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- A megaconstelação de satélites Starlink
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Starlink é o nome de uma rede de satélites desenvolvida pela empresa de voos espaciais privados SpaceX, visando inicialmente fornecer internet de baixo custo para locais remotos. O Starlink é ideal para áreas onde a conectividade não é confiável ou é completamente indisponível, mas tem ampliado a oferta de serviços para localidades diversas. Mercados atendidos pelos satélites Starlink Em post publicado em 20.maio.2024 no X (antigo twitter), o CEO da Space X, Elon Musk, informou que o Starlink está conectando mais de 3 milhões de usuários em 99 países, por meio de mais de 6.000 satélites Starlink em órbita, fornecendo internet de alta velocidade. Os satélites Starlink estão sendo usados não apenas por clientes residenciais e empresariais, mas também por companhias aéreas que oferecem serviços de internet a bordo e por navios de cruzeiro, para que os passageiros possam permanecer conectados enquanto estiverem no mar, além de outras aplicações, conforme veremos. Why Starlink's In-flight WiFi is a Game Changer³ - Fonte: Primal Space Eventos como furacões, terremotos, inundações ou incêndios florestais, destroem ou danificam severamente a infraestrutura de telecomunicações terrestre, deixando as comunidades afetadas completamente isoladas do mundo exterior. Com o Starlink, os socorristas podem transportar e configurar rapidamente terminais de usuários praticamente em qualquer lugar e ficar online em questão de minutos, ignorando a necessidade de qualquer infraestrutura terrestre. Visibilidade dos satélites Um ou dois dias após o lançamento e a implantação dos satélites Starlink, não é necessário nenhum equipamento especial para vê-los, pois são visíveis a olho nu. Aparecem como uma série de pérolas ou um "trem" de luzes brilhantes que se movem pelo céu noturno. Se desejar, poderá tentar encontrar os satélites Starlink visíveis no seu país, a partir de coordenadas fornecidas por FindStarlink Após lançamento, até alcançar cerca de 440 quilômetros acima da Terra, o foguete Falcon 9 transporta e implanta seu lote de 60 satélites Starlink, em uma “órbita de estacionamento”. A partir daí, os satélites individuais desdobram seus painéis solares e lentamente começam a se espalhar pelo planeta. Cada satélite usa seus propulsores para aumentar gradualmente a uma altitude mais alta, subindo em sua eventual órbita final a cerca de 160 km acima da órbita da Estação Espacial Internacional. Tornam-se progressivamente mais difíceis de detectar, pois, conforme os satélites sobem, eles ficam mais escuros, refletindo menos luz solar de volta para a Terra, até alcançar a sua altura orbital final de cerca de 550 km. Objetivos O Starlink tem como objetivos centrais, resolver dois grandes problemas da internet moderna: a falta de conexões acessíveis para áreas geográficas longínquas e/ou sem estrutura terrestre de comunicações e a alta latência¹. Os serviços tradicionais de internet por meio de cabos e fibras ópticas têm limitações inerentes às características do serviço. Mesmo dentro de um país, é raro alcançar um caminho com cabeamento direto de um local para outro. Confiar em cabos terrestres também deixa muitas regiões mal conectadas. O desafio de vencer a alta latência, um dos objetivos centrais do Starlink, é relevante, devido aos enormes impactos que pode ocasionar. Para se ter uma ideia dos prejuízos que podem ser gerados pela alta latência, vejamos alguns exemplos: Para quem está tentando assistir a vídeos, séries, filmes online, a alta latência pode significar travamentos ou perda de qualidade do vídeo. Navegando em redes sociais, a latência máxima recomendada é de 50 a 100 ms para boa performance. Jogando, a latência máxima orientada é de 30 ms, para evitar perda de competitividade. Operações financeiras, por questões de segurança, podem ser canceladas, caso haja atraso no envio de informações. Os bancos movimentam bilhões de dólares em frações de segundo, qualquer atraso, pode levar a grandes perdas para um concorrente que atue com uma conexão mais rápida. Aulas online com travamentos constantes, inviabiliza o acesso ao conteúdo dos cursos. E-commerces que demoram a carregar, podem provocar perda de vendas online. Trabalhos e videoconferências, via internet de alta latência, podem ser impactados por perdas de produtividade ou mesmo inviabilizados. Os satélites Starlink tornam possível o acesso a serviços e recursos on-line essenciais em comunidades rurais que geralmente não eram atendidas por provedores de internet tradicionais. O Starlink permite que hospitais e clínicas de campanha realizem videoconferências em tempo real com médicos e especialistas a milhares de quilômetros de distância. Imagens médicas, como raios-X ou tomografias computadorizadas, podem ser compartilhadas instantaneamente para diagnóstico remoto. Pacientes com condições crônicas podem fazer check-ins remotos e acompanhamentos com profissionais de saúde. O Starlink torna esses aplicativos avançados de telesaúde possíveis mesmo em ambientes extremamente remotos ou com recursos limitados. O ensino remoto também é favorecido, com a possibilidade de acesso a aulas online, pesquisas, compartilhamento de materiais de estudos, agora são possíveis para comunidades isoladas pela falta de infraestrutura de comunicações terrestre ou mesmo por terem sido atingidas por eventos destrutivos. Como funciona Os clientes compram uma antena terrestre para acessar o serviço de internet do Starlink. Quando é ligada na energia, a antena auto-direcional escaneia rapidamente o céu e trava no satélite aéreo mais próximo. Então, ela mantém perfeitamente essa conexão à medida que cada novo satélite Starlink aparece à vista e o anterior desaparece além do horizonte. As antenas Starlink são certificadas para operar entre -22° Fahrenheit (temperatura mínima) até 104° Fahrenheit (temperatura máxima), que, na escala Celsius, corresponde de -30° Celsius até 40° Celsius. Elon Musk's Starlink Impact video (By Geoff Aba)³ Histórico Janeiro.2015: Anunciada a proposta de internet via satélite da SpaceX². Fevereiro.2018: A SpaceX lançou seus dois primeiros protótipos Starlink, chamados Tintin-A e Tintin-B. O teste ajudou a demonstrar o conceito básico e a refinar o design do satélite. 23.maio.2019: Os primeiros 60 satélites Starlink foram lançados, na órbita baixa da terra, a bordo de um foguete SpaceX e atingiram, com sucesso, a altitude operacional de 340 milhas (550 quilômetros) acima da Terra. Outubro.2020: Lançado o serviço de internet padrão do Starlink. Janeiro.2021: terminais a laser, ou cruzamentos a laser, foram adicionados a um lote de satélites Starlink, o que permite que os satélites transfiram informações uns aos outros. Maio.2021: 100° lançamento consecutivo do foguete Falcon 9, transportando satélites Starlink para lançamento no espaço. Junho.2021: Mais de 1.500 satélites ativos, tornando os satélites Starlink a maior constelação de satélites ao redor da Terra, mais da metade de todos os satélites ativos que circundavam o nosso planeta. Agosto.2022: O CEO da SpaceX, Elon Musk, e o CEO da T-Mobile, Mike Sievert, anunciaram um acordo entre as duas empresas em agosto de 2022 e planejam fornecer o serviço aos clientes da T-Mobile após os lançamentos dos satélites Starlink V2 completos. 27.fevereiro.2023: A SpaceX começou a lançar uma versão atualizada do Starlink, chamada V2 mini. Os V2 mini servem como uma versão precursora do V2 com design completo. Os satélites Starlink V2 completos serão lançados no foguete Starship em data ainda não confirmada. Quando o fizerem, os satélites V2 maiores possuem uma capacidade de dados maior do que seus antecessores e com capacidade de fornecer serviços diretamente para dispositivos celulares. Maio.2024: Alcançada a marca de 6.078 satélites Starlink em órbita. Para atingir esse número, nos últimos anos, a cada duas semanas, um foguete SpaceX Falcon 9 decolou e transportou um novo lote de cerca de 60 satélites Starlink para a órbita baixa da Terra. 03.julho.2024: Lançamento do Falcon 9 para transporte de 20 satélites Starlink, incluindo 13 com capacidades Direct to Cell, para a órbita baixa da Terra a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40 (SLC-40) na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. O Starlink tem atuado em iniciativas que vão além dos negócios, na ajuda humanitária em contextos de destruição, provenientes da ação da natureza e/ou da ação humana. Em resposta a emergências, o site do Starlink informa: “Por não apresentar as limitações da infraestrutura terrestre tradicional, o Starlink pode ser instalada rapidamente para auxiliar equipes de emergência em situações de calamidade. A equipe Starlink tem orgulho de apoiar e priorizar o seu serviço para equipes de emergência em todo o mundo e continuará a aumentar esse apoio à medida que ampliamos nossas áreas de cobertura”. Atuação humanitária em apoio a situações emergenciais Atuação do Starlink em ajuda à Ucrânia O Starlink tem sido uma peça vital da infraestrutura de comunicações da Ucrânia. Autoridades do governo ucraniano solicitaram publicamente terminais Starlink em 26.fevereiro.2022, e, dois dias depois, em 28.fevereiro. 2022, chegaram os primeiros equipamentos do Starlink. No início de abril de 2022, a SpaceX e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), anunciaram a entrega de cerca de 5.000 terminais Starlink para a Ucrânia, com a SpaceX fornecendo diretamente mais de 3.000 deles. O número cresceu consideravelmente desde então, para 25 mil, de acordo com o fundador e CEO da empresa, Elon Musk. Atuação do Starlink em ajuda à Flórida, Estados Unidos Depois que o furacão Ian devastou partes da Flórida em 2022, o Starlink conseguiu implantar rapidamente terminais para restaurar a Internet para equipes de emergência nas áreas mais atingidas, como Fort Myers Beach. Da mesma forma, o Starlink forneceu acesso à Internet para apoiar os esforços de resposta a emergências após desastres naturais em Tonga, Samoa e outras ilhas do Pacífico atingidas por tsunamis e erupções vulcânicas. Atuação do Starlink em ajuda à Tonga, Samoa e outras ilhas do Pacífico Em fevereiro de 2022, pelo menos 50 terminais Starlink foram enviados para Tonga, no Oceano Pacífico. O objetivo era dar aos seus moradores acesso gratuito à Internet, especialmente em aldeias remotas. Tonga precisava dos terminais depois de sofrer uma erupção maciça do vulcão e tsunami em janeiro, assim como Samoa e outras ilhas do Pacífico que também foram atingidas e assistidas pelo Starlink Na época, a SpaceX disse que os terminais permitirão que as comunicações fluam em algumas das regiões com os piores efeitos decorrentes da erupção. Atuação do Starlink em ajuda ao Estado do Rio Grande do Sul, Brasil As enchentes do Rio Grande do Sul, no Brasil, provenientes de chuvas intensas entre 27 de abril e 05 de maio de 2024, provocaram uma situação de drama repentino e inimaginável, com mortes, desabrigados, perda total e danos em casas, estabelecimentos comerciais, automóveis, paralisações de diversas atividades, entre outras enormes dificuldades. Isso que tem exigido esforços gigantescos de socorro, assistência, doações e mobilizações visando a recuperação das perdas materiais, que será lenta, devido a enormidade dos prejuízos causados, já que 85% das cidades do Estado foram atingidas. O empresário Elon Musk, decidiu doar 1 mil antenas Starlink para o Estado do Rio Grande do Sul. A doação incluiu o fornecimento de serviços de dados, sem custos, até que a região se recupere. O primeiro lote foi recebido na Base Aérea da cidade de Canoas-RS, em 11 de maio de 2024 e o segundo e último lote foi entregue no dia seguinte, na mesma Base Aérea. Em nota, o Governo do Rio Grande do Sul comunicou que as antenas Starlink ajudarão a “restabelecer a comunicação nos principais pontos da Defesa Civil, da Segurança Pública, em unidades de saúde, escolas e serviços públicos essenciais durante o período que perdurar a calamidade”. Elon Musk's Starlink: How Is It Helping Humanity?