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Das missões Apollo até Artemis

  • há 19 horas
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Atualizado: há 10 minutos

Nota do editor: Este conteúdo está em versão preliminar e passará por revisões adicionais.


Muito tempo já se passou desde quando o homem pisou o solo lunar pela primeira vez, um extasiante acontecimento histórico que vale ser relembrado, especialmente agora que as missões Artemis estão em desenvolvimento, em uma segunda etapa próxima de ser iniciada.  


Em 20 de julho de 1969, a espaçonave da missão Apollo 11, da NASA, entrou em órbita da Lua. O veículo era composto por três partes principais: o Módulo de Comando, chamado Columbia, que funcionava como cabine de controle e cápsula de retorno à Terra; o Módulo de Serviço, responsável por energia e propulsão; e o Módulo Lunar, batizado de Eagle, um veículo com motor próprio projetado para pousar na superfície lunar. Após estabelecer a órbita, o Eagle desacoplou-se do conjunto principal e iniciou sua descida controlada até o solo da Lua.


Concluída a exploração do solo lunar por um período de cerca de 2h31min e mais cerca de 19h05min dentro do Eagle, para organizar as amostras lunares, alimentação, descanso e preparar o veículo para decolagem, todo esse processo teve a duração de 21h36min. Na decolagem, apenas a parte superior do módulo lunar Eagle — chamada estágio de subida — decolou da superfície para reencontrar o Módulo de Comando Columbia em órbita. A base do Eagle, com suas pernas de pouso e motor de freio para pousar na lua, chamada de estágio de descida, permaneceu na Lua. Depois que os astronautas retornaram ao Columbia, o estágio de subida foi descartado em órbita lunar. Somente o Módulo de Comando regressou à Terra e pousou de paraquedas no Oceano Pacífico.


Para tornar real essa façanha memorável foi necessário a Apollo 11 percorrer cerca de 384.000 km com velocidade média aproximada de 5.058 Km/h - do planeta Terra até a órbita da lua - uma viagem de cerca de 3 dias e 4 horas.


A tripulação da Apollo 11 era composta de três astronautas: Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. Armstrong e Aldrin desceram à superfície no módulo lunar, enquanto Collins permaneceu no módulo de comando Columbia, orbitando a Lua.


Retornando da lua, módulo lunar Eagle se aproxima do módulo de comando Columbia, em órbita lunar, para acoplamento. No alto, ao fundo, vista do planeta Terra. Image Credit: NASA/Michael Collins.


O feito histórico foi transmitido ao vivo para cerca de 49 países, alcançando aproximadamente 600 milhões de pessoas - um dos maiores eventos midiáticos já registrados até então.


Ao descer do módulo lunar Eagle, o astronauta Neil Armstrong, o primeiro a pisar na lua, pronunciou a frase que atravessaria gerações: “That’s one small step for a man, one giant leap for mankind.” (Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade), frase que sintetizou a dimensão histórica da conquista. Não era apenas um pouso. Era a prova de que a humanidade podia ultrapassar seus próprios limites físicos e tecnológicos, em uma época em que os computadores eram menos potentes que uma calculadora científica atual e sistemas de navegação eram baseados em cálculos manuais e instrumentação analógica


Devido à massividade com que essa data e acontecimento foram explorados, muitos que sequer haviam nascido à época, hoje ainda acreditam que esse feito ocorreu apenas uma única vez. No entanto, embora a Apollo 11 tenha sido a primeira, o pouso lunar foi repetido em outras cinco missões do programa Apollo da NASA, totalizando seis ocasiões diferentes em que astronautas caminharam na Lua entre 1969 e 1972, conforme podemos ver no quadro abaixo:


Missão

Astronautas que pisaram na Lua

Data do pouso

na lua

Data de retorno

à Terra

Apollo 11

2

20 julho 1969

24 julho 1969

Apollo 12

2

19 novembro 1969

24 novembro 1969

Apollo 14

2

5 fevereiro 1971

9 fevereiro 1971

Apollo 15

2

30 julho 1971

7 agosto 1971

Apollo 16

2

21 abril 1972

27 abril 1972

Apollo 17

2

11 dezembro 1972

19 dezembro 1972


Doze homens caminharam sobre o solo lunar nesse curto intervalo de tempo. Desde então, porém, nenhum ser humano voltou à superfície da Lua - um hiato de mais de meio século que agora começa a ser desafiado, por uma nova geração de missões e com novos propósitos.


