seguirão verificando e analisando o desempenho dos sistemas da espaçonave, além de treinar protocolos e simulações de emergências. Ao mesmo tempo, seus organismos serão monitorados para ampliar o conhecimento sobre os efeitos que as viagens espaciais exercem no corpo humano. Artemis II à Lua: Do lançamento ao pouso na água (Animação da missão da NASA). Credit: NASA. Artemis III: pouso lunar (previsto para 2027–2028) As missões Artemis 1 (não tripulada) e Artemis 2 (tripulada, até a órbita lunar) são voos de testes para um novo capítulo da exploração humana no Espaço. A Artemis III está planejada para ser a primeira missão tripulada a pousar na Lua desde Apollo 17 (1972), em 2027 ou 2028. A data pode variar conforme testes e desenvolvimento do módulo de descida lunar. Esta missão usará uma combinação do foguete SLS, da Orion e de um sistema de pouso lunar (Human Landing System), que embarcará os astronautas na superfície lunar. O conjunto de missões Artemis (2022-2028) visa ir além das conquistas do Programa Apollo (1969-1972): não se trata apenas de chegar à Lua, mas de ter uma presença mais constante por lá, de acordo com Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa: “Diferentemente do Apollo, desta vez, quando formos à Lua, queremos ficar. Queremos ter uma presença sustentável na Lua. Queremos poder voltar várias vezes ao longo dos anos, para realmente aprender a viver e trabalhar nesse ambiente que está um pouco mais distante da Terra." Segundo Krishna (2005), em matéria publicada na National Geografic, entender o impacto das viagens espaciais nos astronautas da Artemis será fundamental para uma futura missão à Marte. A cápsula Orion, por si só, já representa um desafio, pois oferece apenas 9,34 m³ de espaço habitável, para quatro astronautas viverem, trabalharem e dormirem por quase dez dias, o que faz do confinamento um objeto de estudo. Cabine da Orion. Credit: NASA Krishna (2005) relata que, segundo Steven Platts, cientista-chefe do Programa de Pesquisa Humana, há três experimentos a bordo, todos com participação voluntária da tripulação. Um deles avalia bem-estar psicológico e padrões de sono em ambiente isolado — dados essenciais, já que a Artemis II será a primeira missão tripulada além da órbita terrestre desde 1972. Outros dois estudos analisam os efeitos fisiológicos do espaço, segundo Krishna (2005). Serão coletadas amostras de sangue e saliva antes e depois da missão para examinar biomarcadores e hormônios. Durante o voo, os astronautas recolherão saliva em papel absorvente especial, permitindo comparação posterior com as amostras pré e pós-missão. A tripulação também fará um teste de obstáculos antes e depois do voo para medir impactos da microgravidade no equilíbrio, coordenação e estabilidade. Será a primeira vez que esse experimento envolverá astronautas que viajaram além da órbita da Terra. A Lua não é o destino final - é o ponto de partida. O programa Artemis foi concebido para estabelecer uma presença humana sustentável no entorno lunar e, a partir daí, preparar o próximo grande salto: levar astronautas à Marte, como confirma Bill Nelson, administrador da NASA: “Com Artemis, vamos explorar a Lua para descoberta científica, avanço tecnológico e aprender a viver e trabalhar em outro mundo enquanto nos preparamos para missões humanas a Marte.” A Lua, portanto, continuará sendo estudada e utilizada como base estratégica para desenvolver as capacidades necessárias a um desafio ainda mais audacioso: a chegada humana a Marte — em um futuro talvez não tão distante. High-TechSociety.com Fundador e Editor: Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: ¹ Criada em 1958, sediada em Washington-DC e com dez centros de campo nos Estados Unidos, a National Aeronautics and Space Administration (NASA) é uma agência independente do governo federal, responsável pelo programa espacial civil dos Estados Unidos e pela pesquisa em aeronáutica e exploração espacial. ² A órbita baixa da Terra (em inglês, Low Earth Orbit – LEO) é a região do espaço situada aproximadamente entre 160 km e 2.000 km de altitude acima da superfície terrestre. É a faixa orbital mais próxima do planeta e a mais utilizada para satélites de observação da Terra, satélites de comunicação, missões tripuladas e estações espaciais. Por exemplo, a International Space Station (ISS) orbita a cerca de 400 km de altitude, dentro da órbita baixa. Fontes: CBS NEWS. Apollo 11 Broadcast Archive. Acesso em: 17.fev.2026. KRISHNA, Swapna. NATIONAL GEOGRAFIC. The farthest journey in human history is about to begin. 2025. Acesso em 19.fev.2026. NASA. Apollo Mission Overview e Apollo History. Acesso em: 17.fev.2026. NASA Artemis: Mission, Objectives, and Sequence of Phases. Acesso em 19.fev.2026. NATIONAL GEOGRAPHIC. Historical Coverage & Analysis. Acesso em: 17.fev.2026. NATIONAL GEOGRAFIC. The farthest journey in human history is about to begin. Acesso em 19.fev.2026. SMITHSONIAN INSTITUTION NATIONAL AIR AND SPACE MUSEUM. Apollo Program Overview. Acesso em: 17.fev.2026 THE NEW YORK TIMES. Historical archive. Acesso em: 17.fev.2026 WIKIPEDIA. Artemis II details: launch, crew, duration and objectives. Acesso em 19.fev.2026. WIKIPEDIA. NASA. Acesso em 21.fev.2026