³ Fonte: youtube.com/@Cosmoknowledge Questionamentos e esclarecimentos Conforme foi visto, indubitavelmente, a existência da megaconstelação de satélites Starlink proporciona extraordinários benefícios à humanidade, contudo há questionamentos. Os astrônomos, há muito, se queixam dos satélites que afetam sua capacidade de explorar o espaço, por meio de observações com o uso de telescópios terrestres, devido à luz solar refletida na maquinaria em órbita. Em resposta, Patricia Cooper, vice-presidente de assuntos governamentais por satélite da SpaceX, informou aos astrônomos, em uma reunião de janeiro de 2020 da Sociedade Astronômica Americana em Honolulu, que “A SpaceX está absolutamente comprometida em encontrar um caminho a seguir para que nosso projeto Starlink não impeça o valor da pesquisa que todos vocês estão realizando”. A SpaceX tomou medidas nesse sentido. Por exemplo, os satélites Starlink lançados recentemente, têm viseiras concebidas para reduzir o brilho da luz solar em sua estrutura. Há também questionamentos sobre o descarte de satélites antigos e o risco de colisões de satélites com naves espaciais. A SpaceX publicou, em fevereiro/2022, uma declaração em seu site que estabelece por que acredita que o Starlink nunca vai sujar a órbita da Terra com lixo espacial ou causar colisões orbitais com outros satélites. A SpaceX afirma que é líder em segurança de satélites e declarou que um programa da NASA já revisou o sistema de prevenção anti-colisão para os satélites Starlink. Cada satélite Starlink é construído com um sistema de prevenção anti-colisão, capaz de manobrar o satélite. “Se houver uma probabilidade de 1/100.000 de colisão (10x menor do que o padrão da indústria de 1/10.000) para uma conjunção, os satélites planejarão manobras de evitação”, disse a empresa. A SpaceX tem equipes de operadores de satélites para coordenar e responder a solicitações de outras empresas de satélite, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os satélites também foram testados quanto à alta confiabilidade. A SpaceX lançou mais de 2.000 satélites para a rede Starlink de primeira geração, com uma taxa de falha em “apenas 1% após o aumento da órbita”. De acordo com o rastreador de satélite e astrofísico Jonathan McDowell, 358 satélites Starlink foram desorbitados. Não houve relatos de seus destroços chegando ao solo. “Para ser claro, os satélites da SpaceX são projetados e construídos para acabar totalmente durante a reentrada atmosférica, durante a descarte no final da vida útil, e eles fazem isso”, escreveu David Goldstein, engenheiro principal da Space X, em carta enviada à Administração Federal de Aviação (FAA) e o Congresso dos Estados Unidos, em 09.outubro.2023. Todos os satélites Starlink operam em uma órbita baixa da Terra “autolimpa” abaixo de 600 quilômetros, o que significa que os satélites naturalmente desorbitarão em cinco a seis anos e serão desintegrados na atmosfera, não gerando detritos. “A SpaceX está se esforçando para ser a operadora de satélites mais aberta e transparente do mundo”, acrescentou a empresa, “e incentivamos outras operadoras a se juntarem a nós no compartilhamento de dados orbitais e manter o público e os governos atualizados com informações detalhadas sobre operações e práticas”. Além disso, a empresa disse que já está compartilhando abertamente informações sobre órbitas Starlink com a FCC, a Comissão Federal de Comunicações, órgão regulador da área de telecomunicações e radiodifusão dos Estados Unidos e o Space-Track.org, um site público. “Em última análise, a sustentabilidade do espaço é um desafio técnico que pode ser efetivamente gerenciado com a avaliação apropriada do risco, a troca de informações e a implementação adequada de tecnologia e controles operacionais”, disse a SpaceX. Starlink Mini: novo lançamento da Starlink nos Estados Unidos Disponível apenas na Colômbia, El Salvador, Guatemala e Panamá, a SpaceX fez lançamento antecipado de vendas da antena Starlink Mini, nos Estados Unidos, em junho.2024, para um número limitado de clientes convidados, por US$599. De acordo com a PCMag, nos Estados Unidos, os clientes também precisarão pagar US$ 30 por mês para receber a internet pela antena portátil, como um complemento ao seu plano de serviço residencial existente, que atualmente pode custar US$ 90 ou US$ 120 por mês. Starlink Mini é uma antena parabólica portátil que possui Wi-Fi embutida que tem a capacidade de transmitir vários fluxos de vídeo 4K simultaneamente. A nova antena possui peso de 1,10 kg (2,43 lb), dimensões de 289x259 mm (11.4x9,8 polegadas), com tamanho próximo de um Apple MacBook. Isso se compara favoravelmente em relação a antena parabólica Starlink regular, que é maior: 51x30 cm (22,2x11,9 polegadas). A melhor parte da antena Starlink Mini é que ela tem um roteador Wi-Fi integrado, então você não precisará de um roteador separado que se anexar à antena Starlink atual. SpaceX's Starlink Mini: Internet Anywhere!!³ - Fonte: Enlighten Hub Com base em uma captura de tela de teste de velocidade compartilhada por Musk, Starlink Mini oferece velocidade de download de 100 Mbps e velocidade de upload de 11,5 Mbps com latência de 23 ms. Isso supera algumas conexões de telefone fixo e móvel, sendo bom o suficiente para transmitir e navegar na rede. O roteador Wi-Fi integrado suporta WiFi 5 (802.11a/b/g/n/ac) e também tem uma porta Ethernet com “Starlink Plug". A antena Starlink Mini tem apenas dois conectores: um cano DC para a fonte de alimentação externa e um conector de rede RJ45. Se você precisar estender a cobertura para uma área mais ampla, ficará feliz em saber que a antena Starlink Mini é compatível com a malha dos satélites Starlink, o que permite emparelhá-la, sem fio, com outro roteador Starlink. A antena vem com uma fonte de alimentação, mas as especificações também sugerem que ela pode ser alimentada via USB-C PD, desde que a fonte possa fornecer 20V a 5A. Inovações do Starlink A Internet conectada por meio de satélites tradicionais, que antecederam a Starlink, funciona usando grandes espaçonaves que orbitam 23.236 milhas (35.686 km) acima de um ponto específico na Terra. Mas, a essa distância, geralmente há atrasos significativos no envio e recebimento de dados. Ao estar mais perto do nosso planeta e redes juntos, em altura orbital final de cerca de 550 km, os satélites Starlink operam com vantagem em relação aos satélites tradicionais. Os satélites Starlink foram projetados para transportar grandes quantidades de informação rapidamente para qualquer ponto da Terra, mesmo sobre os oceanos e em lugares extremamente difíceis de alcançar, onde os cabos de fibra óptica seriam caros para se estabelecer. Em vez de enviar sinais de internet através de cabos elétricos, que devem ser fisicamente estabelecidos para alcançar lugares distantes, a internet via satélite funciona enviando informações através do vácuo do espaço, onde viaja 47% mais rápido do que nos cabos de fibra óptica, informou o Business Insider. Segundo Mark Handley, pesquisador de redes de computadores da University College London, que estudou o Starlink, em entrevista ao Business Insider, cada satélite Starlink está ligado a outros quatro, usando lasers. Nenhum outro satélite que fornece internet faz isso, e é o que os tornaria especiais: eles podem irradiar dados sobre a superfície da Terra quase à velocidade da luz, ignorando as limitações da fibra óptica. A tecnologia laser foi integrada aos satélites Starlink que foram enviados ao espaço a partir de 2021. A SpaceX espera que essa mudança possa permitir que a cobertura da Internet, via satélite, chegue a áreas onde as estações terrestres não podem ser construídas, explicou Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da SpaceX, em 24.agosto.2021, durante o 36o Simpósio Espacial Anual, em Colorado Springs, Colorado, Estados Unidos. “Esta é a nova rede mais emocionante que já vimos em muito tempo. Os satélites Starlink, em funcionamento, podem afetar a vida de potencialmente todos", disse Mark Handley. Para The Clarus Networks Group (2024), “[...] Sua combinação única de cobertura global, resiliência, alta largura de banda, baixa latência e recursos de implantação portátil é incomparável com qualquer sistema de internet via satélite anterior. O Starlink capacita trabalhadores humanitários, equipes de emergência e agências de socorro a manter a conectividade vital e habilitar aplicativos poderosos como telessaúde, educação remota e coordenação em tempo real – mesmo após desastres que prejudicam a infraestrutura. Talvez o mais importante, o Starlink representa um grande passo para reduzir a exclusão digital que deixou tantas comunidades carentes isoladas das imensas oportunidades da era da internet. Ao tornar a Internet de banda larga acessível globalmente, o Starlink pode ser o fio condutor que desbloqueia o desenvolvimento econômico, os recursos educacionais, a inclusão financeira e o progresso socioeconômico geral para aqueles que mais precisam. O impacto humanitário dessa tecnologia é verdadeiramente ilimitado à medida que trabalhamos para criar um mundo mais conectado, resiliente e equitativo." Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: 1.A Space Exploration Technologies Corporation, comumente referida como SpaceX, foi fundada em 2002 por Elon Musk. É uma fabricante americana de naves espaciais, provedora de serviços de lançamento e empresa de comunicações via satélite com sede em Hawthorne, Califórnia. 2.Também conhecido por “ping”, a latência é a diferença de tempo entre o início de um evento e o momento em que os seus efeitos se tornam perceptíveis. Em comunicações, a latência é o tempo em que os dados demoram para serem transferidos de um local para o outro. Quanto maior for a latência, maior é a demora na transmissão de dados e informações. Quanto menor a latência, mais rapidamente os dados são transferidos. 3. Para apresentação de legendas em sua língua nativa nos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa. Fontes: ASTRONOMY. BETZ, Eric. How do spaceX’s Starlink satellites actually work? Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. AUTOEVOLUTION. AGATIE, Cristian. SpaceX To Launch Starlink Mini Portable Dish With Integrated Wi-Fi Router Soon. Disponível em: Acesso em: 12.jul.2024. BUSINESSINSIDER. MOSHER, Dave. Elon Musk just revealed new details about Starlink, a plan to surround Earth with 12,000 high-speed internet satellites. Here's how it might work. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. CDN STAR. O Impacto dos Milissegundos na Conectividade: Como a Latência Afeta a Experiência do Usuário. Disponível em: Acesso em: 07.julho.2024. DIGITALTRENDS. TORBET, Georgina. Musk says Starlink satellite internet now enabled in Ukraine. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. DIGITALTRENDS. MOGG, Trevor. Elon Musk suggests Starlink now has 250K customers. Disponível em: Acesso em: 05.julho.2024. GAZETA DO POVO. SESTREN, Gabriel. Starlink: antenas de internet via satélite doadas por Musk chegam ao RS. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. PC MAG. KAN, Michel. SpaceX: Here's Why Starlink Poses No Orbital Hazard. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024. SPACE.COM. PULTAROVA, Teresa; HOWELL, Elisabeth. Inclui contribuições de DOBRIJEVIC, Daisy; MANN, Adam.. Starlink satellites: Facts, tracking and impact on astronomy. Disponível em: Acesso em: 28.jun.2024. SPACE.COM. GOHD, Chelsea.SpaceX paused Starlink launches to give its internet satellites lasers. Disponível em: Acesso em: 02.julho.2024. SPACENEWS. RAINBOW, Jason. SpaceX slams FAA report on falling space debris Danger. Disponível em: Acesso em: 04.julho.2024. THE CLARUS NETWORK GROUP. The Power Of Starlink For Humanitarian Efforts. Disponível em: Acesso em: 19.jul.2024. THE REGISTER. ROBINSON, Dan. Starlink stuffs the internet into a backpack by invitation Only. Disponível em: Acesso em: 12.jul.2024. USAID. Safeguards Internet Access in Ukraine through Public-Private-Partnership with SpaceX. Disponível em: Acesso em: 04.jul.2024. WIKIPEDIA. Latência. Disponível em: Acesso em: 30.jun.2024. YAHOO! TECH. MOGG, Trevor. SpaceX’s Starlink internet service reaches milestone. Disponível em: Acesso em: 29.jun.2024.