Quase cinco décadas depois, o Programa Artemis foi criado para retomar e expandir a presença humana além da órbita baixa¹ da Terra. Contudo, a abordagem atual é diferente da corrida espacial dos anos 1960 — a NASA está construindo um programa sustentado, passo a passo, com tecnologia moderna e parcerias comerciais e internacionais.


Missões Artemis/NASA. Credit: SATNow


Artemis I: teste sem tripulação (2022)


A missão Artemis I foi lançada em 16 de novembro de 2022 usando o novo foguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion. Sem tripulantes, essa missão testou sistemas críticos: lançamento, trajetória para a Lua, órbita lunar e retorno à Terra, percorrendo mais de 2,3 milhões de quilômetros.


Artemis II: missão tripulada em órbita lunar (2026)


A próxima missão, Artemis II, está planejada para ter o foguete lançado ainda neste mês de fevereiro de 2026, partindo do Kennedy Space Center, Flórida (EUA). Será um voo de cerca de 10 dias com quatro astronautas a bordo da Orion, indo além da órbita terrestre e descrevendo um flyby ao redor da Lua (os astronautas irão circundar a Lua e retornar, sem pousar) antes de voltar à Terra.


O objetivo não é pousar na Lua, mas testar sistemas de suporte à vida, comunicações, navegação e operação em ambiente profundo, com tripulação, o que é fundamental para missões posteriores. Isso prepara o terreno para o próximo passo do programa e reduz riscos antes de uma tentativa de pouso.


A Artemis II deverá levar cerca de quatro dias para alcançar a Lua e mais quatro dias para realizar o trajeto de volta à Terra. Nesse período, os astronautas seguirão verificando e analisando o desempenho dos sistemas da espaçonave, além de treinar protocolos e simulações de emergências. Ao mesmo tempo, seus organismos serão monitorados para ampliar o conhecimento sobre os efeitos que as viagens espaciais exercem no corpo humano.


No momento está sendo realizado um segundo ensaio geral de abastecimento, após um realizado em 2 de fevereiro de 2026, etapa de teste que antecede ao lançamento do foguete da missão espacial Artemis II.


Artemis II à Lua: Do lançamento ao pouso na água (Animação da missão da NASA). Credit: NASA.


Atenção: Para apresentação de legendas em sua língua nativa dos vídeos do YouTube, clique em configurações, inglês, clique novamente em inglês e em seguida clique em traduzir automaticamente. A seguir acione a barra de rolagem até encontrar e clicar na sua língua nativa.


Artemis III: pouso lunar (previsto para 2027–2028)


As missões Artemis 1 (não tripulada) e Artemis 2 (tripulada, até a órbita lunar) são voos de testes para um novo capítulo da exploração humana no Espaço. A Artemis III está planejada para ser a primeira missão tripulada a pousar na Lua desde Apollo 17 (1972), em meados de 2027 ou 2028. A data pode variar conforme testes e desenvolvimento do módulo de descida lunar.  Esta missão usará uma combinação do foguete SLS, da Orion e de um sistema de pouso lunar (Human Landing System), que embarcará os astronautas na superfície lunar.