- Wimbledon 2026 - Parte 1
O Grand Slam mais tradicional do mundo. High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá A edição de 2026 do torneio de Wimbledon teve início nesta segunda-feira, 29 de junho, na cidade de Londres, mais precisamente no tradicional complexo esportivo do All England Club. As partidas começaram a ser disputadas a partir das 11h da manhã no horário local de Londres (BST), marcando o início de mais uma edição. O torneio seguirá ao longo de duas semanas, com encerramento previsto para 12 de julho de 2026, quando serão conhecidos os campeões das chaves de simples masculina e feminina. Durante esse período, o evento reúne os principais nomes do tênis mundial em uma disputa que combina alto nível técnico, tradição e uma atmosfera considerada única dentro do circuito profissional. O que é Wimbledon e por que ele é um Grand Slam Wimbledon é o mais antigo e prestigiado torneio de tênis do mundo, realizado anualmente há quase 150 anos, desde 1877. O torneio foi interrompido apenas durante os períodos das duas guerras mundiais. No tênis profissional, Wimbledon integra o grupo dos chamados Grand Slams, nome dado aos quatro torneios mais importantes do calendário internacional. Essa classificação não se refere apenas ao prestígio histórico, mas também ao fato de que esses eventos oferecem a maior pontuação para os rankings mundiais e concentram a elite do esporte. Os quatro Grand Slams Cada um desses torneios apresenta características próprias, mas Wimbledon se diferencia de maneira marcante por ser o único disputado em quadras de grama natural. Esse fator influencia diretamente o estilo de jogo, tornando as partidas mais rápidas e exigindo dos atletas reflexos mais apurados, precisão nos golpes e adaptação constante ao comportamento da bola no gramado. Tradição e identidade histórica do torneio Ao longo de quase um século e meio de existência, Wimbledon construiu uma identidade única dentro do esporte mundial. Diferentemente de outros grandes eventos esportivos, o torneio mantém até hoje uma forte ligação com suas tradições originais, o que inclui o rigor na manutenção do código de vestimenta predominantemente branco, o cuidado extremo com o gramado e a preservação de protocolos centenários que reforçam seu caráter histórico. Outro elemento marcante é a atmosfera do evento, que combina modernidade e tradição de forma equilibrada. A presença frequente da Família Real Britânica, o consumo tradicional de morangos com creme pelo público e o respeito absoluto ao silêncio durante os pontos são aspectos que ajudam a consolidar Wimbledon como um evento singular no cenário esportivo internacional. Início da competição e organização da programação A programação de Wimbledon 2026 segue o formato tradicional do torneio, com as partidas distribuídas ao longo de duas semanas. Não há uma cerimônia de abertura com apresentações musicais ou espetáculos artísticos, como ocorre em outros grandes eventos esportivos internacionais. A organização mantém um formato mais sóbrio, no qual o foco está inteiramente voltado para o início das partidas e para o protocolo esportivo tradicional. Um torneio que preserva o esporte acima do espetáculo Wimbledon mantém uma filosofia que prioriza o esporte em sua forma mais clássica. Essa característica contribui para que o evento seja frequentemente citado como o mais elegante e tradicional do circuito mundial, reforçando sua posição como um dos pilares históricos do tênis profissional. Na segunda parte desta série especial do High-Tech Society, serão apresentados o formato completo da competição, o número de participantes nas chaves masculina e feminina, o sistema de disputa, os principais favoritos ao título, além de informações sobre como assistir às partidas pela televisão e pelas plataformas de streaming. Por Luiz Cincurá Fundador e Editor High-TechSociety.com Transparência editorial: Este artigo foi produzido com o apoio do ChatGPT nas etapas de pesquisa e organização preliminar do conteúdo. A definição da abordagem editorial, a análise crítica, a revisão técnica e a redação final foram realizadas pelo Editor, responsável final pelo conteúdo publicado. Fontes: Wimbledon. Site oficial do torneio. Acesso em 29.jun.2026. All England Lawn Tennis and Croquet Club.Acesso em 29.jun.2026. ATP Tour – Circuito Mundial Masculino. Acesso em 29.jun.2026 WTA Tour – Circuito Mundial Feminino. Acesso em 29.jun.2026 Federação Internacional de Tênis. Acesso em 29.06.2026. Lawn Tennis Association (LTA). Acesso em 29.jun.2026.