- Primeiro homem a superar a velocidade do som em queda livre
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Em 14/10/2024, completou 12 anos da gigantesca façanha do paraquedista austríaco Felix Baumgartner, que no dia 14 de outubro de 2012 quebrou recordes mundiais ao pular de uma cápsula a uma altura de 38.969,4 metros (127.852 pés). Baumgartner foi o primeiro homem a superar a velocidade do som em queda livre. O salto partiu da estratosfera¹, alcançando uma velocidade de 1.357,64 km/h (843.6 mph). No momento em que Felix Baumgartner ultrapassou a velocidade do som, ele estava a uma altitude de cerca de 34 a 36 km (após cerca de 50 segundos de queda). Na referida altitude, a velocidade do som é estimada em torno de 1.100 km/h (683,50 mph), devido às temperaturas extremamente baixas, em torno de -50°C a -60°C. Baumgartner atingiu a velocidade máxima de 1.357,64 km/h, o que equivale a Mach 1,25, ou seja, ele superou a velocidade do som em cerca de 25%. Esse grandioso evento foi acompanhado por 8 milhões de pessoas que assistiram a transmissão via YouTube. Baumgartner participou do audacioso projeto Red Bull Stratos de US$ 20 milhões, que lhe exigiu cinco anos de preparação. No dia do grande feito, antes de realizá-lo, contou com o acompanhamento, apoio e incentivo de Joe Kittinger, um ex-piloto da Força Aérea dos Estados Unidos, então recordista mundial de salto mais alto de paraquedas, ocorrido em 16 de agosto de 1960, no âmbito do projeto Excelsior, ao saltar de um balão de gás hélio em uma altura de 31.300 metros tendo atingido a velocidade máxima de 988 km/h (613,915 mph). Por sua vez, 52 anos depois do recorde de Kittinger, que se mantinha como não superado, Baumgartner subiu em uma cápsula pressurizada, que foi puxada por um balão de hélio, com mais de 180 metros de altura para levá-lo até a estratosfera. A cápsula demorou mais de duas horas para atingir a altura desejada. Para a descida completa, Baumgartner utilizou um traje pressurizado, especialmente projetado para garantir a sobrevivência em um ambiente extremo de frio e baixo oxigênio. Ele atingiu o solo americano do Novo México, em nove minutos (considerando o tempo da queda livre e com o paraquedas aberto). FELIX BAUMGARTNER: SALTO DE PÁRA-QUEDAS A PARTIR DE QUEDA LIVRE SUPERSÔNICA. O projeto Redbull Stratus e a coragem e disciplina de Felix Baumgartner, resultaram em quebra de recordes mundiais, vejamos: Recordes mundiais quebrados Maior balão com um humano a bordo: Um balão gigante, tão alto quanto a Estátua da Liberdade, com cerca de 5.097 m³ (180.000 pés cúbicos) de hélio inserido pela tripulação, antes de seu lançamento até atingir, com sua altitude crescente, a capacidade total de aproximadamente 850.000 m³ (30 milhões de pés³) na altitude de salto. Altitude mais alta sem amarras fora de um veículo: Após despressurizar a cápsula - o ponto sem retorno, Baumgartner pisou na borda da cápsula e saltou em queda livre de uma altitude de 38.969,4 metros (127.852 pés) e levou apenas 9min.09seg. para retornar à Terra, estabelecendo, em 14/10/2012, um novo recorde mundial de salto mais alto de paraquedas. Primeiro humano a quebrar a barreira do som em queda livre: Durante o seu skydive estratosférico, Baumgartner atingiu uma velocidade máxima de 1.357,64 km/h (843,6 mph), atingindo assim a maior velocidade em queda livre, quebrando a barreira do som sem ajuda mecânica. Maior distância em queda livre: Baumgartner caiu em queda livre por uma distância de 36.402 metros (119.431 pés) antes de abrir seu paraquedas Além disso, o evento foi um recorde de audiência: Maior número de visualizações simultâneas para um evento ao vivo no YouTube: 15 câmeras na cápsula de Baumgartner com cinco presas ao seu traje pressurizado, o que proporcionou uma incrível experiência de visualização para aqueles que assistiram à transmissão. Oito milhões de pessoas assistiram à jornada de Felix para o espaço e o pulo de volta à Terra. A audiência teria sido ainda maior, mas a demanda pesava as capacidades do servidor do YouTube. A cápsula Red Bull Stratos agora faz parte da coleção permanente do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian e está em exibição no Steven F. Udvar Hazy Center em Chantilly, Virginia, Estados Unidos. A missão alcançou muitos marcos de inovação científica, como o desenvolvimento e a validação de inovações em trajes de pressão e paraquedas pessoais; o desenvolvimento de novos protocolos de tratamento médico, incluindo um protocolo para a condição de ebulismo², visando se tornar o novo padrão de tratamento; e a introdução de um sistema de paraquedas reefed³ para a tarefa de recuperação de carga útil em grandes altitudes, oferecendo benefícios potenciais para passageiros e carga. A missão de Felix Baumgartner , patrocinada pela Red Bull, não apenas cativou o mundo pela audácia e precisão do salto, mas também demonstrou os limites da resistência humana e das tecnologias aeroespaciais. Dois anos depois, em 24 de outubro de 2014, Alan Eustace, um executivo do Google, quebrou o recorde de Baumgartner ao saltar de paraquedas em queda livre, de uma altitude ainda maior, 41.422 metros (135.898 ft). No entanto, longe de diminuir a importância da conquista de Baumgartner, o salto de Eustace foi possível, em parte, graças às lições aprendidas com o projeto Red Bull Stratos. Por Luiz Cincurá. luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: ¹ A estratosfera é a segunda maior camada da atmosfera terrestre, situada entre a troposfera e a mesosfera, se estende, aproximadamente, em seu limite inferior, de 10 km (nos polos) a 15 km (nos trópicos) e com limite superior de aproximadamente 50 km de altitude, a partir da superfície e abriga a camada de ozônio. O significado da palavra estratosfera vem do latim stratum, que quer dizer camada. A estratosfera concentra 19% dos gases da atmosfera, é a segunda camada mais próxima da Terra, possui pouco vapor d'água em sua composição e quase não apresenta nuvens. A estratosfera é rica em gás ozônio e pobre em gás oxigênio. Os aviões supersônicos e os balões meteorológicos voam no espaço da estratosfera. ² Um limite absoluto de altitude para o homem desprotegido pode ser colocado em 18.900metros, altitude na qual a pressão barométrica é igual a 47 mmHg. A tensão de vapor d"água à temperatura corporal é também 47 mmHg. Os efeitos decorrentes da ultrapassagem do limite de altitude suportável para o homem, podem ser atribuídos ou à anoxia ou à pressão reduzida resultante em vaporização dos líquidos teciduais e expansão dos gases corporais, condição por vezes denominadas ebulismo, ou síndrome de ebulismo. Obviamente, a sobrevivência do homem desprotegido seria muito breve, pois as passagens respiratórias tornam-se cheias de vapor d'água, condição em que a respiração é completamente ineficaz. As cabines pressurizadas nas aeronaves e os trajes completos de pressão, eliminam esse risco. ³ Um sistema de paraquedas reefed é um tipo de paraquedas que é parcialmente "restrito", durante sua abertura inicial para controlar a taxa de inflação. Ele utiliza um cabo ou anel que mantém as linhas do paraquedas parcialmente fechadas quando ele se abre, permitindo que o paraquedas se infle gradualmente em vez de de uma vez só. Esse processo ajuda a reduzir as forças de choque que o paraquedista experimenta ao abrir o paraquedas em alta velocidade, o que é especialmente útil em saltos de grandes altitudes, como no caso de Alan Eustace e Felix Baumgartner. O uso de um sistema de paraquedas reefed é comum em operações de queda livre em que a desaceleração precisa ser mais gradual para evitar danos ao equipamento ou ao corpo do paraquedista. Fontes: GUINESS WORLD RECORDS. Felix Baumgartner: First person to break sound barrier in freefall. Disponível em Acesso em 11.out.2024. MAGALHÃES, Lana. Estratosfera. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/estratosfera/. Acesso em: 12 out. 2024. NATIONAL AIR AND SPACE MUSEUM. A Decade Since the Long Fall from Red Bull Stratos. Disponível em: Acesso em: 12.out.2024. OpenAI. Resposta obtida no ChatGPT sobre reefed. Disponível em Acesso em 13.out.2024. REDBULL. Red Bull Stratus. Disponível em Acesso em 11.out.2024. SUPERINTERESSANTE SUPERBLOG. BECATTINI, Natália. Austríaco quebra recordes ao saltar da estratosfera. 15.out.2012. THE LIGHTER-THAN-AIR SOCIETY. Final Data released from Felix Baumgartner’s Supersonic Freefall. Disponível em: < https://www.blimpinfo.com/uncategorized/final-data-released-from-felix-baumgartners-supersonic-freefall/> Acesso em: 12.out.2024. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. INSTITUTO DE FÍSICA. STENSMANN, Berenice Helena Wiener. Problemas Fisiológicos de Ambientes Incomuns: Atividades Espaciais e Submarinas. Disponível em: Acesso em: 12.out.2024.