O conjunto de missões Artemis (2022-2028) visa alcançar um passo além das conquistas do Programa Apollo (1969-1972): não se trata apenas de chegar à Lua, mas de ter uma presença mais constante por lá, de acordo com Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa:


“Diferentemente do Apollo, desta vez, quando formos à Lua, queremos ficar. Queremos ter uma presença sustentável na Lua. Queremos poder voltar várias vezes ao longo dos anos, para realmente aprender a viver e trabalhar nesse ambiente que está um pouco mais distante da Terra."


Segundo   Krishna (2005), em matéria publicada na National Geografic, entender o impacto das viagens espaciais nos astronautas da Artemis será fundamental para uma futura missão a Marte. A cápsula Orion, por si só, já representa um desafio, pois oferece apenas 9,34 m³ de espaço habitável, para quatro astronautas viverem, trabalharem e dormirem por quase dez dias, o que faz do confinamento um objeto de estudo.


Cabine da Orion. Credit: NASA


Krishna (2005) relata que, segundo Steven Platts, cientista-chefe do Programa de Pesquisa Humana, há três experimentos a bordo, todos com participação voluntária da tripulação. Um deles avalia bem-estar psicológico e padrões de sono em ambiente isolado — dados essenciais, já que a Artemis II será a primeira missão tripulada além da órbita terrestre desde 1972.


Outros dois estudos analisam os efeitos fisiológicos do espaço, segundo Krishna (2005). Serão coletadas amostras de sangue e saliva antes e depois da missão para examinar biomarcadores e hormônios. Durante o voo, os astronautas recolherão saliva em papel absorvente especial, permitindo comparação posterior com as amostras pré e pós-missão.


A tripulação também fará um teste de obstáculos antes e depois do voo para medir impactos da microgravidade no equilíbrio, coordenação e estabilidade. Será a primeira vez que esse experimento envolverá astronautas que viajaram além da órbita da Terra.


A Lua não é o destino final - é o ponto de partida. O programa Artemis foi concebido para estabelecer uma presença humana sustentável no entorno lunar e, a partir daí, preparar o próximo grande salto: levar astronautas à Marte. Como afirmou Bill Nelson, administrador da NASA: “Com Artemis, vamos explorar a Lua para descoberta científica, avanço tecnológico e aprender a viver e trabalhar em outro mundo enquanto nos preparamos para missões humanas a Marte.” A Lua, portanto, não representa a linha de chegada, mas o campo de treinamento estratégico para desafios ainda mais ambiciosos no espaço profundo.


Fundador e Editor: Luiz Cincurá


Nota:

¹ A órbita baixa da Terra (em inglês, Low Earth Orbit – LEO) é a região do espaço situada aproximadamente entre 160 km e 2.000 km de altitude acima da superfície terrestre. É a faixa orbital mais próxima do planeta e a mais utilizada para satélites de observação da Terra, satélites de comunicação, missões tripuladas e estações espaciais. Por exemplo, a International Space Station (ISS) orbita a cerca de 400 km de altitude, dentro da órbita baixa.


Fontes:


CBS NEWS. Apollo 11 Broadcast Archive. Acesso em: 17.fev.2026.


KRISHNA, Swapna. NATIONAL GEOGRAFIC. The farthest journey in human history is about to begin. 2025. Acesso em 19.fev.2026.


NASA. Apollo Mission Overview e Apollo History. Acesso em: 17.fev.2026.


NASA Artemis: Mission, Objectives, and Sequence of Phases. Acesso em 19.fev.2026.


NATIONAL GEOGRAPHIC. Historical Coverage & Analysis. Acesso em: 17.fev.2026.


NATIONAL GEOGRAFIC. The farthest journey in human history is about to begin. Acesso em 19.fev.2026.


SMITHSONIAN INSTITUTION NATIONAL AIR AND SPACE MUSEUM. Apollo Program Overview. Acesso em: 17.fev.2026


THE NEW YORK TIMES. Historical archive. Acesso em: 17.fev.2026


WIKIPEDIA. Artemis II details: launch, crew, duration and objectives. Acesso em 19.fev.2026.




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