- O supersônico Alan Eustace, recordista mundial em queda livre
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá "Muito já foi dito sobre a coragem, humildade e generosidade de espírito de Alan Eustace (tudo isso é verdade) no chão, no céu e até mesmo no espaço. Não sei como prefaciar este perfil de um dos maiores do nosso esporte. Então vou deixar por aqui — ele é um dos maiores do nosso esporte.” James Hayhurst, paraquedista Em 14.outubro.2012 o paraquedista austríaco Felix Baumgartner tornou-se recordista mundial do salto mais alto já realizado por um ser humano. Ao pular de uma cápsula da impressionante altitude de 38.969,4 metros (127.852 pés), ele caiu em queda livre por uma distância de 36.402 metros (119.431 pés), antes de abrir o seu paraquedas. Baumgartner atingiu a velocidade máxima de 1.357,64 km/h (843.6 mph), tendo ultrapassado a velocidade do som com velocidade mach de 1,25, se tornando o primeiro homem supersônico do planeta, em queda livre, sem ajuda mecânica. Tão impressionante quanto o recorde de Baumgartner, que parecia insuperável por muitos anos, foi a velocidade em que o seu recorde mundial de salto mais alto foi quebrado. Apenas dois anos depois, em 24 de outubro de 2014, Robert Alan Eustace, um executivo do Google de 57 anos, quebrou o recorde de Felix Baumgartner, ao cair, da estratosfera¹, de uma altitude ainda maior, 41.422 metros (135.898 pés), tendo percorrido uma distância de 37.623 metros (123.235 pés), antes de abrir o seu paraquedas. ROBERT ALAN EUSTACE Embora a altitude de queda de Eustace tenha sido maior, a velocidade máxima alcançada foi menor do que a alcançada por Baumgartner, mas indiscutivelmente, também muito impressionante, pois Alan Eustace atingiu a velocidade máxima de 1.322 km/h (821 mph), tendo também ultrapassado a barreira do som, com velocidade mach de 1,23 se tornando o segundo homem supersônico do planeta, em queda livre, sem ajuda mecânica. Conforme vimos, mesmo caindo de uma altitude maior, Eustace não atingiu a mesma velocidade que Baumgartner, que mantém consigo o recorde mundial de velocidade em queda livre. Diferenças na postura de queda, design do traje espacial e aerodinâmica explicam essa aparente contradição: Diferenças na posição do corpo durante a queda: Baumgartner: Durante a queda, ele inicialmente entrou em um giro descontrolado, mas sua postura aerodinâmica, com o corpo mais reto e braços colados ao longo do tempo, favoreceu a aceleração. Eustace: Usava um traje espacial volumoso com um sistema de suporte vital acoplado, o que aumentava o arrasto e limitava movimentos e a aceleração. Diferença no traje e aerodinâmica: Eustace: o traje espacial era mais rígido e possuía um design menos aerodinâmico. Isso pode ter aumentado o atrito com o ar e reduzido a velocidade máxima atingida. Baumgartner: o traje espacial foi desenvolvido pela Red Bull Stratos, foi projetado para reduzir o arrasto e permitir uma queda mais rápida. Para quem não conheceu os caminhos percorridos por Eustace e sua façanha, parece confuso entender esse feito extraordinário. Olhando apenas pelo prisma de sua formação e atuação profissional, realmente seria difícil enxergar Eustace em uma missão imensamente desafiadora e arriscada a que se propôs realizar. Eustace obteve graduação pela Universidade da Flórida Central, USA. Além do Bacharelado, também é Mestre e Doutor em Ciência da Computação. Na época do feito supersônico, Eustace era Vice-Presidente Sênior de Conhecimento do Google, um homem vinculado ao desenvolvimento e organização de sistemas complexos, que liderava projetos em inteligência artificial, machine learning e pesquisas avançadas em arquitetura de sistemas distribuídos. Considerando a sua rotina profissional e, estando de licença do ambiente corporativo, imagine Eustace, então Vice-Presidente de Conhecimento do Google, ser procurado, no dia do salto, por um desavisado executivo de outra empresa e receber a seguinte resposta: - Alan Eustace não se encontra no Google, hoje ele está distante, mas não tardará a estar de volta, pois fará uma descida livre estratosférica supersônica e em seguida abrirá o seu paraquedas, retornando ao planeta Terra. Essa inusitada, cômica e fantasiosa situação, embora irreal, poderia, de alguma forma, ilustrar o desconhecimento de que, Eustace, era, e continua sendo, muito mais que um Cientista da Computação. A discrição com que Eustace abraçou o Projeto Científico realizado dentro do Programa Stratosferic Explorer (StatEx), possivelmente, dificultou o entendimento para as pessoas em geral, de como ele conseguiu alcançar esse fantástico feito científico. O feito de Eustace teve, enfatize-se, uma substancial diferença do feito de Baumgartner, pois ele subiu à estratosfera vestido com o seu traje espacial, amarrado às costas por um balão expansível contendo gás hélio, sem estar protegido por uma cápsula, simplesmente porque a não inclusão de uma cápsula no projeto era um dos grandes desafios que se desejava superar. QUEDA LIVRE DO ESPAÇO: FONTE: CNN. ILUSTRAÇÃO DE ALTURAS E TEMPERATURAS DE QUEDAS LIVRES DE EUSTACE E BAUMGARTNER Eustace saltou de uma altura que os aviões não conseguem alcançar: o ar na estratosfera é muito rarefeito para mantê-los no ar. Como o projeto não previa a utilização de uma cápsula oxigenada e pressurizada como a que Baumgartner usou, foi necessário desenvolver um traje espacial inovador. A ILC Dover, que desenvolveu o traje utilizado por Eustace, também teve que garantir que o traje pudesse suportar tanto o calor intenso do deserto do Novo México, onde Eustace decolou, quanto o frio extremo que ocorre mais próximo do limite superior da estratosfera, onde as temperaturas podem cair até -123,8° Fahrenheit (-51° Celsius). "É o primeiro traje que foi resfriado e aquecido", disse Eustace. "A maioria dos trajes é resfriada para coisas como caminhadas espaciais e caminhadas na lua. Mas este traje tinha que ser resfriado no chão e aquecido no ar”. Voltando a comentar sobre a dificuldade de entender como foi possível, um alto executivo do Google quebrar um recorde mundial de salto mais alto, realizado da estratosfera, agora é o momento de esclarecer que o feito extraordinário alcançado não foi resultado de uma aventura qualquer. Pelo contrário, Eustace e sua equipe não eram principiantes. Eustace, além de Cientista da Computação, na época do salto estratosférico, estava com 57 anos e era piloto há 25 anos, com habilitação em várias aeronaves e também, na ocasião, já era um experiente paraquedista. Por outro lado, sua equipe era formada por empresas e profissionais altamente especializados, conforme veremos a seguir. O Projeto científico e espacial de Alan Eustace foi realizado dentro do Programa Stratospheric Explorer (StatEx), cujo objetivo era desenvolver um sistema de trajes espaciais e de recuperação autônomos que permitisse a exploração tripulada da estratosfera acima de 30.480 metros (100.000 pés). A Paragon Space Development Corporation, que atuou tecnicamente no design e produção de sistema de suporte de vida com o terno espacial, atuou no projeto principal do sistema completo de lançamento, rastreamento, recuperação, pouso e suporte. Desenvolvimentos específicos incluíram sistemas exclusivos de lançamento de balões, integração e teste do sistema de recuperação de drogue e paraquedas, testes e treinamento terrestres e aéreos, sistemas de comunicação, coordenação e treinamento geral de operações de missão, projeto de sistemas de controle de missão e, finalmente, execução de toda a operação da equipe. Também participaram desse audacioso projeto: ILC Dover: responsável pelo projeto, desenvolvimento e produção do traje avançado de pressão de mergulho espacial que serviu como a única barreira de Alan para o ambiente hostil em todas as fases da missão. Juntamente com o sistema de suporte de vida projetado e construído por Paragon, o traje de pressão forneceu o ambiente contido que lhe permitiu sobreviver à atmosfera superior e realizar ações necessárias para uma descida segura. Cobham Mission Systems: forneceu à Paragon a pressurização do traje espacial e os componentes de gás de respiração de oxigênio que foram integrados no sistema de suporte de vida do traje. United Parachute Technologies: foi responsável pelo projeto e fabricação dos sistemas de recuperação (drogue, paraquedas), bem como pelo treinamento de voo da Alan e dos paraquedistas de segurança. ADE Aerospace LLC: forneceu a equipe médica e o treinamento necessário para a StratEx. Dado os riscos únicos assumidos em um voo nessas altitudes e o local remoto para atividades de voo, a ADE foi encarregada de fornecer uma equipe de resposta médica que poderia lidar com uma emergência médica em qualquer fase do voo. Riscos únicos a considerar incluem mais do que apenas o trauma de pouso em caso de falha de paraquedas - altas taxas de rotação em queda livre, descompressão ou ebulição em altas altitudes, exposições toxicológicas e de queimaduras em caso de autônomo ou falha de suporte à vida foram todos os riscos de alta prioridade que exigiam avaliação e planos de manejo no campo. Também forneceram contribuições importantes ao projeto, TIRF Baloon Facilities, Aerowestern Helicopters, Win Aviation, Nauticos, LLC (Dr.David Jourdan), LLC Dr. Jonathan Clark, M.D .; Julian Nott; Sreenivasan Shankarnarayan; Don Day; e World View Enterprises, Inc. Jerry Kolber, Atomic Entertainment; James Hayhurst, US Parachute Association; Window Light Production, LLC; Roswell Fire Department; Ahern Fire Department; ModSpace; Matheson, Roswell International Air Center; Vigil America Inc., LLC; Ft. Worth MIDO; Lubbock FSDO; Albuquerque ARTCC; Ft. Worth ARTCC; Centro de Serviços CSA; e Escritório de Transporte Espacial Comercial da FAA. Como vimos, a equipe de Alan Eustace era formada por empresas e profissionais altamente especializados, o que o manteve, apesar dos riscos, confiante e motivado para dar seguimento a todas as etapas desse grandioso projeto. TRÊS RECORDES MUNDIAIS RECONHECIDOS PELA FAI – FEDERAÇÃO AERONÁUTICA INTERNACIONAL O primeiro recorde mundial de Eustace, reconhecido pela FAI, aconteceu assim que o Controle da Missão apertou o botão que desvinculou Eustace do balão de gás hélio, permitindo-o iniciar a queda livre. Primeiro registro: Exit Altitude 41.422m. Depois daquela ascensão serena, de repente a terra estava correndo em direção a ele. Eustace estava acelerando rapidamente. Ele quebrou a velocidade do som depois de apenas 35 segundos. Depois de 51 segundos, ele atingiu sua velocidade máxima, 1.320 km por hora. Segundo recorde: Velocidade Vertical Máxima com drogue². O drogue foi absolutamente essencial para o sucesso de Eustace. Como Joseph Kittinger e sua equipe descobriram durante os saltos de paraquedas de alta altitude do projeto Excelsior, um paraquedas de drogue para a estabilidade poderia – e ainda salva – a vida de inúmeros paraquedistas, impedindo-os de entrar em uma rotação de alta velocidade. Eustace navegou para a terra em queda livre por 37.623 metros, antes de ativar seu sistema de paraquedas. Quatro minutos e 27 segundos depois de ser liberado do balão, ele pousou em segurança, a pouco mais de 100 km de onde ele foi lançado. Terceiro registro: Distância de Queda com um Drogue. Na verdade, o salto de 24 de outubro foi agendado como o terceiro e último salto. Em 4 de outubro, Eustace subiu para 17,3 km e em 15 de outubro, ele flutuou mais alto do que Kittinger em 1960, para 32,2 km, mas decidiu não divulgar a conquista, em preparação para o terceiro salto. Finalmente Eustace e sua equipe estavam prontos para o grande dia. Este terceiro salto ultrapassou o salto de paraquedas de alta altitude feito por Felix Baumgartner em 2012, por 2.452m. O projeto com Felix Baumgartner (Red Bull Stratos) envolveu uma cápsula, um balão significativamente maior e um orçamento substancial. Em comparação, o projeto autofinanciado de Alan Eustace com sua equipe de especialistas, manteve a simplicidade como um valor central, alertando a mídia somente após o salto ter sido bem-sucedido. A imprensa não participou do recorde de Alan Eustace porque o evento foi mantido em segredo intencionalmente até sua conclusão. Diferente do salto de Felix Baumgartner em 2012, que teve grande cobertura midiática patrocinada pela Red Bull, Eustace e sua equipe optaram por uma abordagem mais discreta. Além de muito corajoso e determinado, Eustace foi altamente despreendido, pois, embora estivesse confiante na capacidade técnica de sua equipe, sabia que existiam riscos na execução do projeto, mas manteve-se firme até os momentos decisivos de subida e queda. Eustace foi "içado" em Roswell, Novo México, Estados Unidos, por um balão com gás hélio até a altura de 41.422 metros (135.898 pés) e foi desconectado do mesmo balão, caindo em queda livre como uma espaçonave humana, tendo percorrido uma distância de 37.623 metros (123.235 pés), antes de abrir o seu paraquedas, estabelecendo um novo recorde mundial. A incrível e espetacular performance de Eustace está registrada no filme 14 minutes from Earth, documentário de 2016 com 1 hora e 24 minutos de duração, dirigido por Jerry Kolber, Adam "Tex" Davis, Trey Nelson e Erich Sturm. FONTE: RODRIGO UNGO. ALAN EUSTACE STRATOSPHERE WORLD RECORD JUMP (EXTENDED) Em vez de se concentrar no aspecto de celebridade de outros feitos espaciais de alto perfil, o "14 Minutes from Earth" investiga as motivações, medos e otimismo implacável de todos os envolvidos, desde os engenheiros e a equipe de apoio até os membros da família que assistiam, apreensivamente, enquanto seu ente querido arriscava tudo pelo desafio de superação de limites e pelo avanço científico. 14 MINUTES FROM EARTH OFFICIAL TRAILER (2016) - FONTE: ATOMIC ENTERTAINMENT GROUP Foram três anos de preparação desde o momento em que Alan Eustace fez os seus primeiros rabiscos em um guardanapo, expondo suas ideias iniciais sobre o pretenso projeto, até o momento da exitosa subida, puxado por um balão com gás hélio, até a queda livre da estratosfera, abertura do paraquedas e chegada seguro no solo terrestre, pousando cerca de 100 km distante do ponto de decolagem, devido à influência dos ventos durante sua descida. Muito mais do que uma aventura arriscada, o projeto StatEx gerou avanços científicos valiosos, que, sem dúvida, serão muito úteis para novas missões espaciais, vejamos alguns deles: I. O Projeto StatEx demonstrou que um ser humano pode sobreviver e realizar operações na alta atmosfera sem necessidade de uma cápsula pressurizada, o que pode reduzir custos e facilitar operações espaciais comerciais. A missão provou que trajes avançados podem substituir parcialmente cápsulas pressurizadas, abrindo caminho para futuras missões espaciais mais eficientes e acessíveis. II. O salto permitiu estudar a forma como um corpo protegido apenas por um traje espacial especial interage com a reentrada na atmosfera. III. A missão testou radicalmente a reação do corpo humano a temperaturas extremas, com o apoio apenas de equipamentos vitais, pois na estratosfera a temperatura oscila bastante, chegando ao extremo negativo de -51°C, com quase nenhum oxigênio e radiação solar intensa. IV. Foram coletadas informações sobre estabilidade de queda, resistência do traje e como minimizar riscos de desorientação e rotação descontrolada. V. A tecnologia do traje pode ser adaptada para sistemas de resgate em alta altitude, beneficiando pilotos e astronautas em emergências. O projeto não teve patrocínios de grandes marcas ou interesses comerciais diretos, pois o foco seria desenvolver e testar novas tecnologias aeroespaciais, e não criar um espetáculo midiático. Foi dado foco total no evento, com atenção máxima da equipe, sem interferências externas, priorizando a ciência e a segurança, já que a missão envolvia perigos extremos. O resultado foi um recorde impressionante e uma conquista significativa para a tecnologia aeroespacial. Em 15.abril.2015, o prêmio Laureus consagrou Alan Eustace como personalidade esportiva do ano 2015 (categoria esportes de ação). O Laureus World Sports Awards homenageia, reconhece e celebra anualmente os maiores atletas do mundo, um grupo único de lendas do esporte, cada uma das quais atingiu o mais alto nível de conquista e criou muitos dos momentos mais icônicos do esporte. Entusiasmado com a experiência e as conquistas científicas do exitoso projeto StatEx, do qual foi protagonista exemplar, Eustace inicialmente tinha grandes planos para quebrar mais recordes utilizando o traje espacial, que poderia ser usado para balonismo de alta altitude, planador ou sailplane / plandrive. Contudo Eustace, pai de três filhos, conversou com a sua esposa, Kathy Ann Kwan sobre novos desafios: “Minha esposa tem planos de que eu não faça mais nenhuma dessas coisas”, Eustace disse logo após dar uma palestra no TED sobre sua experiência. “Não tenho mais permissão para fazer nada que seja considerado “extremamente perigoso”. Estávamos apenas negociando o que significaria “extremamente perigoso.” Na perspectiva do determinado e corajoso Eustace, o “extremamente perigoso” mudou de patamar, o que significaria mais riscos, mas, ao que parece, seguindo os conselhos de sua esposa, finalmente ele doou o seu traje espacial para o Smithsonian US National Air e Space Museum e o seu anexo Steven F. Udvar-Hazy Center em Chantilly, Virginia, USA, onde é mantido em uma atmosfera controlada. Por Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: ¹ A estratosfera é a segunda maior camada da atmosfera terrestre, situada entre a troposfera e a mesosfera, se estende, aproximadamente, em seu limite inferior, de 10 km (nos polos) a 15 km (nos trópicos) e com limite superior de aproximadamente 50 km de altitude, a partir da superfície e abriga a camada de ozônio. O significado da palavra estratosfera vem do latim stratum, que quer dizer camada. A estratosfera concentra 19% dos gases da atmosfera, é a segunda camada mais próxima da Terra, possui pouco vapor d'água em sua composição e quase não apresenta nuvens. A estratosfera é rica em gás ozônio e pobre em gás oxigênio. ² Um paraquedas drogue é um pequeno paraquedas que desacelera um objeto em movimento rápido, como uma aeronave, nave espacial ou paraquedista. O paraquedas drogue ajudou Alan Eustace a manter a estabilidade e o controle durante seu salto de paraquedas de alta altitude e também o impediu de entrar em um giro de alta velocidade. Fontes: BUSINESS INSIDER. A 57-year-old Google engineer performed the highest human free-fall, jumping from 135,890 feet up in the stratosphere. A documentary on Netflix reveals how he did it. Disponível em: Acesso em: 08.março.2025. CHAT GPT. Resposta obtida sobre Alan Eustace, sua queda livre estratosférica e benefícios científicos. Acessos em: 15.fev.2025 e 08.março.2025. FÉDÉRATION AÉRONAUTIQUE INTERNATIONALE. Yet to be beaten: Alan Eustace’s high altitude parachute jump records still stand, 10 years on. Disponível em: Acesso em: 12.fev.2025. GOOGLE GEMINI. Resposta obtida no Google Gemini sobre Drogue Parachute. Acesso em: 12.fev.2025 HPS ALLIANCE. Exploring the Stratosphere: Alan Eustace’s Record-Breaking Jump. Disponível em: Acesso em: 14.fev.2025. LAUREUS. The Laureus World Sports Awards honours. Disponível em: Acesso em:09.março.2025. LUCHIARI PARAQUEDISMO. O recorde discreto e alucinante de Alan Eustace. Disponível em: Acesso em: 19.fev.2025. ORLANDO SENTINEL. Google exec remembers growing up in Pine Hills. Disponível em: Acesso em: 13.fev.2025. PARACHUTIST. Profiles: Alan Eustace. Disponível em Acesso em: 09.março.2025. PARAGON – SPACE DEVELOPMENT CORPORATION. Alan Eustace and the Paragon StratEx Team make stratospheric exploration history at over 135,000 feet. Disponível em: Acesso em: 14.fev.2025. VICE. Follow this Google Scientist Being Dropped Through the Stratosphere. Disponível em: Acesso em: 24.fev.2025. VOX. Alan Eustace on Jumping From the Stratosphere and Life After Google. Disponível em: Acesso em: 23.fev.2025. WATCH NOW. Watch 14 Minutes From Earth. Disponível em: Acesso em: 07.março.2025.
- A inovadora córnea em 3D que poderá recuperar a visão de cegos por opacidade corneana.
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Em 29 de outubro de 2025, no Rambam Health Care Campus, em Haifa, Israel, um procedimento médico silencioso marcou um dos avanços mais significativos da oftalmologia moderna: o primeiro transplante bem‑sucedido de uma córnea totalmente bioimpressa em 3D, criada inteiramente a partir de células humanas cultivadas em laboratório. A paciente, legalmente cega de um dos olhos, recuperou a visão após receber o implante PB‑001, desenvolvido pela empresa israelense‑americana Precise Bio, especializada em medicina regenerativa e biofabricação de tecidos. O feito não surgiu do acaso. Segundo a Precise Bio, o transplante é resultado de mais de uma década de pesquisa multidisciplinar envolvendo biologia celular, biomateriais e bioimpressão 3D — um esforço que começou ainda nos anos 2010, quando a empresa foi fundada por Aryeh Batt e pelo renomado pesquisador Anthony Atala, diretor do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, nos Estados Unidos. A companhia não divulga valores totais de investimento, mas descreve o projeto como fruto de “anos de desenvolvimento científico e clínico”, sustentado por infraestrutura própria de biofabricação instalada no Sheba Medical Center, próximo a Tel Aviv. A inovação parte de um princípio que pode redefinir o futuro dos transplantes: uma única córnea humana doada pode gerar até 300 implantes bioimpressos, graças à expansão celular e à impressão camada por camada que recria a estrutura transparente do tecido corneano. O processo é realizado em ambiente GMP (Good Manufacturing Practice), onde células corneanas são isoladas, cultivadas e organizadas em uma arquitetura tridimensional precisa, capaz de integrar‑se ao olho humano e restaurar a função óptica. O transplante realizado em Haifa, Israel, faz parte de um ensaio clínico de fase 1, que prevê incluir entre 10 e 15 pacientes com doenças endoteliais da córnea. O objetivo inicial é avaliar segurança, tolerabilidade e primeiros sinais de eficácia. Os resultados preliminares devem ser divulgados no segundo semestre de 2026. Até agora, apenas uma paciente recebeu o implante, mas a resposta clínica foi considerada positiva pelos cirurgiões. Biologically Printed Cornea – Implanted in a Woman Suffering From Blindness. Fonte: Rambam HCC O oftalmologista Michael Mimouni, diretor da Unidade de Córnea do Rambam e responsável pela cirurgia, descreveu o momento como “um marco histórico” e “um vislumbre de um futuro em que ninguém precisará viver na escuridão por falta de tecido doador. A declaração ecoa um problema global: estima‑se que, para cada 70 pessoas que necessitam de transplante de córnea, apenas uma córnea doadora esteja disponível — um déficit que afeta mais de 13 milhões de pacientes no mundo. A repercussão internacional foi imediata. Nos Estados Unidos, o North Carolina Biotechnology Center classificou o procedimento como “um ponto de virada para a oftalmologia regenerativa” e destacou que o PB‑001 é o primeiro implante funcional de córnea bioimpressa já utilizado em um ser humano. Na Ásia, veículos como o Times of India ressaltaram que o avanço pode inaugurar uma era de implantes “prontos para uso”, com qualidade consistente e possibilidade de criopreservação prolongada, superando limitações logísticas e biológicas das córneas humanas tradicionais. A Europa também acompanha o movimento. Pesquisadores da Suíça, Holanda e Alemanha desenvolvem modelos alternativos de córneas bioimpressas, alguns autoadesivos e baseados em hidrogéis de colágeno e ácido hialurônico, mas nenhum deles chegou ainda à aplicação clínica em humanos — o que reforça o pioneirismo israelense. Apesar do entusiasmo, especialistas mantêm cautela. Ainda não se sabe quanto tempo o implante bioimpresso permanecerá funcional, já que córneas humanas doadas podem durar até três décadas. Também não há dados consolidados sobre riscos de rejeição ou complicações a longo prazo. A paciente tratada em Israel recuperou a visão após o procedimento, mas o tempo exato entre a cirurgia e a melhora visual não foi detalhado pelas fontes internacionais. Mesmo assim, o impacto simbólico e científico é inegável. Como afirmou Aryeh Batt, CEO da Precise Bio, “imagine um mundo onde uma única córnea doadora possa dar origem a centenas de implantes cultivados em laboratório, transformando escassez em abundância”. Se os resultados clínicos confirmarem o potencial observado no primeiro transplante, a córnea 3D bioimpressa poderá inaugurar uma nova era — não apenas para Israel, mas para a medicina global. Nota: Para apresentação de legendas em sua língua nativa dos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa. Fontes: North Carolina Biotechnology Center. (USA). Neal, Kathy. First 3D-bioprinted corneal transplant marks early milestone for Triad’s Precise Bio. Disponível em: Acesso em 19.dez.2025. VoxelMatters. (UK). Wakefield, Edward. Israeli surgeons implant world’s first 3D bioprinted cornea. Disponível em: Acesso em: 19.dez.2025. Rambam Health Care Campus (Israel) – comunicado institucional sobre o transplante Disponível em: https://www.rambamhcc.com/ Acesso em 19.dez.2025. Times of India. How world’s first 3D printed cornea restored a 70-yr-old’s vision. Disponível em: Acesso em 19.dez.2025.
- Pesquisa japonesa pretende fazer nascer novos dentes em adultos
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá A ideia de fazer nascer um novo dente em adultos — algo que até pouco tempo atrás parecia ficção científica — está se tornando uma possibilidade real graças a um estudo clínico conduzido no Japão. Bandeira do Japão, Monte Fuij e flores de cerejeiras Ao contrário de répteis e peixes, que geralmente substituem suas presas regularmente, é amplamente aceito que humanos e a maioria dos outros mamíferos desenvolvem apenas duas dentições. De acordo com a pesquisa, escondidos sob nossas gengivas estão os brotos dormentes de uma terceira geração. A pesquisa, que entrou oficialmente em fase de testes em humanos, promete inaugurar uma nova era na odontologia regenerativa, oferecendo uma alternativa biológica aos implantes dentários. Em vez de substituir o dente perdido com materiais artificiais, o objetivo é estimular o próprio corpo a produzir um novo dente, como se recuperássemos a capacidade natural de “trocar” dentes ao longo da vida. O estudo está sendo realizado no Kyoto University Hospital, um dos centros médicos mais respeitados do Japão, conhecido por sua forte atuação em pesquisas clínicas avançadas. A liderança do projeto está nas mãos do Dr. Katsu Takahashi, cirurgião bucomaxilofacial e chefe de Cirurgia Oral do Medical Research Institute Kitano Hospital, em Osaka. Takahashi é reconhecido internacionalmente como um dos pioneiros da regeneração dentária, e seu grupo de pesquisa vem investigando, há anos, os mecanismos biológicos que controlam o desenvolvimento dos dentes. A inovação central do estudo é o medicamento TRG‑035, um anticorpo monoclonal administrado por via intravenosa. Ele atua bloqueando a proteína USAG‑1, que funciona como um “freio” natural para o crescimento de dentes adicionais. Antes de passar para os testes em humanos, pesquisadores realizaram extensos testes em camundongos e furões para testar a eficácia e segurança do TRG-035. Os testes mostraram que, ao inibir essa proteína, brotos dentários adormecidos podem ser ativados, resultando no crescimento de um novo dente completo — com raiz, esmalte e estrutura funcional. Tais resultados animadores levaram à criação de uma startup japonesa de biotecnologia dedicada a transformar a descoberta em um tratamento clínico. Os testes clínicos começaram em outubro de 2024, após aprovação ética no Japão, embora a data exata do parecer não tenha sido divulgada publicamente. A fase atual, chamada fase I, envolve 30 homens adultos entre 30 e 64 anos, todos com pelo menos um dente ausente. O objetivo desta fase não é provar eficácia, mas sim avaliar a segurança do medicamento, sua tolerabilidade e a dosagem adequada. Até o momento, não há relatos de pessoas que já tenham regenerado dentes — isso será investigado nas fases seguintes, caso a fase I confirme que o tratamento é seguro. Os resultados pré-clínicos são bastante promissores. Em animais, o TRG‑035 induziu o crescimento de dentes funcionais sem efeitos colaterais graves. A consistência dos resultados, somada ao fato de que anticorpos semelhantes já são usados com segurança em tratamentos de osteoporose, reforça a confiança dos pesquisadores na continuidade do estudo. Drug to regrow teeth may be on market by 2030 | NewsNation Live Especialistas internacionais, como o professor Angray Kang, da Queen Mary University of London, afirmam que o grupo japonês está “liderando o caminho” e que a abordagem é “plausível e promissora”, mas não é uma "corrida curta", pois envolve seguidas "ultramaratonas". Chengfei Zhang, professor clínico de endodontia na Universidade de Hong Kong, comentou que o método é "inovador e tem potencial", mas pediu cautela, citando que os resultados dos estudos em animais nem sempre se aplicam diretamente aos humanos. Ele também questionou se os novos dentes recém-crescidos poderiam igualar a funcionalidade e a aparência dos dentes naturais. Um confiante Takahashi argumenta que a localização de um novo dente na boca pode ser controlada, senão determinada com precisão, pelo local da injeção do medicamento. E se crescer no lugar errado, pode ser movido por meio de ortodontia ou transplante, disse ele. Ainda não se sabe quanto tempo levará para que um novo dente apareça em humanos após a administração do medicamento. Nos animais, o processo levou semanas a meses, mas em humanos — cuja formação dentária é mais lenta — espera-se um intervalo maior, possivelmente de vários meses a mais de um ano. Permanecem em avaliação os riscos potenciais, como interferências em vias de sinalização óssea ou crescimento de dentes em posições inesperadas, embora nada disso tenha sido observado nos modelos animais até agora. O investimento total no projeto não foi divulgado pelas fontes internacionais, mas sabe-se que o desenvolvimento envolve uma parceria entre universidades japonesas e uma startup de biotecnologia, indicando financiamento misto público e privado. Até o momento, não há parcerias formais com empresas estrangeiras ou centros de pesquisa de outros países, embora o interesse internacional seja crescente. O estado da arte é claro: o Japão é hoje o único país com um ensaio clínico ativo para regeneração dentária por meio de anticorpos. Estados Unidos, Europa e China acompanham o avanço, mas ainda não possuem estudos clínicos equivalentes. Se as próximas fases confirmarem segurança e eficácia, o tratamento poderá inaugurar uma nova era na odontologia, oferecendo uma alternativa biológica aos implantes dentários e beneficiando milhões de pessoas com perdas dentárias ou condições congênitas. O estudo japonês sobre o “terceiro conjunto de dentes” representa uma das fronteiras mais empolgantes da medicina regenerativa. Embora ainda esteja em fase inicial e longe de se tornar um tratamento disponível ao público, ele já demonstra potencial para transformar radicalmente a forma como tratamos a perda dentária. A ciência ainda precisa responder a muitas perguntas, mas o caminho aberto pelo Dr. Takahashi e sua equipe coloca o mundo diante de uma possibilidade inédita: recuperar dentes perdidos não com próteses, mas com a própria biologia humana. Por Luiz Cincurá. Nota: Para apresentação de legendas em sua língua nativa dos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa. Fontes: CLEVELAND 13 NEWS. PORTIER, Lauren. Japanese Scientists Begin Human Trials for Tooth Regrowth Drug with Goal of 2030 Release. Disponível em: < https://www.cleveland13news.com/> Acesso em: 21.dez.2025. LUMINANCE DENTAIRE. GABEV, Angel. Japanese Scientists Begin Human Trials for Tooth Regrowth Drug. Disponível em: Acesso em: 21.dez.2025. MEDICAL XPRESS. A news report about the start of clinical trials and details of the study with TRG‑035. Disponível em: Acesso em: 21.dez.2025.
- Das missões Apollo até Artemis
High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Décadas se passaram desde que o ser humano deixou suas primeiras pegadas na superfície da Lua - um feito da missão Apollo 11, da NASA¹, que redefiniu os limites da ciência, da tecnologia e da própria imaginação humana e que merece ser revisitado. Esse marco extraordinário continua a inspirar gerações e ganha novo significado agora, quando o Programa Artemis da NASA, prepara os próximos passos do retorno humano ao espaço. A Lua, que foi o ponto culminante das missões Apollo, deixa de ser destino final para se tornar, futuramente, uma plataforma estratégica de preparação e aprendizado - o primeiro degrau de uma nova era que projeta a humanidade rumo a Marte. Voltemos, portanto, à missão Apollo 11, para melhor entendimento de toda essa trajetória evolutiva de descobertas espaciais, das missões Apollo até Artemis. Apollo 11: O registro histórico do primeiro ser humano pisando no solo lunar Em 20 de julho de 1969, a espaçonave da missão Apollo 11, da NASA, entrou em órbita da Lua. O veículo era composto por três partes principais: o Módulo de Comando, chamado Columbia, que funcionava como cabine de controle e cápsula de retorno à Terra; o Módulo de Serviço, responsável por energia e propulsão; e o Módulo Lunar, batizado de Eagle, um veículo com motor próprio projetado para pousar na superfície lunar. Após estabelecer a órbita, o Eagle desacoplou-se do conjunto principal da espaçonave e iniciou sua descida controlada até chegar ao solo da Lua. Concluída a visitação e observação direta do solo lunar, por um período de 2h31min os astronautas retornaram à Eagle. Lá permaneceram por 19h05min para organizar as amostras lunares, alimentação, descanso e preparar o veículo para decolagem. Todo esse processo teve a duração de 21h36min. Na decolagem, apenas a parte superior do módulo lunar Eagle — chamada estágio de subida — decolou da superfície para reencontrar o Módulo de Comando Columbia em órbita. A base do Eagle, com suas pernas de pouso e motor de freio para pousar na lua, chamada de estágio de descida, permaneceu na Lua. Depois que os astronautas retornaram ao Columbia, o estágio de subida foi descartado na órbita lunar. Somente o Módulo de Comando onde estavam os astronautas, regressou à Terra e pousou de paraquedas no Oceano Pacífico. Para realizar essa façanha memorável, a Apollo 11 percorreu cerca de 384.000 km com velocidade média aproximada de 5.058 Km/h - do planeta Terra até a órbita da lua - uma viagem de cerca de 3 dias e 4 horas. A tripulação da Apollo 11 era composta de três astronautas: Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. Armstrong e Aldrin desceram à superfície da lua no módulo lunar, enquanto Collins permaneceu no módulo de comando Columbia, orbitando a Lua. Retornando da lua, módulo lunar Eagle se aproxima do módulo de comando Columbia, em órbita lunar, para acoplamento. No alto, ao fundo, vista do planeta Terra. Image Credit: NASA/Michael Collins. O feito histórico foi transmitido ao vivo para cerca de 49 países, alcançando aproximadamente 600 milhões de pessoas - um dos maiores eventos midiáticos já registrados até então. Ao descer do módulo lunar Eagle, o astronauta Neil Armstrong, o primeiro a pisar na lua, pronunciou a frase que atravessaria gerações: “That’s one small step for a man, one giant leap for mankind.” ("Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade"). A frase de Armstrong sintetizou a dimensão histórica da conquista. Não era apenas um pouso. Era a prova de que a humanidade era capaz de ultrapassar seus próprios limites físicos e tecnológicos. Isso em uma época em que os computadores eram menos potentes que uma calculadora científica atual e sistemas de navegação eram baseados em cálculos manuais e instrumentação analógica. Devido a grande dimensão midiática concedida - pelo ineditismo do extraordinário acontecimento - muitos que sequer haviam nascido à época, hoje ainda acreditam que esse feito ocorreu apenas uma única vez. No entanto, embora a Apollo 11 tenha sido a primeira, o pouso lunar foi repetido em outras cinco missões do programa Apollo da NASA, totalizando seis ocasiões diferentes em que astronautas caminharam na Lua, entre 1969 e 1972, conforme podemos ver no quadro abaixo: Missão Astronautas que pisaram na Lua Data do pouso na lua Data de retorno à Terra Apollo 11 2 20 julho 1969 24 julho 1969 Apollo 12 2 19 novembro 1969 24 novembro 1969 Apollo 14 2 5 fevereiro 1971 9 fevereiro 1971 Apollo 15 2 30 julho 1971 7 agosto 1971 Apollo 16 2 21 abril 1972 27 abril 1972 Apollo 17 2 11 dezembro 1972 19 dezembro 1972 Doze homens caminharam sobre o solo lunar nesse curto intervalo de tempo. Desde então, porém, nenhum ser humano voltou à superfície da Lua - um hiato de mais de meio século que agora começa a ser desafiado, por uma nova geração de missões e com novos propósitos. As missões Artemis Quase cinco décadas depois, o Programa Artemis foi criado para retomar e expandir a presença humana além da órbita baixa² da Terra. Contudo, a abordagem atual é diferente da corrida espacial dos anos 1960 - a NASA está construindo um programa sustentado, passo a passo, com tecnologia moderna e parcerias comerciais e internacionais. Missões Artemis/NASA. Credit: SATNow Artemis I: teste sem tripulação (2022) A missão Artemis I foi lançada em 16 de novembro de 2022 usando o novo foguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion. Sem tripulantes, essa missão testou sistemas críticos: lançamento, trajetória para a Lua, órbita lunar e retorno à Terra, percorrendo mais de 2,3 milhões de quilômetros. Compilação de vídeos da NASA, lançamento da Artemis I, apresentada por Digital Astronaut Episode Credits: Directed and Edited by: Jared Belcher Video and Audio provided by NASA Episode Music: “Across the Sea” Composed by Blake Ewing, Performed by Brooke Mitchels. Artemis II: missão tripulada em órbita lunar (2026) A próxima missão, Artemis II está planejada para ter o foguete lançado não antes de 06 de março de 2026, partindo do Kennedy Space Center, Flórida (EUA). Será um voo de cerca de 10 dias com quatro astronautas a bordo da Orion, indo além da órbita terrestre e descrevendo um flyby ao redor da Lua (os astronautas irão circundar a Lua e retornar, sem pousar) antes de voltar à Terra. O objetivo não é pousar na Lua, mas testar sistemas de suporte à vida, comunicações, navegação e operação em ambiente profundo, com tripulação, o que é fundamental para missões posteriores. Isso prepara o terreno para o próximo passo do programa e reduz riscos antes de uma tentativa de pouso. A Artemis II deverá levar cerca de quatro dias para alcançar a Lua e mais quatro dias para realizar o trajeto de volta à Terra. Nesse período, os astronautas seguirão verificando e analisando o desempenho dos sistemas da espaçonave, além de treinar protocolos e simulações de emergências. Ao mesmo tempo, seus organismos serão monitorados para ampliar o conhecimento sobre os efeitos que as viagens espaciais exercem no corpo humano. Artemis II à Lua: Do lançamento ao pouso na água (Animação da missão da NASA). Credit: NASA. Artemis III: pouso lunar (previsto para 2027–2028) As missões Artemis 1 (não tripulada) e Artemis 2 (tripulada, até a órbita lunar) são voos de testes para um novo capítulo da exploração humana no Espaço. A Artemis III está planejada para ser a primeira missão tripulada a pousar na Lua desde Apollo 17 (1972), em 2027 ou 2028. A data pode variar conforme testes e desenvolvimento do módulo de descida lunar. Esta missão usará uma combinação do foguete SLS, da Orion e de um sistema de pouso lunar (Human Landing System), que embarcará os astronautas na superfície lunar. O conjunto de missões Artemis (2022-2028) visa ir além das conquistas do Programa Apollo (1969-1972): não se trata apenas de chegar à Lua, mas de ter uma presença mais constante por lá, de acordo com Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa: “Diferentemente do Apollo, desta vez, quando formos à Lua, queremos ficar. Queremos ter uma presença sustentável na Lua. Queremos poder voltar várias vezes ao longo dos anos, para realmente aprender a viver e trabalhar nesse ambiente que está um pouco mais distante da Terra." Segundo Krishna (2005), em matéria publicada na National Geografic, entender o impacto das viagens espaciais nos astronautas da Artemis será fundamental para uma futura missão à Marte. A cápsula Orion, por si só, já representa um desafio, pois oferece apenas 9,34 m³ de espaço habitável, para quatro astronautas viverem, trabalharem e dormirem por quase dez dias, o que faz do confinamento um objeto de estudo. Cabine da Orion. Credit: NASA Krishna (2005) relata que, segundo Steven Platts, cientista-chefe do Programa de Pesquisa Humana, há três experimentos a bordo, todos com participação voluntária da tripulação. Um deles avalia bem-estar psicológico e padrões de sono em ambiente isolado — dados essenciais, já que a Artemis II será a primeira missão tripulada além da órbita terrestre desde 1972. Outros dois estudos analisam os efeitos fisiológicos do espaço, segundo Krishna (2005). Serão coletadas amostras de sangue e saliva antes e depois da missão para examinar biomarcadores e hormônios. Durante o voo, os astronautas recolherão saliva em papel absorvente especial, permitindo comparação posterior com as amostras pré e pós-missão. A tripulação também fará um teste de obstáculos antes e depois do voo para medir impactos da microgravidade no equilíbrio, coordenação e estabilidade. Será a primeira vez que esse experimento envolverá astronautas que viajaram além da órbita da Terra. A Lua não é o destino final - é o ponto de partida. O programa Artemis foi concebido para estabelecer uma presença humana sustentável no entorno lunar e, a partir daí, preparar o próximo grande salto: levar astronautas à Marte, como confirma Bill Nelson, administrador da NASA: “Com Artemis, vamos explorar a Lua para descoberta científica, avanço tecnológico e aprender a viver e trabalhar em outro mundo enquanto nos preparamos para missões humanas a Marte.” A Lua, portanto, continuará sendo estudada e utilizada como base estratégica para desenvolver as capacidades necessárias a um desafio ainda mais audacioso: a chegada humana a Marte — em um futuro talvez não tão distante. High-TechSociety.com Fundador e Editor: Luiz Cincurá luiz.cincura@high-techsociety.com Notas: ¹ Criada em 1958, sediada em Washington-DC e com dez centros de campo nos Estados Unidos, a National Aeronautics and Space Administration (NASA) é uma agência independente do governo federal, responsável pelo programa espacial civil dos Estados Unidos e pela pesquisa em aeronáutica e exploração espacial. ² A órbita baixa da Terra (em inglês, Low Earth Orbit – LEO) é a região do espaço situada aproximadamente entre 160 km e 2.000 km de altitude acima da superfície terrestre. É a faixa orbital mais próxima do planeta e a mais utilizada para satélites de observação da Terra, satélites de comunicação, missões tripuladas e estações espaciais. Por exemplo, a International Space Station (ISS) orbita a cerca de 400 km de altitude, dentro da órbita baixa. Fontes: CBS NEWS. Apollo 11 Broadcast Archive. Acesso em: 17.fev.2026. KRISHNA, Swapna. NATIONAL GEOGRAFIC. The farthest journey in human history is about to begin. 2025. Acesso em 19.fev.2026. NASA. Apollo Mission Overview e Apollo History. Acesso em: 17.fev.2026. NASA Artemis: Mission, Objectives, and Sequence of Phases. Acesso em 19.fev.2026. NATIONAL GEOGRAPHIC. Historical Coverage & Analysis. Acesso em: 17.fev.2026. NATIONAL GEOGRAFIC. The farthest journey in human history is about to begin. Acesso em 19.fev.2026. SMITHSONIAN INSTITUTION NATIONAL AIR AND SPACE MUSEUM. Apollo Program Overview. Acesso em: 17.fev.2026 THE NEW YORK TIMES. Historical archive. Acesso em: 17.fev.2026 WIKIPEDIA. Artemis II details: launch, crew, duration and objectives. Acesso em 19.fev.2026. WIKIPEDIA. NASA. Acesso em 21.fev.2026
- Wimbledon 2026 - Parte 1
O Grand Slam mais tradicional do mundo. High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá A edição de 2026 do torneio de Wimbledon teve início nesta segunda-feira, 29 de junho, na cidade de Londres, mais precisamente no tradicional complexo esportivo do All England Club. As partidas começaram a ser disputadas a partir das 11h da manhã no horário local de Londres (BST), marcando o início de mais uma edição. O torneio seguirá ao longo de duas semanas, com encerramento previsto para 12 de julho de 2026, quando serão conhecidos os campeões das chaves de simples masculina e feminina. Durante esse período, o evento reúne os principais nomes do tênis mundial em uma disputa que combina alto nível técnico, tradição e uma atmosfera considerada única dentro do circuito profissional. O que é Wimbledon e por que ele é um Grand Slam Wimbledon é o mais antigo e prestigiado torneio de tênis do mundo, realizado anualmente há quase 150 anos, desde 1877. O torneio foi interrompido apenas durante os períodos das duas guerras mundiais. No tênis profissional, Wimbledon integra o grupo dos chamados Grand Slams, nome dado aos quatro torneios mais importantes do calendário internacional. Essa classificação não se refere apenas ao prestígio histórico, mas também ao fato de que esses eventos oferecem a maior pontuação para os rankings mundiais e concentram a elite do esporte. Os quatro Grand Slams Cada um desses torneios apresenta características próprias, mas Wimbledon se diferencia de maneira marcante por ser o único disputado em quadras de grama natural. Esse fator influencia diretamente o estilo de jogo, tornando as partidas mais rápidas e exigindo dos atletas reflexos mais apurados, precisão nos golpes e adaptação constante ao comportamento da bola no gramado. Tradição e identidade histórica do torneio Ao longo de quase um século e meio de existência, Wimbledon construiu uma identidade única dentro do esporte mundial. Diferentemente de outros grandes eventos esportivos, o torneio mantém até hoje uma forte ligação com suas tradições originais, o que inclui o rigor na manutenção do código de vestimenta predominantemente branco, o cuidado extremo com o gramado e a preservação de protocolos centenários que reforçam seu caráter histórico. Outro elemento marcante é a atmosfera do evento, que combina modernidade e tradição de forma equilibrada. A presença frequente da Família Real Britânica, o consumo tradicional de morangos com creme pelo público e o respeito absoluto ao silêncio durante os pontos são aspectos que ajudam a consolidar Wimbledon como um evento singular no cenário esportivo internacional. Início da competição e organização da programação A programação de Wimbledon 2026 segue o formato tradicional do torneio, com as partidas distribuídas ao longo de duas semanas. Não há uma cerimônia de abertura com apresentações musicais ou espetáculos artísticos, como ocorre em outros grandes eventos esportivos internacionais. A organização mantém um formato mais sóbrio, no qual o foco está inteiramente voltado para o início das partidas e para o protocolo esportivo tradicional. Um torneio que preserva o esporte acima do espetáculo Wimbledon mantém uma filosofia que prioriza o esporte em sua forma mais clássica. Essa característica contribui para que o evento seja frequentemente citado como o mais elegante e tradicional do circuito mundial, reforçando sua posição como um dos pilares históricos do tênis profissional. Na segunda parte desta série especial do High-Tech Society, serão apresentados o formato completo da competição, o número de participantes nas chaves masculina e feminina, o sistema de disputa, os principais favoritos ao título, além de informações sobre como assistir às partidas pela televisão e pelas plataformas de streaming. Por Luiz Cincurá Fundador e Editor High-TechSociety.com Transparência editorial: Este artigo foi produzido com o apoio do ChatGPT nas etapas de pesquisa e organização preliminar do conteúdo. A definição da abordagem editorial, a análise crítica, a revisão técnica e a redação final foram realizadas pelo Editor, responsável final pelo conteúdo publicado. Fontes: Wimbledon. Site oficial do torneio. Acesso em 29.jun.2026. All England Lawn Tennis and Croquet Club.Acesso em 29.jun.2026. ATP Tour – Circuito Mundial Masculino. Acesso em 29.jun.2026 WTA Tour – Circuito Mundial Feminino. Acesso em 29.jun.2026 Federação Internacional de Tênis. Acesso em 29.06.2026. Lawn Tennis Association (LTA). Acesso em 29.jun.2026.
- Wimbledon 2026 - Parte 2
Premiação, ingressos e estrutura High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Depois de conhecer a história e as tradições de Wimbledon na primeira parte desta série especial, é hora de entender como funciona a organização daquele que é considerado o torneio de tênis mais prestigiado do planeta. A edição de 2026 reúne centenas de atletas, distribui uma premiação recorde e utiliza uma das estruturas esportivas mais modernas do mundo, preservando ao mesmo tempo tradições centenárias. Participantes A chave principal das competições de simples reúne 128 tenistas na categoria masculina e outros 128 na feminina, totalizando 256 atletas apenas nas disputas individuais. Além deles, o torneio recebe jogadores nas categorias de duplas masculinas, duplas femininas, duplas mistas, juvenis e cadeirantes, fazendo com que o número total de participantes ultrapasse os 700 atletas ao longo das duas semanas de competição. Antes da chave principal, centenas de outros jogadores disputam o torneio classificatório, conhecido como qualifying, em busca das últimas vagas disponíveis para a competição principal. Competição O sistema de disputa é eliminatório. Em cada rodada, os vencedores avançam e os derrotados deixam a competição. Nas disputas de simples, homens e mulheres percorrem sete fases até a definição do campeão: primeira rodada, segunda rodada, terceira rodada, oitavas de final, quartas de final, semifinais e final. Esse formato, utilizado há décadas, garante que apenas o atleta mais consistente ao longo de todo o torneio conquiste o tradicional troféu de Wimbledon. Premiação Além do prestígio esportivo, Wimbledon oferece em 2026 a maior premiação de sua história. O torneio distribuirá um total de £ 64,2 milhões, valor aproximadamente 20% superior ao da edição anterior. Os campeões das chaves de simples masculina e feminina receberão £ 3,6 milhões cada, enquanto os vice-campeões terão direito a £ 1,8 milhão. Os semifinalistas receberão £ 900 mil, os quartas de finalistas £ 480 mil, os atletas eliminados nas oitavas de final £ 300 mil, na terceira rodada £ 185 mil, na segunda rodada £ 126 mil e até mesmo os jogadores eliminados logo na estreia receberão £ 80 mil, demonstrando a elevada valorização financeira do circuito profissional. Destaques Além da expressiva premiação, Wimbledon 2026 reúne alguns dos maiores nomes do tênis mundial. Na chave masculina, o italiano Jannik Sinner, atual número 1 do mundo, desponta como um dos principais candidatos ao título. Também figuram entre os favoritos o sérvio Novak Djokovic, sete vezes campeão de Wimbledon, o alemão Alexander Zverev, o norte-americano Taylor Fritz e o canadense Félix Auger-Aliassime, todos presentes na chave principal. Na disputa feminina, a bielorrussa Aryna Sabalenka, cabeça de chave número 1, lidera a lista de favoritas. Também aparecem entre as principais candidatas a polonesa Iga Świątek, atual campeã de Wimbledon, a cazaque Elena Rybakina, campeã em 2022, a norte-americana Coco Gauff e a norte-americana Jessica Pegula, todas confirmadas na chave principal do torneio. Estrutura A estrutura é sustentada por um dos complexos esportivos mais completos do tênis mundial. O All England Club conta com 18 quadras oficiais utilizadas durante o torneio, além de diversas quadras destinadas exclusivamente aos treinamentos. A principal delas é a histórica Centre Court (Quadra Central), inaugurada em 1922 e atualmente com capacidade para aproximadamente 14.979 espectadores. Trata-se da arena mais importante de Wimbledon e palco das principais partidas da competição, incluindo as finais de simples masculina e feminina. Diferentemente do que o nome pode sugerir, ela não corresponde à Quadra nº 1. Esta é outra arena do complexo, denominada No. 1 Court, com capacidade para cerca de 12.345 espectadores. Já a No. 2 Court, a terceira maior quadra do torneio, acomoda aproximadamente 4 mil pessoas. Tanto a Centre Court quanto a No. 1 Court possuem cobertura retrátil, permitindo a continuidade das partidas mesmo durante as frequentes chuvas do verão britânico. Ingressos Conseguir um ingresso para Wimbledon continua sendo um desafio para torcedores do mundo inteiro. A maior parte dos bilhetes é distribuída por meio de sorteios internacionais realizados meses antes do início do torneio. Outra tradição bastante conhecida é a chamada "The Queue", fila organizada diariamente para a venda de uma quantidade limitada de ingressos disponibilizados ao público. Em 2026, os ingressos mais acessíveis são os Grounds Passes, que permitem circular pelo complexo e assistir às partidas disputadas nas quadras externas, com preços entre £ 21 e £ 33, dependendo do dia do torneio. Já os ingressos para a Centre Court, onde acontecem as principais partidas e as finais, variam de £ 80, nos primeiros dias e nos setores mais econômicos, até £ 350 para os melhores lugares durante as finais de simples. Há ainda os tradicionais ingressos debenture, comercializados separadamente com serviços exclusivos e assentos privilegiados, cujos valores podem chegar a milhares de libras esterlinas no mercado autorizado. Onde assistir No Brasil, Wimbledon 2026 é transmitido ao vivo pela ESPN, na televisão por assinatura, e pelo Disney+, no streaming. Em outros países, a cobertura é realizada por emissoras e plataformas licenciadas pelo All England Club, entre elas a BBC (Reino Unido), ESPN/ABC (Estados Unidos), Sky Sport/NOW (Itália) e, em mercados específicos, o DAZN, conforme os direitos de transmissão de cada país. Na terceira e última parte desta série especial, o High-Tech Society explicará por que a grama continua sendo o piso mais desafiador do circuito profissional e mostrará como esse tipo de quadra influencia diretamente o estilo de jogo dos maiores tenistas do mundo, além de outras informações. Por Luiz Cincurá Fundador e Editor High-TechSociety.com Transparência editorial: Este artigo foi produzido com o apoio do ChatGPT nas etapas de pesquisa e organização preliminar do conteúdo. A definição da abordagem editorial, a análise crítica, a revisão técnica e a redação final foram realizadas pelo Editor, responsável final pelo conteúdo publicado. Fontes: Wimbledon – The Championships (Official Website). Acesso em 30.jun.2026. All England Lawn Tennis and Croquet Club (AELTC). Acesso em 30.jun.2026. ATP Tour. Acesso em 30.jun.2026. Lawn Tennis Association (LTA). Acesso em 30.jun.2026.
- Wimbledon 2026 – Parte 3
O desafio da grama e os maiores campeões. High-TechSociety.com | Por Luiz Cincurá Ao longo desta série especial, apresentada em três partes, o High-Tech Society apresentou a história, a tradição, a estrutura e a organização de Wimbledon. Nesta terceira e última parte, o foco está na principal característica que diferencia o torneio dos demais Grand Slams: o piso de grama natural, considerado por muitos especialistas o mais exigente do circuito profissional. A grama natural de Wimbledon Embora todos os Grand Slams reúnam a elite do tênis mundial, apenas Wimbledon é disputado sobre grama. Essa característica altera significativamente a dinâmica das partidas e exige dos atletas uma adaptação que vai muito além da técnica. A velocidade da bola, a forma como ela quica e até a movimentação dos jogadores são influenciadas diretamente pelo piso. Na grama, a bola costuma manter maior velocidade após tocar o solo e apresenta um quique mais baixo e, por vezes, menos previsível do que nas quadras duras ou de saibro. Como consequência, os tenistas dispõem de menos tempo para reagir, o que torna os reflexos, a precisão dos golpes e a tomada de decisão ainda mais importantes. Sacadores eficientes costumam obter vantagem, enquanto jogadores que gostam de atacar a rede encontram melhores oportunidades para definir os pontos com voleios. Outro fator determinante é a movimentação. Enquanto o saibro permite deslizes controlados, a grama exige equilíbrio constante e mudanças rápidas de direção. Um pequeno erro de posicionamento pode comprometer toda uma troca de bolas. Além disso, o piso sofre desgaste natural durante o torneio. Nas primeiras rodadas, o gramado apresenta cobertura praticamente uniforme. Com o avanço da competição, principalmente nas regiões próximas à linha de fundo, a vegetação vai sendo desgastada, modificando o comportamento da bola e exigindo dos tenistas capacidade permanente de adaptação. Essas características ajudam a explicar por que grandes especialistas em quadras duras ou de saibro nem sempre conseguem repetir o mesmo desempenho em Wimbledon. O estilo de jogo favorecido pela grama Jogadores com saques potentes, excelente jogo ofensivo e rapidez nas transições costumam encontrar no gramado um ambiente favorável para explorar suas principais qualidades. Tenistas consagrados em Wimbledon Mais do que distribuir milhões em premiações ou reunir alguns dos melhores tenistas da atualidade, Wimbledon permanece como o palco onde lendas do esporte escreveram alguns dos capítulos mais marcantes da história do tênis. Nomes como William Renshaw, Laurence Doherty, Björn Borg, Roger Federer, Novak Djokovic, Pete Sampras, Helen Wills Moody, Billie Jean King, Martina Navratilova, Steffi Graf e Serena Williams, entre outros consagrados, foram eternizados nas quadras de grama do All England Club, inspirando sucessivas gerações de atletas. Ao longo de sua história, Wimbledon consagrou alguns dos maiores nomes do tênis mundial. A seguir, veja a tabela (com rolagem lateral) que apresenta os tenistas que conquistaram pelo menos três títulos de simples em Wimbledon, suas nacionalidades, o número de títulos e os anos das respectivas conquistas. Wimbledon sem fronteiras A cada edição, centenas de milhares de torcedores disputam os concorridos ingressos para assistir presencialmente às partidas, enquanto milhões de espectadores em todo o mundo acompanham o torneio pela televisão e pelas plataformas digitais. Os canais oficiais disponibilizam informações amplas, atualizadas continuamente durante toda a competição, como a programação diária, os resultados, as chaves de simples masculina e feminina e o ranking mundial da ATP e da WTA. No Reino Unido, cuja monarquia figura entre as mais antigas e tradicionais do mundo, Wimbledon mantém uma posição consolidada pela história entre os quatro torneios do Grand Slam, construída desde 1877. Conquistar um título em suas quadras de grama eleva o nome do campeão ao seleto grupo dos grandes protagonistas do tênis mundial. Por Luiz Cincurá Fundador e Editor High-TechSociety.com Transparência editorial: Este artigo foi produzido com o apoio do ChatGPT nas etapas de pesquisa e organização preliminar do conteúdo. A definição da abordagem editorial, a análise crítica, a revisão técnica e a redação final foram realizadas pelo Editor, responsável final pelo conteúdo publicado. Fontes: Wimbledon – The Championships (site oficial) ATP Tour WTA Tour International Tennis Hall of Fame Encyclopaedia Britannica
- O desafio de extrair, da complexidade, a essência.
A simplicidade é o último grau de sofisticação. Leonardo da Vinci (1452 - 1519) Para Da Vinci, simplificar não era “fazer menos”, mas chegar ao essencial. Ele acreditava que só quem compreende profundamente um fenômeno consegue expressá-lo de forma clara, elegante e sem excessos. Isso valia para tudo: desenho, engenharia, anatomia, pintura, invenções. Nesse sentido, a simplicidade não é o ponto de partida, mas sim o ápice da compreensão. Da Vinci estudava a natureza com obsessão. Via que seus mecanismos - músculos, asas, água, luz - pareciam simples à primeira vista, mas eram sustentados por estruturas extremamente sofisticadas. Para ele, a natureza era a prova viva de que a simplicidade é o resultado final de uma engenharia perfeita. Fontes: ISAACSON, Walter. Leonardo da Vinci. 2017. ZÖLLNER, Frank; NATHAN, Johannes. Leonardo da Vinci: The Complete Paintings and Drawings. Ed.Taschen, 2003. NICHOLL, Charles. Leonardo da Vinci: Flights of the Mind. Ed.Viking Adult, 2004.
- Cover de bateria do hino da Copa do Mundo da FIFA 2026, “DNA”
Assista a esta bela apresentação de cover de bateria, uma versão de "DNA", música tocada por uma baterista recriando a bateria original da gravação. "DNA”, hino oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, que foi apresentado na cerimônia de abertura da XXIII Copa do Mundo FIFA 2026, por Andrea Bocelli e EJAE, realizada no Estádio Azteca, no México, em 11 de junho de 2026. Bocelli, um dos mais renomados tenores da música clássica contemporânea, é reconhecido mundialmente por sua carreira consolidada e pela força de sua interpretação vocal. EJAE, artista coreano-americana, atua como cantora, compositora e produtora musical, venceu o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro. Ela conquistou os três prêmios graças ao seu trabalho na música "Golden" (da trilha sonora da animação Guerreiras do K-Pop / KPop Demon Hunters). David Guetta, embora não tenha se apresentado ao vivo no palco, é um dos coautores e produtores da faixa, contribuindo diretamente para a construção musical do hino oficial da Copa do Mundo FIFA 2026.
- Os encantos da Copa 2026 em um vídeo musical espetacular
Sinta a intensa emoção gerada a partir de uma música poderosa e vibrante, performances de tirar o fôlego, coreografias impressionantes e efeitos visuais de última geração em celebração ao maior evento esportivo do futebol mundial.











